{"id":654,"date":"2023-09-14T11:30:16","date_gmt":"2023-09-14T14:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=654"},"modified":"2023-09-14T11:30:16","modified_gmt":"2023-09-14T14:30:16","slug":"bullying-como-lidar-quando-seu-filho-e-o-alvo-ou-o-autor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=654","title":{"rendered":"Bullying: como lidar quando seu filho \u00e9 o alvo &#8211; ou o autor"},"content":{"rendered":"\n<p>Samuel*, 5, nunca reclamou de ir \u00e0 escola. No in\u00edcio deste ano, de um dia para o outro, come\u00e7ou a chorar e a se recusar a colocar o uniforme. A\u00ed vieram os pesadelos, as queixas recorrentes de dor de cabe\u00e7a\u2026 Foi quando ele finalmente abriu o jogo e contou para a m\u00e3e, Maria Clara*, o que estava acontecendo: fazia tempo que<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Criancas\/Comportamento\/noticia\/2013\/08\/bullying-o-que-voce-precisa-saber-para-proteger-o-seu-filho.html\">&nbsp;um colega de turma o humilhava<\/a>, dizia que ele era baixinho, que n\u00e3o sabia jogar bola e amea\u00e7ava rabiscar as atividades para que \u201ctirasse zero\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEram tantas provoca\u00e7\u00f5es que isso minou a confian\u00e7a do meu filho. Ele teve crises de p\u00e2nico, sentia falta de ar e chorava desesperadamente na escola\u201d, conta a m\u00e3e. Um dia, o pequeno chegou a dizer que se sentia a crian\u00e7a mais solit\u00e1ria da turma. Maria Clara chorou por horas no banheiro. \u201cO mais triste \u00e9 pensar que meu filho \u00e9 considerado padr\u00e3o. Imagino o sofrimento de pais de<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Educacao-Comportamento\/noticia\/2022\/05\/criancas-negras-recebem-punicoes-mais-severas-nas-escolas-porque-sao-vistas-como-menos-inocentes-mostra-relatorio-britanico.html\">\u00a0crian\u00e7as pretas<\/a>,\u00a0<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Educacao-Comportamento\/noticia\/2022\/01\/77-dos-pais-de-criancas-trans-afirmam-que-seus-filhos-ja-foram-vitimas-de-bullying-na-escola.html\">trans,<\/a>\u00a0com defici\u00eancia\u2026 S\u00f3 entendemos o qu\u00e3o s\u00e9rio \u00e9 o bullying quando acontece com os nossos filhos.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"619\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Sem-titulo-14.jpg?resize=800%2C619&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-656\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Sem-titulo-14.jpg?w=1000&amp;ssl=1 1000w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Sem-titulo-14.jpg?resize=300%2C232&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Sem-titulo-14.jpg?resize=768%2C594&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Sem-titulo-14.jpg?resize=750%2C581&amp;ssl=1 750w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Menino sozinho escola bullying triste \u2014 Foto: Thinkstock<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Uma briga aqui, um desentendimento ali, uma provoca\u00e7\u00e3o acol\u00e1&#8230; Tudo isso \u00e9 normal no processo de desenvolvimento e socializa\u00e7\u00e3o dos pequenos, ainda mais depois que come\u00e7am a frequentar o col\u00e9gio. Mas o que aconteceu com Samuel est\u00e1 longe de ser s\u00f3 coisa de crian\u00e7a. \u201cConflitos fazem parte das rela\u00e7\u00f5es e, se bem mediados pelos adultos, se resolvem facilmente e s\u00e3o uma oportunidade de aprender sobre valores. J\u00e1 o bullying, n\u00e3o. Ele n\u00e3o \u00e9 um conflito,&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/fique-por-dentro\/noticia\/2023\/07\/bullying-pais-processam-distrito-escolar-apos-filha-de-12-anos-tirar-a-propria-vida-e-chegam-a-acordo-de-r-43-milhoes.ghtml\">\u00e9 um tipo de viol\u00eancia que pode deixar marcas para sempre<\/a>\u201d, diz a pedagoga Adriana de Melo Ramos, especialista em Psicologia Educacional e gestora da Convivere Mais (SP).