
Após consultar a área técnica do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Corte, Edson Fachin, decidiu nesta quinta-feira (25) encaminhar para o ministro André Mendonça o pedido de investigação do financiamento do filme “Dark Horse” apresentado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). Fachin seguiu o entendimento da Procuradoria-Geral da República (PGR) e, na prática, fortaleceu a relatoria de Mendonça, responsável pela supervisão das investigações que fecharam o cerco contra o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Ao opinar sobre o pedido de investigação feito por Lindbergh sobre o áudio em que o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, cobra dinheiro de Vorcaro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que não caberia a Alexandre de Moraes abrir uma apuração sobre o episódio, uma vez que ele está no escopo de outro procedimento já em curso e sob a relatoria de Mendonça, responsável pelo caso Master.
Em sua ofensiva, Lindbergh pedia que a investigação ficasse nas mãos de Moraes, ligada ao inquérito que apurava se Eduardo Bolsonaro cometeu coação, tramou sanções contra autoridades brasileiras e tentou obstruir a ação da trama golpista, da qual o ex-presidente Jair Bolsonaro era um dos principais alvos. Eduardo foi condenado na Primeira Turma por unanimidade a 4 anos e 2 meses de reclusão.
Lindbergh alegou conexão do caso “Dark Horse” com o inquérito de Eduardo porque “o mesmo núcleo familiar e político que buscava reconstruir a imagem pública de Jair Bolsonaro por meio de obra audiovisual milionária também se encontrava envolvido em atuação internacional para constranger o Supremo Tribunal Federal, deslegitimar o julgamento da tentativa de golpe e impor sanções estrangeiras contra o Brasil”.
Após uma série de reportagens do Intercept Brasil, Flávio reconheceu ter captado R$ 61 milhões de Vorcaro, pagos por uma das empresas do ecossistema do Master para um fundo administrado pelo advogado de imigração de Eduardo.
No parecer de Gonet, a PGR argumentou que não considerava adequado entregar a ação a Moraes, uma vez que o caso Master já tem um relator, Mendonça. Fachin concordou.
“Com efeito, os episódios que são referidos nesta ‘comunicação de crime’ coincidem com o objeto de outras investigações sob a relatoria do Ministro André Mendonça”, concluiu o presidente do STF.
Suspeitas
Uma das linhas de investigação é saber se o dinheiro de Vorcaro, na verdade, foi usado para financiar o autoexílio do filho 03 nos Estados Unidos, onde Eduardo vive desde março do ano passado.
Outro foco de desconfiança é o fato de a proprietária da produtora responsável pelo polêmico filme “Dark Horse”, a jornalista Karina Ferreira da Gama nunca ter lançado nenhum filme, nem no Brasil e nem no exterior.
Segundo Karina, a produção e a pós-produção já custaram o equivalente a US$ 13 milhões (o equivalente a R$ 65,7 milhões, na atual cotação do câmbio).
O valor provoca estranhamento por ser muito maior do que o de filmes brasileiros recentes que foram sucesso de bilheteria e receberam múltiplas indicações ao Oscar, como “O agente secreto” (R$ 28 milhões) e “Ainda estou aqui” (R$ 45 milhões).
Munição
“Dark Horse” (Azarão, em tradução livre) é protagonizado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente. Apoiador de Donald Trump, a quem já chamou de “novo Moisés”, Caviezel passou cerca de três meses no Brasil gravando. Também está no elenco Esai Morales, que interpretou o vilão de “Missão: Impossível – O acerto final”.
O filme se tornou munição para aliados de Lula – e virou uma dor de cabeça para a campanha do senador bolsonarista, respingando no seu desempenho nas pesquisas de opinião, antes de surgirem as mais recentes revelações de que o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), teria recebido um imóvel de R$ 2,45 milhões em Salvador como propina do Master.
Durante a première do filme, ocorrida na semana passada em Las Vegas, o diretor do filme, Cyrus Nowrasteh, disse esperar que o filme ajude na eleição de Flávio, mas no entorno do senador há quem defenda a estreia do longa-metragem apenas depois da eleições, como uma forma de blindar a candidatura bolsonarista de mais desgastes.















