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EUA têm mandados de prisão contra outros líderes da Venezuela: entenda por que não foram presos

À esquerda, Vladimir Padrino López, ministro da Defesa da Venezuela, e à direita, Diosdado Cabello, ministro do Interior da Venezuela — Foto: Federico Parra/AFP

A operação militar dos Estados Unidos na Venezuela que capturou o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, faz parte de uma ofensiva americana contra o narcotráfico, dizem há tempos as autoridades do governo de Donald Trump. Maduro e Flores, levados de Caracas pelas Forças Especiais dos EUA, são acusados de narcotráfico e terrorismo — assim como outras importantes autoridades importantes da Venezuela, que permanecem livres e atuantes no país sul-americano, mesmo após a ação do último sábado.

ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, ambos aliados próximos de Maduro, são acusados pelo Departamento de Justiça dos EUA de envolvimento no suposto esquema de tráfico de drogas que o governo Trump alega ser comandando pelo alto escalão do governo chavista, e também têm mandados de prisão emitidos contra eles pela Justiça americana e recompensas milionárias oferecidas por suas capturas.

Em entrevista à rede CBS News, neste domingo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, tentou justificar a escolha dos EUA pela prisão apenas de Maduro e Flores no ataque, defendendo a cautela e a busca por menores riscos às equipes americanas como prioridade da missão.

— Imagine o alvoroço que teríamos se tivéssemos que ficar lá quatro dias para capturar mais quatro pessoas. Tínhamos a prioridade máxima. A pessoa número um da lista era o cara que alegava ser o presidente do país, e ele foi preso junto com a esposa, que também foi indiciada — disse Rubio, irritado com a pergunta da apresentadora da CBS News. — Ele [Maduro] era um traficante de drogas condenado e indiciado. Ele foi preso. Sua esposa também foi presa e agora estão sendo julgados pelo sistema judiciário americano. Então você queria que pousássemos em outras cinco bases militares?

Apesar dessa postura, a não captura dos ministros na Operação Firmeza Absoluta não significa que os Estados Unidos abriram mão das acusações contra Padrino López e Cabello, visto que Rubio deixou claro que a pressão americana contra a Venezuela está apenas iniciando sua nova fase de execução. Durante a entrevista deste domingo, o secretário ressaltou que os Estados Unidos trabalharão com os atuais líderes da Venezuela se eles tomarem “as decisões certas”.

A mensagem de Rubio amplia a declaração de Trump sobre o interesse de retomar exploração do petróleo venezuelano e escancara que o novo episódio da ameaça americana sobre Caracas envolve cooperação com os objetivos de Washington, sob supervisão da Casa Branca.

Diosdado Cabello

Diosdado Cabello participou ao lado de Hugo Chávez, antecessor e mentor de Maduro, de uma tentativa de golpe de Estado em 1992, que pôs fim à sua carreira militar, e tem sido figura central da cúpula chavista na Venezuela nas últimas décadas. Vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), fundado por Chávez, chegou a ser cotado para o cargo de sucessor do líder bolivariano, mas perdeu a disputa para Maduro. Desde então, ele é considerado o número 2 do chavismo, próximo na linha de sucessão do regime.

Cabello era vice-presidente de Chávez quando o então presidente sofreu uma tentativa de golpe de Estado em 2002 e foi deposto do cargo por dois dias. Posteriormente, chefiou ministérios, a Assembleia Nacional venezuelana e a controversa Constituinte de 2017. Aliado próximo de Maduro e com grande influência sobre os militares da Venezuela, se considera — juntamente com o presidente — “filho de Chávez”.

Em 2018, durante o primeiro mandato de Trump, foi sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, ao lado do seu irmão, José David Cabello, e da sua esposa, Marleny Josefina Contreras Hernández, sob acusações de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção. Dois anos depois, o governo americano ofereceu uma recompensa de US$ 10 milhões por informações que levassem à sua prisão, valor que subiu para US$ 25 milhões (R$ 135 milhões) em janeiro deste ano, quando o líder republicano assumiu seu segundo mandato à frente da Casa Branca.

Vladimir Padrino López

Vladimir Padrino López é o comandante-em-chefe das Forças Armadas da Venezuela desde 2014, logo após a primeira eleição de Maduro. Ele comandava uma unidade de blindados em Fuerte Tiuna, em Caracas, em 2002, e conquistou lugar de destaque no regime ao se recusar a apoiar o levante organizado contra Chávez na época. Publicamente, ele se apresenta até hoje, mais de 20 anos depois, como um aliado fiel dos ideais revolucionários do ex-presidente, se autodescrevendo como um “soldado bolivariano, decidido e convencido a seguir construindo a pátria socialista”.

A permanência de Padrino López como ministro da Defesa por mais de uma década é atribuída por especialistas à sua capacidade de unificar e harmonizar diferentes grupos e interesses dentro das Forças Armadas venezuelanas, que passavam por um momento de conflitos internos após a morte de Chávez em 2013. Assim como Cabello, ele também é procurado pelos americanos, que oferecem uma recompensa de US$ 15 milhões (R$ 81 milhões) por sua captura.

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