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u201cmi-mi-mi\u201d, exagero e nem frescura. Acontece que, geralmente,&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Educacao-Comportamento\/noticia\/2021\/05\/de-30-40-das-criancas-em-idade-escolar-vao-sofrer-bullying-mas-maioria-nao-vai-cometer-crimes-dizem-especialistas.html\">nomeia-se bullying&nbsp;<\/a>situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o poderiam ser classificadas assim. Na verdade, o termo s\u00f3 deveria ser usado quando s\u00e3o identificados tr\u00eas crit\u00e9rios ao mesmo tempo: repetitividade, inten\u00e7\u00e3o de causar mal-estar e&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Saude\/noticia\/2021\/05\/jovem-sofria-bullying-na-escola-diz-policia-sobre-agressor-que-matou-cinco-em-creche-de-sc.html\">desequil\u00edbrio de poder.<\/a>&nbsp;Em outras palavras, a viol\u00eancia precisa se repetir v\u00e1rias vezes, de prop\u00f3sito, contra um colega que est\u00e1 em desvantagem e sem condi\u00e7\u00f5es de se defender.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNos \u00faltimos anos, houve uma hip\u00e9rbole do termo \u2018bullying\u2019 e isso fez com que perd\u00eassemos o real significado da palavra. Por isso mesmo, muita gente n\u00e3o compreende a dimens\u00e3o do problema\u201d, explica o pedagogo Benjamim Horta, diretor-fundador da&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/abraceprogramaspreventivos.com.br\/sobre-a-abrace\/#:~:text=A%20Abrace%20%E2%80%93%20Programas%20Preventivos%C2%AE%20foi%20criada%20com,preven%C3%A7%C3%A3o%20ao%20bullying%20por%20meio%20de%20ferramentas%20multidisciplinares.\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Abrace Programas Preventivos&nbsp;<\/a>e autor do livro&nbsp;<em>Meu filho e o bullying &#8211; Guia para pais<\/em>, publica\u00e7\u00e3o independente, previsto para ser lan\u00e7ado no pr\u00f3ximo m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de n\u00e3o ter uma idade prevalente, esse tipo de agress\u00e3o \u00e9 mais comum no terceiro, quarto e quinto ano do Ensino Fundamental. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 consenso sobre o \u00edndice de bullying entre meninos e meninas, mas estudos mostram que tende a ser verbal entre elas e f\u00edsico, entre eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem, divulgada pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) em 2019, 28% dos diretores brasileiros de escolas p\u00fablicas e privadas disseram ter testemunhado\u00a0<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Curiosidades\/noticia\/2016\/01\/mae-descobre-que-o-filho-e-vitima-de-bullying-e-faz-apelo-emocionante-na-web.html\">situa\u00e7\u00f5es de bullying\u00a0<\/a>entre os alunos do Ensino Fundamental. Isso representa o dobro da m\u00e9dia dos outros 47 pa\u00edses que participaram do estudo. \u201cAinda estamos atrasados nessa discuss\u00e3o e na cria\u00e7\u00e3o de programas preventivos. \u00c9 um problema complexo tratado de forma simplista. E, por ser complexo, exige uma solu\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica\u201d, acrescenta Benjamim.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os alvos<\/h2>\n\n\n\n<p>Nenhum fator isolado faz com que uma crian\u00e7a<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Criancas\/Comportamento\/noticia\/2016\/08\/bullying-descubra-se-seu-filho-e-vitima.html\">&nbsp;sofra bullying,&nbsp;<\/a>mas existem caracter\u00edsticas que, juntas, colocam algumas em maior risco. Quando s\u00e3o<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Educacao-Comportamento\/noticia\/2020\/10\/lembra-dele-veja-como-esta-menino-anao-que-comoveu-web-com-video-sobre-bullying.html\">&nbsp;percebidas pelos colegas como \u201cdiferentes\u201d<\/a>, t\u00eam poucos amigos ou problemas de confian\u00e7a, elas acabam virando alvos mais f\u00e1ceis. Justamente por isso, \u00e9 fundamental ter um<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/noticia\/2018\/04\/conversar-com-seu-filho-e-suficiente-para-ativar-areas-do-cerebro-responsaveis-pelo-desenvolvimento-da-linguagem-afirma-estudo.html\">&nbsp;canal de comunica\u00e7\u00e3o aberto em casa<\/a>, para que o pequeno se sinta seguro e acolhido ao contar o que acontece na escola.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim que se deu conta do que o filho estava passando, Maria Clara, do in\u00edcio da reportagem, procurou uma psic\u00f3loga, e Samuel&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Criancas\/Comportamento\/noticia\/2015\/03\/seu-filho-precisa-de-terapia.html\">come\u00e7ou a fazer terapia.