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Pior dia em três décadas: Ações em Hong Kong caem mais de 13% com ‘tarifaço’ de Trump e reação da China

Ações em Hong Kong caíram mais de 13% após ‘tarifaço’ — Foto: Peter PARKS / AFP

As ações em Hong Kong despencaram mais de 13% nesta segunda-feira, em seu pior dia em quase três décadas, enquanto a retaliação da China contra as tarifas de Donald Trump intensificou uma guerra comercial e alimentou temores de recessão. O Hang Seng Index fechou em queda de 13,22%, ou 3.021,51 pontos, para 19.828,30 — sua maior queda desde 1997, durante a crise financeira asiática — enquanto o Shanghai Composite Index caiu 7,34%, ou 245,43 pontos, para 3.096,58.

As bolsas asiáticas despencaram na abertura desta segunda-feira, depois que contratos futuros dos Estados Unidos anteciparam perdas importantes em Wall Street diante do pânico desencadeado pelas tarifas do presidente Donald Trump ao mundo todo.

No sábado, entrou em vigor nos Estados Unidos um imposto universal de 10% sobre as importações. Na quarta-feira, aumentarão os tributos sobre importações provenientes de alguns países, como os membros da União Europeia (20%) e a China (34%), conforme antecipou Trump em 2 de abril.

O anúncio provocou o colapso dos mercados em todo o mundo, que se estendeu na segunda-feira com a abertura da Ásia. A Bolsa de Tóquio despencou 7,8%, Seul perdeu 5,6% e Sydney, 4,2%.

Na Europa, os principais índices abriram em queda livre, seguindo a tendência dos mercados asiáticos. Frankfurt cedia 7,86% depois de registrar perdas de mais de 10% durante alguns minutos. Paris abriu em queda de 6,19%, Londres recuava 5,83%, Madri 3,6% e Milão 2,32%.

O presidente dos EUA, Donald Trump, assina ordem executiva que impõe tarifas recíprocas no jardim da Casa Branca — Foto: Saul Loeb/AFP
O presidente dos EUA, Donald Trump, assina ordem executiva que impõe tarifas recíprocas no jardim da Casa Branca — Foto: Saul Loeb/AFP

Trump nega intenção de derreter ações

Trump negou no domingo que planejasse uma liquidação intencional das ações e insistiu que não podia prever as reações do mercado. Advertiu que não chegaria a um acordo com outros países a menos que os déficits comerciais fossem resolvidos. E tratou as tarifas como um remédio para a economia americana, que vê como doente.

As empresas americanas perderam seu valor na ordem de trilhões de dólares desde o início de sua ofensiva tarifária.

— Às vezes é preciso tomar o remédio para consertar algo — disse Trump aos jornalistas a bordo do Air Force One, enquanto voltava a Washington após um fim de semana de golfe na Flórida.

Os parceiros comerciais estão “vindo para a mesa e querem conversar”, acrescentou.

Os contratos futuros sobre os principais índices da bolsa de Nova York caíam fortemente no domingo, o que aponta para uma nova queda de Wall Street na segunda-feira, ainda abalada pela onda de tarifas.

E o petróleo americano caiu abaixo dos 60 dólares por barril, pela primeira vez desde abril de 2021.

‘Não se pode começar do zero’

O governo Trump assegurou neste domingo que mais de 50 países pediram para negociar a eliminação ou a redução das tarifas impostas por Washington — conversas que, acrescentou, podem levar meses até dar frutos.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse à NBC que mais de 50 países entraram em contato com o governo para reduzir as tarifas e pôr fim à manipulação de suas moedas.

A China respondeu imediatamente às tarifas sobre seus produtos com medidas similares contra os Estados Unidos.

Já os líderes europeus intensificaram seus contatos durante o fim de semana antes de que, na segunda-feira, os ministros do Comércio da União Europeia (UE) se reúnam para definir a resposta do bloco.

— O mundo como o conhecíamos desapareceu — previu o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, diante dessa mudança no comércio internacional.

Enquanto isso, Trump vê beleza

“Algum dia as pessoas vão perceber que as tarifas, para os Estados Unidos, são algo muito belo!”, escreveu Trump no domingo em sua rede Truth Social.

O secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, advertiu no domingo, no canal CBS, que as novas tarifas que entram em vigor em 9 de abril não estarão sujeitas a possíveis negociações.

— Não haverá adiamento — insistiu Lutnick. — As regras não estão equilibradas, e o presidente Trump vai consertar isso.

Os países que buscam uma saída negociada para a guerra comercial de Trump o fazem porque consideram que suas economias vão sofrer grande parte as consequências das tarifas, disse no domingo à ABC o principal assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional.

Ele previu que não haverá um efeito importante sobre os consumidores nos Estados Unidos. Mas a maioria dos economistas prevê, por outro lado, um aumento da inflação e uma desaceleração da economia dos EUA como consequência das tarifas.

Embora Hassett tenha reconhecido que pode haver um aumento de preços, considerou que as medidas protecionistas de Trump são uma forma de defender os trabalhadores americanos da concorrência desleal.

Questionado sobre por que a Rússia não estava na lista de países afetados pelas tarifas, o assessor afirmou que Trump preferiu não incluí-la por causa das tratativas para um possível fim do conflito na Ucrânia.

— Isso não significa que a Rússia será tratada de forma muito diferente dos demais países por muito tempo — acrescentou.

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