O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã nesta quarta-feira (29), dizendo que “chega de bancar o bonzinho” e com uma montagem dele segurando um fuzil com explosões ao fundo.
“O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo que não seja nuclear. É melhor ficarem espertos logo!”, afirmou Trump em publicação na rede social Truth Social.
Além do texto, a publicação de Trump traz uma montagem, que o mostra de óculos escuros segurando um fuzil e com diversas explosões em uma zona de guerra ao fundo, e também traz a legenda “chega de bancar o bonzinho”.
A publicação desta quarta-feira se refere a negociações entre Washington e Teerã, intermediadas pelo Paquistão, para finalizar a guerra no Oriente Médio. As tratativas estão estagnadas, com ambos os lados rejeitando propostas do outro e desentendimentos sobre negociações in loco. Além disso, o presidente norte-americano está insatisfeito com a proposta mais recente feita pelo Irã para encerrar o conflito, segundo a Reuters e o “New York Times”.

Ao mesmo tempo, EUA e Irã estão em um período de cessar-fogo, que pode estar com seus dias contados. Não só a publicação de Trump faz alusão a novos ataques, a agência de notícias Reuters revelou na terça-feira que os EUA estão analisando uma possível retomada dos bombardeios contra alvos militares e políticos do Irã.
Em outro âmbito, o governo Trump também avalia possíveis reações do Irã a uma eventual declaração de vitória na guerra. (Leia mais abaixo)
Segundo a Reuters, as opções militares continuam oficialmente em análise. Por outro lado, um funcionário da Casa Branca descreveu como “enorme” a pressão interna para encerrar a guerra.
Segundo uma das fontes, o Irã tem aproveitado o cessar-fogo para recuperar lançadores, munições, drones e outros equipamentos que haviam sido enterrados após bombardeios americanos e israelenses nas primeiras semanas do conflito.
Declaração de vitória

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 28 de abril de 2026 — Foto: Chris Jackson/Pool via REUTERS
Agências de inteligência dos Estados Unidos estão analisando como o Irã reagiria caso o presidente Donald Trump declare vitória na guerra, segundo três fontes ouvidas pela Reuters.
O estudo foi solicitado por integrantes do alto escalão do governo com o objetivo de avaliar as consequências de um possível afastamento dos EUA no conflito. No radar está o temor de que a guerra provoque grandes perdas para o partido de Trump nas eleições legislativas deste ano.
- Uma desescalada rápida poderia aliviar a pressão política sobre o presidente.
- Por outro lado, autoridades acreditam que o movimento fortaleceria o Irã, permitindo que o país retome os programas nuclear e de mísseis no futuro.
- Aliados americanos na região também poderiam receber novas ameaças.
Nenhuma decisão foi tomada até o momento e não há prazo definido para a conclusão da análise. Trump ainda poderia ampliar novamente as operações militares, segundo a Reuters.
Recentemente, as agências inteligência já avaliaram possíveis reações da liderança iraniana a uma declaração americana de vitória.
Após o início da ofensiva, em 28 de fevereiro, analistas concluíram que, se Trump declarasse vitória e reduzisse a presença militar dos EUA na região, o Irã provavelmente interpretaria a medida como um triunfo próprio, disse uma das fontes.
Por outro lado, caso os EUA declarassem vitória e mantivessem forte presença militar na região, o Irã poderia enxergar o gesto como uma estratégia de negociação, mas não necessariamente como o fim da guerra.
A diretora de assuntos públicos da CIA, Liz Lyons, afirmou que a agência não tem informações sobre a avaliação mencionada. A CIA não respondeu a perguntas específicas da Reuters sobre trabalhos atuais relacionados ao Irã.
O Escritório do Diretor de Inteligência Nacional se recusou a comentar.
A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que os EUA continuam negociando com o Irã e não serão pressionados a aceitar um acordo ruim. Segundo ela, o presidente só aceitará termos que priorizem a segurança nacional e garantam que o Irã não terá armas nucleares.
Custos políticos elevados

Porta-aviões USS Gerald Ford, da Marinha dos Estados Unidos, em foto de janeiro de 2026. — Foto: Divulgação/Marinha dos EUA
Pesquisas de opinião mostram forte rejeição à guerra entre os americanos. Levantamento Reuters/Ipsos divulgado na semana passada apontou que apenas 26% dos entrevistados consideram que a campanha militar valeu o custo, enquanto 25% disseram que ela tornou os EUA mais seguros.
Pessoas familiarizadas com discussões recentes na Casa Branca afirmam que Trump está atento ao impacto político do conflito para ele e para o Partido Republicano.
Vinte dias após o presidente anunciar um cessar-fogo, esforços diplomáticos ainda não conseguiram reabrir totalmente o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.
O Irã bloqueou parcialmente a passagem ao atacar embarcações e instalar minas na região. Cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo local.
A interrupção do fluxo elevou os custos de energia no mundo e os preços da gasolina nos Estados Unidos, aumentando a pressão econômica sobre o governo americano.
Uma redução da presença militar dos EUA combinada à suspensão do bloqueio poderia, no futuro, reduzir os preços dos combustíveis. Até agora, porém, os dois lados seguem distantes de um acordo.
No fim de semana, Trump cancelou uma viagem do enviado especial Steve Witkoff e do genro Jared Kushner ao Paquistão para reuniões com autoridades iranianas. O presidente disse que o encontro levaria “tempo demais” e que bastaria o Irã entrar em contato se quisesse negociar.