<\/a>&nbsp;O menino topou continuar no mesmo col\u00e9gio e hoje n\u00e3o tem mais crises de p\u00e2nico, pesadelos ou dores de cabe\u00e7a, mas as inseguran\u00e7as continuam. Mesmo sendo maior que os amigos, insiste em dizer que \u00e9 baixinho e desistiu de jogar futebol. \u201cEle acreditou no agressor. Foi e est\u00e1 sendo uma batalha di\u00e1ria para que meu filho consiga<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Criancas\/Comportamento\/noticia\/2013\/06\/como-ensinar-autoestima-para-criancas.html\">&nbsp;reconstruir a autoestima.&nbsp;<\/a>Est\u00e1 mais forte, mas essa hist\u00f3ria ainda n\u00e3o acabou\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, a curto prazo, a baixa autoestima costuma ser uma das principais marcas deixadas pelo bullying. \u201cEssa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 pouco notificada pela crian\u00e7a. Geralmente,<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/pre-adolescentes\/comportamento\/noticia\/2022\/10\/como-saber-se-meu-filho-esta-sofrendo-bullying.ghtml\">&nbsp;ela sofre calada e come\u00e7a a pedir ajuda de outras formas,&nbsp;<\/a>com mudan\u00e7as de comportamento e at\u00e9 sintomas f\u00edsicos\u201d, afirma o pediatra Abelardo Bastos Pinto Jr., presidente do Departamento de Sa\u00fade Escolar da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).<\/p>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga Ana Carina Stelko, coordenadora do Observat\u00f3rio do Clima Institucional e Preven\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia em Contextos Educacionais, da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), refor\u00e7a: \u201cQuando a vitimiza\u00e7\u00e3o vai se tornando mais frequente e mais severa, os efeitos tamb\u00e9m se tornam maiores, podendo apresentar<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Saude\/noticia\/2022\/03\/estudo-aponta-aumento-nos-casos-de-ansiedade-e-depressao-entre-criancas-nos-ultimos-anos.html\">\u00a0transtorno de ansiedade, depress\u00e3o<\/a>\u00a0e doen\u00e7as psicossom\u00e1ticas, como gastrite\u201d. Depois, na adolesc\u00eancia, para buscar aceita\u00e7\u00e3o dos outros colegas, os alvos de bullying ainda podem vir a\u00a0<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Gravidez\/noticia\/2021\/04\/homens-que-consomem-bebidas-alcoolicas-sao-mais-propensos-ter-filhos-com-problemas-congenitos-analisa-estudo.html\">consumir bebidas alco\u00f3licas,\u00a0<\/a>usar subst\u00e2ncias il\u00edcitas e at\u00e9 come\u00e7ar a vida sexual precocemente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os autores<\/h2>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea provavelmente j\u00e1 viu aquelas cenas de filmes em que um grupo de valent\u00f5es humilha a v\u00edtima e depois vai embora. Elas s\u00e3o um exemplo de bullying, sim, mas, em muitos casos, a viol\u00eancia acontece de forma sutil: um material roubado,&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Saude\/noticia\/2021\/03\/aos-7-menina-emagrece-8-kg-em-seis-meses-por-causa-de-bullying-minha-garotinha-quer-tirar-propria-vida-diz-mae.html\">um boato pelos corredores<\/a>, uma tentativa de aproxima\u00e7\u00e3o que \u00e9 ignorada pelos colegas\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se fala em bullying, n\u00e3o existem \u201cmocinhos\u201d e nem \u201cvil\u00f5es\u201d. \u00c9 um fen\u00f4meno t\u00e3o complicado que, em alguns casos, uma crian\u00e7a pode assumir o papel de alvo e de autor, ao mesmo tempo. Foi o que aconteceu com Felipe*, 12, filho de Marcela*. Em 2016, com apenas 5 anos, as professoras come\u00e7aram a reclamar de que ele estava agredindo um menino. Felipe n\u00e3o contava o que estava acontecendo e a escola n\u00e3o sabia explicar. \u201cIsso se prolongou por meses, comecei a ficar preocupada. At\u00e9 que um dia disseram que ele havia empurrado um colega contra o muro e chamei o Felipe para conversar\u201d, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>O\u00a0<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Educacao-Comportamento\/noticia\/2021\/10\/bullying-colegas-colocam-escorpiao-em-menino-de-8-anos-e-ele-acaba-hospitalizado.html\">comportamento violento<\/a>\u00a0n\u00e3o era por acaso, como as professoras diziam. O menino tamb\u00e9m estava sofrendo viol\u00eancia de outros colegas, que o perseguiam pelos corredores e o chamavam pelo nome de um personagem de desenho animado que ele detestava. Foi quando Marcela entendeu que seu filho estava assumindo dois pap\u00e9is aparentemente opostos nessa hist\u00f3ria. \u201cPor mais absurdo que pare\u00e7a, \u00e9 mais c\u00f4modo aceitar que nosso filho \u00e9 v\u00edtima do que assumir que ele \u00e9 um agressor. Nossos filhos tamb\u00e9m s\u00e3o pass\u00edveis de erro. Devemos aprender a separar o erro de quem comete o erro\u201d, afirma o pedagogo Benjamim Horta.