
A disputa pelo comando do PT da Bahia se transformou em mais um capítulo do embate político entre o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner, deixando o governador Jerônimo Rodrigues no meio do fogo cruzado. Com vetos de ambos os lados, a sucessão da presidência estadual do partido voltou à “estaca zero”, sem um nome de consenso definido para o Processo de Eleição Direta (PED).
Segundo informações obtidas pelo Bahia Notícias, o senador Jaques Wagner e o atual presidente do PT, Éden Valadares, vinham articulando a candidatura de Sandro Magalhães, presidente da sigla em Serrinha. No entanto, o movimento perdeu força após a intervenção do ministro da Casa Civil, Rui Costa, que rejeitou a indicação. Segundo um membro do governo, mesmo com a articulação de Wagner, não foi suficiente para garantir o consenso.
“Existia uma construção de Wagner com Éden para ser Sandro de Serrinha. De repente, Rui entra pelo meio e disse que não queria. Aí virou natimorta”, contou a fonte à reportagem.
Ao BN, uma liderança petista revelou que Sandro, inclusive, estava com a nomeação pronta para assumir um cargo na gestão de Jerônimo Rodrigues. Segundo ela, o presidente do PT de Serrinha teria sua efetivação publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) do último sábado (22), mas a possibilidade de assumir a executiva estadual da sigla travou as tratativas.
Nos bastidores, outra alternativa chegou a ser considerada. O secretário de Justiça e Direitos Humanos do Estado da Bahia (SJDH), Felipe Freitas, era o nome defendido por Éden e aceito tanto por Wagner quanto por Jerônimo. No entanto, Felipe não demonstrou interesse na disputa, o que levou o governador a resgatar o nome de Sandro, com quem trabalhou no Movimento de Organização Comunitária (MOC).
“Wagner topou. Jerônimo também. Jerônimo não conseguiu convencer Felipe. E tirou Sandro da cartola”, revelou a liderança.
O BN recebeu informações de que o impasse cresceu quando Rui vetou Sandro, interpretando a escolha como uma indicação de Wagner, e sugeriu Júlio Pinheiro, ex-prefeito de Amargosa que deixou o cargo este ano após ter dois mandatos consecutivos. No entanto, a indicação de Júlio também não avançou, consolidando um cenário de indefinição.
Para lideranças do partido, o cenário se assemelha a outras disputas recentes dentro do governo estadual, como a escolha da presidência da Embasa e o comando da Secretaria de Comunicação (Secom). No caso da Embasa, Jerônimo conseguiu indicar um nome próprio, enquanto na Secom ainda busca uma alternativa que não seja vista como uma imposição de Wagner ou Rui.
Com a inscrição das chapas prevista para o final de abril, o PT baiano ainda tem tempo para encontrar um consenso. Por ora, a disputa interna segue travada, com os dois principais nomes até então – Sandro e Júlio – anulando-se mutuamente no embate entre Wagner e Rui.
BN