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Disputa interna e impasse com siglas de centro: entenda por que Flávio terá de oficializar candidatura sem vice definido

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, em debate na CNI — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

Sem sucesso na tentativa de atrair partidos do Centrão para uma coalizão, Flávio Bolsonaro (PL-SP) será oficializado como o candidato do PL à Presidência no sábado, em convenção nacional da sigla, sem a definição de um vice. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ainda tenta articular uma ofensiva em conversas com dirigentes da federação União Brasil-PP e do Republicanos, mas apenas o último partido demonstrou abertura para negociar — ainda assim, em meio a dificuldades. Na terça-feira, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), uma das cobiçadas para o posto, voltou a declinar oficialmente o convite.

Liderando uma pré-campanha tumultuada, Flávio ainda não conseguiu repetir o feito do pai em 2022, quando ele reuniu essas legendas para disputar a eleição. Além da disputa familiar, com desentendimento público com a madrasta Michelle Bolsonaro, o senador acumula desgastes junto ao eleitorado desde que os diálogos com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foram revelados, com impacto em pesquisas de intenção de voto.

Agora, a estratégia da campanha do PL é manter a vaga aberta após a convenção e deixar a definição para até 5 de agosto, prazo final previsto pela Justiça Eleitoral para a aliança formal:

— Até o dia 5 de agosto temos interesse em ter o apoio da federação (União-PP). O tempo de televisão permite que a campanha possa mostrar o candidato e responder às críticas. Estamos construindo também com Republicanos e Podemos — disse o coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN).

Entre aliados, a indefinição do nome do vice é justificada pela demora nas conversas com o Republicanos. Também é citada a falta de consenso dentro do próprio PL sobre quem deve estar na chapa, disputa que ganhou força nas últimas semanas e expôs divergências entre diferentes alas do partido.

A economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, segue entre os nomes mais cotados. Filiada ao Republicanos neste ano, ela se aproximou de Flávio ao longo da pré-campanha e passou a atuar na elaboração de propostas econômicas e de políticas voltadas ao eleitorado feminino. Sua eventual indicação, porém, está diretamente ligada ao avanço das negociações entre os dois partidos.

O Republicanos condiciona uma aliança nacional à resolução de impasses estaduais e cobra apoio do PL em quatro estados considerados estratégicos. Até o momento, apenas o Espírito Santo tem acordo fechado, com o apoio ao ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini.

Além da negociação com o Republicanos, Daniella enfrenta resistências dentro do próprio PL. Em entrevista ao GLOBO na semana passada, o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, afirmou que a economista reúne qualidades técnicas, mas não agregaria votos à chapa.

Resposta negativa

Na terça-feira, Valdemar fez uma nova tentativa de convencer a senadora Tereza Cristina a integrar a chapa como candidata a vice. Em reunião realizada pela manhã, em Brasília, o dirigente voltou a defender a aliada como o melhor nome para a composição, mas ouviu da ex-ministra da Agricultura que ela continuará dedicada ao projeto de disputar a presidência do Senado em 2027.

Valdemar confirmou a reunião e reconheceu que Tereza não será vice de Flávio. Procurada, a senadora não se manifestou.

Além de Daniella e Tereza, as deputadas Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE) chegaram a ser cogitadas. A possibilidade de uma composição com parlamentares do PP, no entanto, perdeu força diante da sinalização da federação União Brasil-PP de que deverá permanecer neutra na disputa presidencial.

Nos últimos dias, o presidenciável telefonou para os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda, e planejava aproveitar a convenção estadual da federação União Progressista, realizada na segunda-feira, em São Paulo, para conversar pessoalmente com ambos. Os dois, porém, não compareceram ao evento, assim como Marcos Pereira, que chefia o Republicanos.

Até agora, Flávio conseguiu confirmar apenas um encontro com Ciro, marcado para hoje, em Brasília. Com Rueda e Marcos Pereira, porém, ainda não há previsão de agenda. O cacique do Republicanos tem reclamado abertamente do que considera uma falta de esforço do senador Rogério Marinho pelas articulações regionais.

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