
O clima esquentou na Câmara de Vereadores de Petrolina. Em discurso firme na Casa Plínio Amorim, o vereador e líder da oposição, Ronaldo Silva, pediu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar contratos da Prefeitura com a empresa Liga Engenharia, que foram alvo de apuração da Polícia Federal na última semana.
Ronaldo foi direto: questionou como, em uma licitação com 19 empresas, a proposta de menor preço teria sido derrotada por outra de valor maior. “Eu não estou acusando ninguém. Eu quero é que essa Casa nos ajude a fiscalizar”, afirmou, ressaltando que já havia protocolado o Requerimento pedindo cópias do processo licitatório e que também denunciou os contratos ao Ministério Público anteriormente.
O vereador ainda rebateu tentativas de desqualificar a atuação da Polícia Federal. “Querem desqualificar o trabalho da Polícia Federal? Quem rouba dinheiro do povo tem que ir para a cadeia”, declarou, lembrando que a operação colocou Petrolina como manchete nacional.
Apoio e convocação popular
Após a fala de Ronaldo, os vereadores Dhiego Serra (PL) e Gilmar Santos (PT) reforçaram apoio à instalação da CPI. “Por transparência ao dinheiro público, sempre”, declarou Dhiego Serra.
Gilmar Santos foi além, e convocou a população a pressionar os parlamentares. “Quero convocar o povo de Petrolina a marcar cada vereador para assinar esse pedido de CPI”, afirmou, defendendo que apenas uma investigação aprofundada poderá esclarecer a dimensão dos fatos.
Ronaldo encerrou reforçando que o papel do Legislativo é fiscalizar cada real que entra nos cofres públicos e dar satisfação à população.
A pergunta que fica
Nos bastidores, porém, o cenário é desafiador. A maioria dos vereadores da Casa integra ou apoia a base do prefeito Simão Durando, aliado do tradicional grupo político liderado pelo ex-prefeito Miguel Coelho.
Diante disso, a grande questão política que paira sobre a Câmara é: os parlamentares da base governista irão assinar a CPI que pode atingir contratos da própria gestão que apoiam?
A expectativa é de resistência. Nos corredores, já se fala na narrativa de “perseguição política”. Ainda assim, a pressão pública prometida pelos vereadores da oposição pode colocar cada parlamentar diante de uma escolha clara: assinar e permitir a investigação ou se posicionar contra a abertura da comissão.
Em meio à repercussão da operação federal, a decisão da Câmara poderá marcar um divisor de águas no debate sobre transparência e fiscalização em Petrolina.
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