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Trump afirma ter feito ‘acordos comerciais fantásticos’ com Xi em último dia de viagem à China

O presidente dos EUA, Donald Trump, cumprimenta o presidente da China, Xi Jinping, durante visita ao Jardim Zhongnanhai, em Pequim — Foto: Evan Vucci/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que fez “acordos comerciais fantásticos” com o líder chinês, Xi Jinping, ao fim de sua viagem oficial a Pequim. Após uma agenda de dois dias na capital chinesa, o republicano embarcou de volta para Washington, sem nenhum sinal imediato de EUA e a China tenham resolvido os pontos mais sensíveis de sua relação.

— Muita coisa boa resultou disso. Fizemos alguns acordos comerciais fantásticos, ótimos para ambos os países — disse Trump enquanto visitava os jardins de Zhongnanhai, sede murada do Partido Comunista Chinês, gabando-se de ter tornado Xi “verdadeiramente um amigo”. — Resolvemos muitos problemas diferentes que outras pessoas não teriam sido capazes de solucionar.

Trump decolou do Aeroporto Internacional de Pequim-Capital, a bordo do avião presidencial Air Force One, às 14h40 (3h40 de Brasília), após dois dias de reuniões com Xi, em uma pauta que incluía temas como acordos econômicos em agricultura, aviação e inteligência artificial, além de questões geopolíticas delicadas, como a guerra no Oriente Médio ou Taiwan. A cúpula, porém, terminou sem nenhum grande anúncio de acordo em específico.

Além de mencionar acordos comerciais, o presidente americano disse ter recebido uma oferta de ajuda de Xi para desbloquear o Estreito de Ormuz. Em uma entrevista ao canal Fox News após o primeiro dia da visita, Trump disse que recebeu garantias de que Pequim não estava se preparando para ajudar militarmente Teerã.

— Disse que não vai entregar equipamento militar (…) afirmou com muita firmeza — declarou Trump. — Ele gostaria de ver o Estreito de Ormuz aberto e disse: ‘Se eu puder ser de qualquer ajuda, de qualquer forma, gostaria de ajudar’.

Donald Trump embarca no avião presidencial americano para retornar aos EUA após visita a Pequim — Foto: Brendan Smialowski/AFP
Donald Trump embarca no avião presidencial americano para retornar aos EUA após visita a Pequim — Foto: Brendan Smialowski/AFP

O líder chinês classificou a visita como “histórica” em comentários de tom mais brando, afirmando que as partes estabeleceram “uma nova relação bilateral, que é uma relação de estabilidade estratégica construtiva”. Também afirmou que escolheu receber Trump em Zhongnanhai como forma de retribuir a recepção que recebeu de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida, em 2017.

A cúpula Trump-Xi, primeira visita presidencial dos EUA à China em quase uma década e um teste para verificar se a distensão entre as duas nações continuaria, foi marcada por muitos elogios públicos e cordialidades. Em um luxuoso banquete de Estado na noite de quinta, Trump convidou Xi a visitar a Casa Branca em setembro.

Entre os avanços comerciais, Trump disse à Fox News, em entrevista na quinta-feira, que Xi concordou em encomendar 200 aviões da Boeing. Em entrevista à Bloomberg News, o representante comercial dos EUA Jamieson Greer disse que foi criado um conselho para supervisionar a redução das tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em mercadorias. Houve também anúncio de renovação de licenças de exportação de alguns frigoríficos americanos para vender carne bovina para a China.

Falta de clareza sobre Taiwan

Os cordiais apertos de mãos e toda a pompa da quinta-feira, quando Trump visitou o Templo do Céu com Xi, em Pequim, foram ofuscados por um alerta contundente do líder comunista sobre Taiwan, ponto de tensão geopolítica entre os países. Pouco depois do início das reuniões, a imprensa estatal chinesa informou que Xi disse ao republicano que uma administração equivocada da questão poderia levar os dois países a um “conflito”.

Em uma entrevista à rede americana NBC, o secretário de Estado Marco Rubio declarou em uma que “a política dos Estados Unidos sobre a questão de Taiwan não mudou”, e que a delegação deixou clara a posição nos encontros em Pequim. Taipé agradeceu a Washington nesta sexta-feira “por expressar repetidamente seu apoio”. (Com AFP)

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