<\/p>\n\n\n\n<p>As crian\u00e7as que assumem o papel de autoras da viol\u00eancia precisam de acolhimento, assim como aquelas que&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Educacao-Comportamento\/noticia\/2022\/07\/mae-fica-comovida-com-mensagem-deixada-por-adolescente-em-banco-de-parque-na-inglaterra-sofro-bullying-e-tenho-medo-de-ir-escola.html\">s\u00e3o alvo<\/a>. Segundo a pedagoga Adriana de Melo Ramos, elas normalmente sentem necessidade de rebaixar o outro porque t\u00eam uma imagem de si deturpada. \u201cSe tanto o autor quanto o alvo t\u00eam uma quest\u00e3o sobre a pr\u00f3pria imagem, um trabalho educativo precisa ser feito nesse sentido, para que superem essa condi\u00e7\u00e3o de inferioridade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que autoimagem n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico fator que pesa na balan\u00e7a. As crian\u00e7as que cometem esse tipo de viol\u00eancia tamb\u00e9m t\u00eam dificuldade de seguir regras e de&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Criancas\/Comportamento\/noticia\/2013\/12\/frustracao-por-que-ela-deve-fazer-parte-da-vida-do-seu-filho.html\">lidar com frustra\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/a>Um estudo da&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/www.aap.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Academia Americana de Pediatria<\/a>&nbsp;(AAP), feito com participantes de 6 a 17 anos, em 2019, mostrou que o clima familiar influencia nessa quest\u00e3o. Os resultados sugerem que, quando os pais s\u00e3o violentos ou n\u00e3o dialogam na hora de resolver os problemas, as crian\u00e7as ficam mais propensas a repetir esse padr\u00e3o e intimidar os colegas na escola.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A plateia<\/h2>\n\n\n\n<p>Sem p\u00fablico, um espet\u00e1culo n\u00e3o acontece. A mesma l\u00f3gica funciona para o bullying. A viol\u00eancia s\u00f3 vai dar as caras se os autores tiverem certeza que h\u00e1 outros colegas assistindo \u00e0 cena. Assim sendo, as crian\u00e7as s\u00e3o sempre as primeiras a identificar quando um aluno est\u00e1 sendo intimidado, antes da fam\u00edlia ou da pr\u00f3pria escola. Isso n\u00e3o significa, por\u00e9m, que os pequenos saber\u00e3o a melhor forma de agir.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando estava no 4\u00ba ano do Ensino Fundamental, Cec\u00edlia, hoje com 11 anos, foi acusada por um grupo de meninas de ter roubado um la\u00e7o de cabelo. A situa\u00e7\u00e3o foi levada \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do col\u00e9gio e ficou comprovado que a acusa\u00e7\u00e3o era injusta. Mesmo assim, as tais meninas come\u00e7aram a evit\u00e1-la e a exclu\u00ed-la das atividades em grupo. Em vez de acolher Cec\u00edlia, o resto da turma passou a isol\u00e1-la. \u201cS\u00f3 percebi porque minha filha sempre foi aluna destaque e, de repente, come\u00e7ou a tirar notas baixas e dizer que seus amigos eram s\u00f3 os primos. Ela j\u00e1 est\u00e1 em outra escola, mas at\u00e9 hoje tem dificuldade de socializar\u201d, diz a enfermeira Dennise Pascoal, 32.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando assistem a uma situa\u00e7\u00e3o de bullying, \u00e9 como se as crian\u00e7as se tornassem \u201cfumantes passivas\u201d da<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/maes-e-pais\/comportamento\/noticia\/2023\/04\/84percent-da-violencia-contra-criancas-no-brasil-e-cometida-por-familiares.ghtml\">&nbsp;viol\u00eancia.&nbsp;<\/a>O impacto \u00e9 menor do que se fossem o alvo, mas, querendo ou n\u00e3o, \u201cinalam\u201d a tens\u00e3o do ar. Isso gera um conflito interno e, muitas vezes, por medo de tamb\u00e9m serem intimidadas, ficam em cima do muro.