{"id":42754,"date":"2026-03-26T09:48:20","date_gmt":"2026-03-26T12:48:20","guid":{"rendered":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=42754"},"modified":"2026-03-26T09:48:35","modified_gmt":"2026-03-26T12:48:35","slug":"tornar-se-mulher-e-muito-desafiador-especialistas-explicam-por-que-as-meninas-sofrem-mais-do-que-os-meninos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=42754","title":{"rendered":"&#8216;Tornar-se mulher \u00e9 muito desafiador&#8217;: especialistas explicam por que as meninas sofrem mais do que os meninos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"552\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Sem-titulo-291.jpg?resize=800%2C552&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-42755\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Sem-titulo-291.jpg?w=888&amp;ssl=1 888w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Sem-titulo-291.jpg?resize=300%2C207&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Sem-titulo-291.jpg?resize=768%2C530&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Sem-titulo-291.jpg?resize=750%2C518&amp;ssl=1 750w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mais meninas relatam tristeza \u2014 Foto: Freepik<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Pesquisa Nacional de Sa\u00fade do Escolar (Pense), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), revela que adolescentes do sexo feminino enfrentam n\u00edveis mais elevados de sofrimento do que os meninos. Entre estudantes de 13 a 17 anos, o n\u00famero de meninas que relatam tristeza \u201cna maioria das vezes\u201d ou \u201csempre\u201d, vontade de se machucar e sensa\u00e7\u00e3o de que a vida n\u00e3o vale a pena \u00e9 cerca de duas vezes maior que o de meninos. A pesquisa indica que a autoavalia\u00e7\u00e3o negativa de sa\u00fade mental \u00e9 tr\u00eas vezes mais frequente entre elas. Os dados de 2024 foram divulgados nesta quarta-feira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o relat\u00f3rio da pesquisa, \u201c\u00e9 not\u00e1vel que foram as meninas a se sentirem mais preocupadas, mais irritadas, nervosas ou mal-humoradas, que mais se machucaram intencionalmente, que mais perceberam que ningu\u00e9m se preocupava com elas e que mais sentiram que a vida n\u00e3o valia a pena ser vivida\u201d. Elas tamb\u00e9m sofrem com mais ass\u00e9dio sexual e estupro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 Tornar-se mulher na nossa sociedade \u00e9 muito desafiador. Custa muitas vezes a pr\u00f3pria espontaneidade, algo t\u00e3o precioso para a sa\u00fade mental \u2014 diz Nat\u00e1lia Del Ponte de Assis, psic\u00f3loga que pesquisa o sofrimento de meninas adolescentes. \u2014 Nesse momento da vida, h\u00e1 uma intensifica\u00e7\u00e3o do sofrimento, geralmente ligado \u00e0 submiss\u00e3o e a uma busca por aprova\u00e7\u00e3o social. Quando as meninas come\u00e7am a compartilhar viv\u00eancias no campo social, que incluem manifesta\u00e7\u00f5es da sexualidade, elas tendem a ser supercriticadas, julgadas e desvalorizadas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s2-oglobo.glbimg.com\/e6DXlJ8d8diYulugCWIOEZrJabk%3D\/0x0%3A648x1301\/984x0\/smart\/filters%3Astrip_icc%28%29\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8\/internal_photos\/bs\/2026\/o\/V\/edp56ATV2BZ9df6S0UUQ\/bra-26-03-jovens.png?w=800&#038;ssl=1\" alt=\"Perfil do adolescente brasileiro \u2014 Foto: Editoria de Arte\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Perfil do adolescente brasileiro \u2014 Foto: Editoria de Arte<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gerente de Pesquisas Especiais do IBGE, Marco Andreazzi observa que o g\u00eanero impacta mais a sa\u00fade mental do que a quest\u00e3o econ\u00f4mica:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 Na escola p\u00fablica, 29,2% relataram se sentir tristes. Na privada, 27,2%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As jovens tamb\u00e9m s\u00e3o as principais v\u00edtimas de bullying nas escolas. Segundo o levantamento, mais de um quarto (27,2%) dos alunos do pa\u00eds relata que, nos 30 dias antes da pesquisa, pelo menos duas vezes algum \u201ccolega da escola o esculachou, zoou, mangou, intimidou