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Opinião: Na janela, partidos e candidatos colocam na ponta do lápis por onde vão disputar eleição

Foto: Gemini

As próximas semanas serão decisivas para as construções das chapas proporcionais para deputado federal e deputado estadual. Trata-se da aguardada janela partidária, quando os parlamentares podem trocar de legenda sem correr o risco de terem os mandados reivindicados. Assim, é nesse período que se consolidam as alianças para definir quem fica e quem sai, bem como a lista daqueles que desejam se candidatar em outubro (o prazo limite para filiação acontece no início de abril).

Na Bahia, será o período para observar se a promessa de crescimento do Avante, reestruturado após 2022, vai se confirmar. À época em que Ronaldo Carletto assumiu a direção, havia a expectativa de uma robusta bancada na Assembleia e a filiação de ao menos Neto Carletto – essa deve ser a única 100% confirmada. Essa janela será interessante para entender a robustez com que a sigla chega nas urnas, dado o desempenho bom nas disputas por prefeituras.

Outra expectativa criada em terras baianas é o destino dos egressos do Progressistas, que preferiram ficar com o governo Jerônimo Rodrigues ao invés de seguir o direcionamento nacional de ser oposição ao PT. O destino provável dos deputados estaduais deve ser o PSB, mas isso depende também da costura envolvendo a candidatura de João Campos em Pernambuco – em um contexto de que pode haver aliança ou não com o PT por lá. Já dois federais, Mário Negromonte Jr. e Cláudio Cajado tendem a ir para o PSD, ligeiramente atingido com a saída do clã de Angelo Coronel.

O PL também deve sofrer perdas já esperadas na Assembleia. Parte dos deputados eleitos na onda do bolsonarismo não são bolsonaristas e tendem a buscar outros caminhos para continuar na política. Esses, inclusive, tendem a ir para partidos da base aliada do PT, o que mostra que nunca foi uma questão ideológica estar filiado ao PL. Nada mais rotineiro no padrão sopa de letrinhas da política partidária nacional.

Há ainda a situação do PDT, que em 2022 esteve com a oposição e agora caminha para marchar com o governo. Léo Prates estaria inicialmente “apalavrado” com o Republicanos, enquanto Emerson Penalva não falou explicitamente qual destino deve tomar. Todavia, ambos estão certos a permanecerem como oposição a Jerônimo e devem fazer as contas sobre qual o melhor caminho a seguir.

É tudo uma questão de contas. Não há ideologia nesse processo partidário. Claro que alguns parlamentares conseguem construir o posicionamento com alguma base firme, mas oscilando, no máximo, entre governo e oposição. A fidelidade partidária no Brasil é fluída demais para encararmos com surpresa quaisquer mudanças que venham a acontecer até o final da janela partidária, em abril.

BN

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