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto mais o tempo passa e nada \u00e9 feito, mais os alunos come\u00e7am a achar que o alvo merece ser tratado de forma desrespeitosa. Segundo a psic\u00f3loga Ana Carina Stelko, uma forma de evitar essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente instruir as crian\u00e7as que assistem \u00e0s cenas. \u201cQuando as testemunhas demonstram desaprova\u00e7\u00e3o ou rejei\u00e7\u00e3o ao bullying, o autor diminui os&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Educacao-Comportamento\/noticia\/2021\/05\/violencia-contra-criancas-e-adolescentes-representa-30-do-total-de-denuncias-recebidas-diz-ministerio.html\">atos violentos<\/a>\u201d, explica. Mesmo que n\u00e3o consiga defender o colega na hora, \u00e9 importante que a crian\u00e7a saiba o que fazer, ou seja, demonstrar que se importa com ele e buscar a ajuda de um adulto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A fam\u00edlia e a escola<\/h2>\n\n\n\n<p>Lidar com o fato de que o nosso filho \u00e9 alvo desse tipo de agress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Aceitar que ele pode ser o autor tamb\u00e9m n\u00e3o. N\u00e3o existem f\u00f3rmulas para conduzir nem uma nem outra situa\u00e7\u00e3o, mas, nos \u00faltimos anos, os estudos mostram que, para os dois casos, o caminho \u00e9 um s\u00f3: di\u00e1logo, acolhimento e paci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), feita a partir de dados de mais de 100 mil estudantes do nono ano de escolas p\u00fablicas e privadas brasileiras, em 2022, revelou que h\u00e1bitos simples, como fazer refei\u00e7\u00f5es juntos, acompanhar as li\u00e7\u00f5es e procurar saber o que o filho faz durante o tempo livre podem evitar que a crian\u00e7a se torne&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Curiosidades\/noticia\/2016\/09\/menina-vitima-de-bullying-ganha-apoio-na-internet.html\">alvo ou autora de bullying.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Criancas\/Escola\/noticia\/2018\/03\/projeto-de-lei-preve-multa-para-pais-de-criancas-que-cometem-bullying.html\">\u00a0a fam\u00edlia exer\u00e7a um papel importante,<\/a>\u00a0tamb\u00e9m \u00e9 responsabilidade da escola ajudar nessa miss\u00e3o. H\u00e1 oito anos, a Lei 13.185\/2015 obriga os col\u00e9gios a adotarem medidas de combate e preven\u00e7\u00e3o ao bullying. No Col\u00e9gio Rainha da Paz, em S\u00e3o Paulo (SP), esse trabalho preventivo come\u00e7ou logo depois que a lei foi aprovada. Junto com o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educa\u00e7\u00e3o Moral da Unesp e da Unicamp, eles constru\u00edram um programa de conviv\u00eancia \u00e9tica na escola. Os alunos do Fundamental I passaram a ter uma assembleia semanal para discutir sobre situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia. No Fundamental II, as turmas elegeram representantes para formar uma \u201cequipe de ajuda\u201d, com os colegas em que mais confiam. S\u00e3o eles quem escutam os amigos, identificam poss\u00edveis casos e comunicam a escola, em reuni\u00f5es com a dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o vice-diretor Eduardo Nascimento, antes existia uma tentativa de silenciamento, por parte dos pr\u00f3prios alunos, quando as viol\u00eancias aconteciam. Agora, os estudantes procuram a escola, para que a situa\u00e7\u00e3o seja resolvida. \u201cN\u00e3o tem como dizer que&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Educacao-Comportamento\/noticia\/2022\/04\/jovem-que-sofreu-bullying-na-infancia-quer-se-tornar-primeira-miss-mundo-ruiva-ja-fui-cuspida-e-meu-cabelo-queimado.html\">o bullying&nbsp;<\/a>deixou de existir, mas, pelo menos, conseguimos trazer os alunos para perto, deix\u00e1-los mais seguros e tratar o tema com a seriedade que ele exige\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>Fica a mensagem: esteja atento, escute o seu filho, valide os sentimentos dele, n\u00e3o julgue e, principalmente, n\u00e3o economize afeto. Esses s\u00e3o ant\u00eddotos, n\u00e3o somente contra o bullying, mas contra qualquer adversidade que a crian\u00e7a tenha de lidar na vida.