
Muitos casais compartilham o mesmo teto, dividem as contas e coordenam a rotina dos filhos, mas relatam a ausência de um elemento essencial: o toque. Abraços, carinhos e pequenos gestos que mantêm a intimidade parecem ter se esvaído, dando lugar a uma rotina organizada, marcada por parceria e respeito, mas também pela diminuição do desejo.
Cada vez mais, relacionamentos vivem esse paradoxo: uma “sociedade bem-ajustada” que funciona na superfície, mas perdeu a conexão íntima que sustenta o vínculo afetivo.
Uma pesquisa da Gleeden, plataforma de encontros extraconjugais, realizada em agosto de 2025 com 1,2 milhão de usuários brasileiros indica que, apesar do sexo ainda ser considerado um pilar do casamento, 35% admitem ter relações sexuais raramente. Estresse, rotina intensa e pressão por desempenho figuram entre os fatores que colocam a intimidade em segundo plano.
O debate também chega ao público. Recentemente, Paula Lavigne, esposa de Caetano Veloso, comentou sobre a libido após a menopausa e a reposição hormonal, lembrando que a queda do desejo é natural com a idade, mas que ainda há espaço para reconexão.
Sinais de alerta: o parceiro virou ‘colega’?
Para o sexólogo Vitor Mello, a queda da atração entre o casal raramente é um problema isolado.
“O primeiro sinal de que algo está errado não é necessariamente a falta de sexo, mas a mudança de comportamento: eles começam a se distanciar, perdem a conexão e o contato físico diminui progressivamente”, explica ao GLOBO.
Segundo ele, soluções rápidas, como fantasias ou estímulos visuais, não substituem o vínculo emocional.
“O mais preocupante é quando a conexão desaparece. Isso se transforma em desinteresse constante e acaba afetando diretamente o relacionamento, até chegar a um ponto em que o desejo praticamente some. O problema não começa quando o sexo diminui — essa redução pode ter várias causas —, mas quando o vínculo entre o casal enfraquece”, afirma.
Mello acrescenta que, sem fortalecer essa ligação, qualquer tentativa pontual de reacender o interesse não surte efeito: “O desejo sexual está diretamente ligado a fatores emocionais, psicológicos e ao relacionamento. Ignorar isso é tratar apenas o sintoma, sem compreender a causa real.”
Reconectar-se envolve investir na convivência diária. Gestos simples, conversas e atenção mútua podem revitalizar o elo que mantém o desejo vivo.
















