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Política

Presidente do PL admite plano de golpe no 8/1 e prevê anistia

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu que houve planejamento de um golpe de Estado no fim do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, após a derrota do então presidente para Luiz Inácio Lula da…

Por andre08/10/2026 15:2020 visualizações
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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu que houve planejamento de um golpe de Estado no fim do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, após a derrota do então presidente para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022. O caso ficou conhecido como atos antidemocráticos do 8 de janeiro de 2023, o 8/1.

A declaração foi dada nesta quarta-feira (7), em entrevista à Timeline Gaúcha, da Rádio Gaúcha. Confira o vídeo completo no final da reportagem.

O dirigente também afirmou que o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), concederá anistia ao pai e ex-presidente Jair Bolsonaro, e a presos dos atos de 8 de janeiro já no primeiro dia de um eventual governo.

Valdemar também foi questionado sobre a possibilidade de uma nova articulação golpista em um eventual governo de Flávio e, inicialmente, não descartou a hipótese.

“Sei lá, sei lá. Pode haver planejamento”, respondeu, antes de argumentar que as consequências enfrentadas pelo ex-presidente serviriam como impedimento para uma nova tentativa. “Isso deu certo? Olha o Bolsonaro o que está pagando. Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais”, completou.

Valdemar confirma que houve planejamento de golpe

Ao ser confrontado pelos entrevistadores sobre a existência de uma articulação para impedir a posse de Lula, Valdemar foi direto ao reconhecer o planejamento. “Não tenha dúvidas. Quantos planejamentos você não faz e vê que depois que está errado e para no meio?”, afirmou.

O dirigente, porém, fez uma distinção entre planejar e executar uma ruptura institucional. Em sua avaliação, o fato de a ação não ter sido concretizada afastaria a caracterização de crime. “Discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe. E daí?”, declarou.

A afirmação contrasta com a interpretação adotada pela Justiça no julgamento da trama golpista. Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão, em decisão que apontou sua responsabilidade por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e à abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Anistia para Bolsonaro e presos do 8 de Janeiro

A defesa da anistia apareceu na entrevista justamente quando Valdemar foi questionado sobre os objetivos de uma eventual vitória de Flávio.

Ao ser perguntado se o principal propósito seria libertar Jair Bolsonaro, o presidente do PL afirmou inicialmente que o filho faria isso imediatamente. “Mas não tem dúvida, ele vai fazer no primeiro dia”, disse.

Em seguida, Valdemar afirmou que Flávio concederia uma anistia para libertar os presos que considera injustamente detidos. “Uma anistia imediata para soltar esses 180 infelizes que estão presos”, declarou.

Questionado se seriam todos, respondeu novamente: “No primeiro dia”. Valdemar também sustentou que Jair Bolsonaro não deveria estar preso e classificou a situação como “um crime”.

Posteriormente, quando questionado se a libertação do pai seria o principal objetivo da candidatura de Flávio, o dirigente recuou da formulação e afirmou que a prioridade seria “tocar o país para frente”. “Isso vai ser uma das ações que ele vai fazer, vai fazer muitas ações, isso é uma delas. Bobagem, isso é o mínimo”, afirmou.

Presidente do PL diz que planejamento não seria crime

Ao defender a anistia, Valdemar voltou a argumentar que o planejamento de uma ação criminosa, sem sua execução, não deveria resultar em punição. “A lei diz o seguinte: você pode planejar um assassinato e você não assassinou o camarada e não atacou o camarada, não é crime”, afirmou.

Na sequência, ele citou os comandantes das Forças Armadas que teriam se oposto à execução de uma eventual ruptura institucional. “Disseram não, eles fizeram alguma coisa? Não fizeram, não é crime”, declarou.

A interpretação apresentada pelo dirigente não corresponde ao entendimento aplicado pelo STF no julgamento da trama golpista, que considerou a tentativa de ruptura institucional entre os crimes pelos quais Jair Bolsonaro foi condenado.

Novo plano golpista em eventual governo Flávio?

A possibilidade de repetição de uma articulação semelhante foi levada diretamente a Valdemar. O entrevistador perguntou quem garantiria que um planejamento golpista não voltaria a ocorrer em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. A resposta inicial foi: “Sei lá, sei lá. Pode haver planejamento”.

Na sequência, Valdemar afirmou que não acredita que uma nova tentativa seria realizada diante das consequências impostas a Jair Bolsonaro. “Isso deu certo? Olha o Bolsonaro o que está pagando. Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais!”, disse.

A declaração coloca no centro da disputa presidencial uma questão que vai além da anistia: a posição do principal dirigente partidário de Flávio diante da possibilidade de uma nova articulação para ruptura institucional.

Jair Bolsonaro teria influência em eventual governo

Valdemar também afirmou que Jair Bolsonaro não ocuparia formalmente um cargo em um eventual governo do filho, mas teria participação política. “Bolsonaro, logicamente, vai dar opinião no governo, não tenho dúvida disso. Mas não vai fazer parte do governo”, declarou.

Segundo o presidente do PL, a presença de Jair ao lado do partido seria importante para a articulação política com prefeitos, governadores e apoiadores.

Assista ao vídeo completo

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