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Do palácio à prisão perpétua: Conheça a história da assassina que foi assistente da realeza no Reino Unido

Ex-assistente da realeza é levada algemada a tribunal, em 2003 — Foto: Getty Images

A história da série The Lady tem todos os ingredientes das produções inglesas que cativam o público capítulo a capítulo: um crime, uma assassina com rosto inocente e um membro da família real envolvido na trama. Porém, não se trata de ficção, mas de um drama da vida real — o assassinato cometido por Jane Andrews, assistente pessoal de Sarah Ferguson, ex-mulher do príncipe Andrew.

Em 2000, Jane matou o namorado, Thomas Cressman, um corretor da bolsa que era filho do ex-presidente do clube de futebol Aston Villa, logo após ele se recusar a se casar com ela. Furiosa, a mulher bateu no companheiro com um taco de críquete enquanto ele dormia em sua casa em Londres. Depois, o esfaqueou várias vezes no peito com uma faca de cozinha.

Em busca de um álibi, Jane abandonou o corpo e fugiu, mas foi encontrada dias depois. Acabou julgada e condenada à prisão perpétua em 2001. Em 2009, ela chegou a escapar da prisão de East Sutton Park, embora a polícia tenha conseguido recapturá-la.

O caso policial é o pontapé inicial da série The Lady, que os mesmos produtores de The Crown estão preparando. No entanto, o crime é apenas parte da história, já que a vida anterior de Andrews também parece algo saída de um romance.

Jane nasceu cercada de dificuldades. Os seus pais – um carpinteiro e uma assistente social – muitas vezes não tinham o suficiente para comer, davam-se mal e viviam num pequeno apartamento com banheiro do lado de fora. Na adolescência, Jane passaria por outros problemas: ataques de pânico, depressão, tentativa de suicídio aos 15 anos e aborto aos 17.

Apesar de tudo, ela tinha ambição. A sorte esteve do seu lado pela primeira vez em 1988, quando, como funcionária de baixo escalão da rede inglesa de lojas de departamentos Marks & Spencer, viu um anúncio na revista feminina The Lady em que era recrutada uma assistente. Jane se inscreveu sem saber quem era o responsável pela busca. Foi selecionada. Para sua surpresa, seu local de trabalho não seria outro senão o Palácio de Buckingham.

Jane pegou um táxi com o pouco dinheiro que tinha e deu uma indicação ao motorista que o fez olhá-la incrédulo pelo retrovisor: a jovem de 21 anos disse que se dirigia “para a porta lateral do palácio”. Ao chegar, ela foi recebida gentilmente, com um buquê de flores e um cartão de boas-vindas assinado por Sarah Ferguson – ainda casada com o príncipe Andrew – como “Sua chefe”.

A partir daí, Jane desempenhou suas tarefas com eficiência, tornou-se uma apoiadora incondicional da Duquesa de York e ficou obcecada por ela a ponto de pentear os cabelos, vestir-se e falar como Fergie, que por isso apelidou sua assistente de “Lady Jane”. Faltava-lhe apenas um marido influente e também conseguiu ter um: casou-se com Christopher Dunn-Butler, um homem 20 anos mais velho que era executivo da empresa IBM. O casamento fracassou ao mesmo tempo que o de sua chefe, que pediu o divórcio do filho da rainha Elizabeth II.

Com ambas separadas dos maridos, o relacionamento tornou-se ainda mais simbiótico… até que o alarme soou em Buckingham. Lady Jane se envolveu em um episódio violento com um namorado com quem morava em um apartamento alugado por Fergie: bateu nele, quebrou móveis e objetos e tentou suicídio por overdose. Pouco depois, ela seria demitida do emprego no palácio. Tudo iria por água abaixo porque, embora tenha decidido ter uma nova vida quando conheceu Cressman, o relacionamento estava longe de ser idílico e terminou em tragédia.

Em 2015, Jane foi libertada da prisão, beneficiando-se de uma liberdade condicional que violou em 2018 por um delito menor. Em 2019, ela foi libertada novamente. Hoje, ela tem 57 anos e vive no anonimato. Pelo menos por enquanto, já que a série sobre sua vida voltará a torná-la, a contragosto, notícia.

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