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Os nomes foram trocados a pedido dos entrevistados<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Para ficar de olho<\/h2>\n\n\n\n<p>Os sinais mais comuns de que uma crian\u00e7a est\u00e1 sendo alvo de bullying:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Mudan\u00e7as de comportamento:&nbsp;<\/strong>Oscila\u00e7\u00f5es de humor, dificuldade para dormir e inseguran\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 personalidade ou \u00e0 apar\u00eancia<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Sintomas f\u00edsicos:&nbsp;<\/strong>Dor de cabe\u00e7a, de est\u00f4mago, enjoo, falta de ar ou de apetite, les\u00f5es sem explica\u00e7\u00f5es e fingimento de doen\u00e7as<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Problemas acad\u00eamicos:&nbsp;<\/strong>Queda no rendimento escolar, desinteresse, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o, resist\u00eancia em ir para o col\u00e9gio e sumi\u00e7o ou danos em materiais<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Isolamento:&nbsp;<\/strong>Perda repentina de amigos ou fuga de situa\u00e7\u00f5es sociais<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Abelardo Bastos Pinto Jr., pediatra e presidente do Departamento de Sa\u00fade Escolar da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Al\u00e9m dos muros da escola<\/h2>\n\n\n\n<p>Quando acontece&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Voce-precisa-saber\/noticia\/2018\/09\/150-milhoes-de-adolescentes-sofrem-bullying-nas-escolas-aponta-novo-relatorio-do-unicef.html\">dentro do col\u00e9gio,<\/a>&nbsp;o bullying tem hora para come\u00e7ar e acabar. Mas, quando vai para a internet,<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Educacao-Comportamento\/noticia\/2022\/09\/bullying-e-suicidio.html\">&nbsp;o sofrimento se prolonga<\/a>&nbsp;por 24 horas por dia. A qualquer momento, pode aparecer uma notifica\u00e7\u00e3o com uma nova pessoa tirando sarro, ofendendo\u2026 Uma vez que uma ofensa contra um colega \u00e9 publicada na internet, j\u00e1 se considera o caso como&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Curiosidades\/noticia\/2018\/07\/mae-precisa-monitorar-filha-de-10-anos-por-risco-de-suicidio-depois-de-cyberbullying.html#:~:text=M%C3%A3e%20precisa%20monitorar%20filha%20de%2010%20anos%20por,foi%20provocado%20por%20uma%20enquete%20maldosa%20no%20Instagram\">cyberbullying<\/a>. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria a repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No ambiente digital, a repeti\u00e7\u00e3o acontece por si s\u00f3. Toda vez que algu\u00e9m visualiza, h\u00e1 um novo espectador, e toda vez que algu\u00e9m compartilha o conte\u00fado, um novo autor. \u201cO cyberbullying atinge mais a sa\u00fade f\u00edsica e mental da crian\u00e7a porque o conte\u00fado pulveriza muito r\u00e1pido\u201d, diz o pediatra Abelardo Bastos Pinto Jr., da\u00a0<a class=\"\" rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.sbp.com.br\/\" target=\"_blank\">Sociedade Brasileira de Pediatria\u00a0<\/a>(SBP).<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto pais e cuidadores, cabe a n\u00f3s&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Criancas\/Comportamento\/noticia\/2022\/09\/como-proteger-criancas-dos-perigos-na-internet.html\">orientar e monitorar de perto<\/a>&nbsp;a que tipo de conte\u00fado as crian\u00e7as t\u00eam acesso quando usam o computador, o tablet ou o celular. Introduza o assunto cyberbullying em casa e converse sobre o que fazer se o seu filho se deparar com um caso assim.<\/p>\n\n\n\n<p>A orienta\u00e7\u00e3o deve ser n\u00e3o responder, n\u00e3o compartilhar, tirar print das telas e comunicar imediatamente os pais e a escola. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para esperar. A cada minuto que passa estamos aumentando o sofrimento da crian\u00e7a\u201d, finaliza Adriana de Melo Ramos, pedagoga especialista em Psicologia Educacional.<\/p>\n\n\n\n<p>revistacrescer<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Samuel*, 5, nunca reclamou de ir \u00e0 escola. No in\u00edcio deste ano, de um dia para o outro, come\u00e7ou a chorar e a se recusar a colocar o uniforme. 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