Bloqueio de bens, prisão preventiva e rastreamento da rota de fuga: PF avalia próximos passos após Flávio deixar o país
Após a confirmação de que o candidato derrotado à presidência Flávio Bolsonaro (PL) fugiu para os Estados Unidos, a Polícia Federal avalia pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) o bloqueio de bens e valores do senador…
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Após a confirmação de que o candidato derrotado à presidência Flávio Bolsonaro (PL) fugiu para os Estados Unidos, a Polícia Federal avalia pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) o bloqueio de bens e valores do senador como forma de pressioná-lo a voltar ao Brasil. Essa mesma medida foi aplicada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes ao empresário e advogado Willer Tomaz, que é amigo de Flávio e está nos EUA desde agosto.
Os dois são investigados por envolvimento em um suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de plataformas de apostas esportivas (bets). O inquérito está sob relatoria de Moraes.
Na decisão que atingiu Willer, Moraes ordenou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial, além do sequestro e indisponibilidade de bens móveis e imóveis até o limite de R$ 6 bilhões. Há expectativa de que uma medida similar seja tomada contra Flávio Bolsonaro. O mesmo também foi determinado por Moraes contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, em julho de 2025, quando descobriu-se que o ex-presidente Jair Bolsonaro lhe enviava dinheiro para custear a sua estadia nos EUA.
Essa medida cautelar é uma estratégia conhecida entre os investigadores como “asfixia financeira” que visa interromper a suposta prática criminosa.
A PF também realizou diligências nesta terça-feira para rastrear a rota utilizada por Flávio para deixar o país em direção aos Estados Unidos. No domingo, logo após o fim do segundo turno das eleições, a PF enviou um pedido a Moraes, dizendo que havia “risco concreto de evasão do território nacional”.
Ao invés de solicitar a prisão preventiva dele, os investigadores propuseram a entrega dos seus passaportes e a proibição de manter contato com Willer Tomaz. Como Flávio descumpriu a ordem judicial, a PF avalia a possibilidade de requerer a detenção dele.
Os investigadores, no entanto, consideram que a medida não terá efeito prático, uma vez que o governo do presidente Donald Trump já anunciou que autorizou a permanência dele nos EUA.
Caso Moraes decida decretar a sua prisão preventiva, o nome dele pode ser levado para inclusão na lista vermelha da Interpol — o que não significa detenção automática. Cabe às autoridades do país para onde ele se refugiu decidir se acatam ou não a medida.
Deputados do PT protocolaram petições nesta terça-feira para que Moraes coloque Flavio na difusão da Interpol. E requisitaram uma manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre o caso.
Segundo pessoas próximas à família, Eduardo Bolsonaro teria articulado a operação de fuga junto a autoridades americanas.
Eduardo mora no Texas, mas se dirigiu até a Flórida com a esposa e os filhos para buscar o irmão. O governo americano já confirmou que concederá vistos para o senador e sua família.
O último aliado a falar com Flávio foi o ex-coordenador de sua campanha, Rogério Marinho, que recebeu uma mensagem do senador por volta das 8h. Nela, Flávio disse que precisava espairecer e depois ficou incomunicável.
Na reunião que teve com aliados e advogados, na segunda-feira (26), o senador se mostrou transtornado e com medo de ser preso, segundo presentes. Ele foi fortemente aconselhado a permanecer no Brasil e capitalizar o movimento de oposição como herdeiro do pai, Jair Bolsonaro.
Flávio combinou que se reuniria com deputados e senadores do PL na terça-feira que vem para organizar as mobilizações futuras, mas acabou optando pela fuga.










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