ou ca\u00e7oou\u201d tanto que \u201cficou magoado, incomodado, aborrecido, ofendido ou humilhado\u201d. Entre as meninas, esse \u00edndice sobe para 30,1%, contra 24,3% dos meninos. Por outro lado, 13,7% declararam ter praticado bullying \u2014 16,5% dos meninos e 10,9% das meninas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 Meninos s\u00e3o socializados para serem fortes, valent\u00f5es, e muitas vezes aprendem que a viol\u00eancia traz benef\u00edcios sociais. Esse modelo ajuda a entender por que eles surgem mais como autores de bullying, enquanto as meninas concentram os indicadores de sofrimento emocional \u2014 pontua a psic\u00f3loga e professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Claudia Prioste.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As principais causas de bullying foram a apar\u00eancia do rosto ou do cabelo (30,2%) e do corpo (24,7%). As meninas tamb\u00e9m relatam ter mais insatisfa\u00e7\u00e3o com a imagem corporal, e um n\u00famero maior delas (21%) do que deles (14%) acredita estar gorda ou muito gorda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 Eles colocam a pr\u00f3pria felicidade na m\u00e3o do outro. A cobran\u00e7a est\u00e9tica \u00e9 mais intensa no caso das meninas. O padr\u00e3o exigido para a mulher \u00e9 muito mais rigoroso. Muitas n\u00e3o postam foto sem filtro, e quando postam s\u00e3o duramente criticadas \u2014 frisa a psic\u00f3loga Anna Lucia Spear King, professora do Instituto de Psiquiatria da UFRJ e uma das fundadoras do Instituto Delete, que pesquisa o uso consciente de telas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Pense entrevista alunos de escolas p\u00fablicas e privadas do 7\u00ba ano do ensino fundamental at\u00e9 o 3\u00ba do ensino m\u00e9dio, com uma amostra representativa do pa\u00eds. Ela re\u00fane informa\u00e7\u00f5es sobre fatores de risco e prote\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade de adolescentes, acompanhando temas como h\u00e1bitos alimentares, atividade f\u00edsica, uso de subst\u00e2ncias, sa\u00fade mental, viol\u00eancia e ambiente escolar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cToda essa an\u00e1lise aponta que o Brasil precisa investir na sa\u00fade mental dos adolescentes, em especial, na sa\u00fade das meninas; a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que contemplem essas diferen\u00e7as entre os sexos \u00e9 importante e urgente\u201d, diz o texto da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Pense tamb\u00e9m produz um indicador geral da sa\u00fade mental dos alunos, que considera as respostas \u201csempre\u201d e \u201cna maioria das vezes\u201d para perguntas que investigam sentimentos como ansiedade, tristeza e mudan\u00e7as de humor: em 2024, 22,9% das alunas apresentaram autoavalia\u00e7\u00e3o em sa\u00fade mental negativa. Entre os meninos, o percentual foi de 6,8.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2019, antes da pandemia, o cen\u00e1rio era ainda pior. Na ocasi\u00e3o, 27% das meninas e 8% dos meninos apresentaram autoavalia\u00e7\u00e3o em sa\u00fade mental negativa. Quatro dos seis crit\u00e9rios que formam esse indicador melhoraram cinco anos depois, contrariando a expectativa de que, ap\u00f3s a crise sanit\u00e1ria, os jovens estariam mais ansiosos e deprimidos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Viol\u00eancias<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados mostram que 8,8% dos adolescentes brasileiros j\u00e1 relataram que foram obrigados a ter rela\u00e7\u00e3o sexual contra sua vontade \u2014 sendo 11,7% das meninas e 5,8% dos meninos. \u201cDentre 1,1 milh\u00e3o de adolescentes que foram for\u00e7ados a terem rela\u00e7\u00f5es sexuais contra a vontade, a maioria (66,2%) tinha 13 anos ou menos de idade quando sofreu a viol\u00eancia\u201d, aponta o relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a psic\u00f3loga Tatiana Serra, mudan\u00e7as de comportamento das jovens devem acender o alerta de professores e respons\u00e1veis:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 Isolamento, queda no rendimento escolar, recusa em ir \u00e0 escola ou mudan\u00e7as no modo de se vestir, com a aluna usando roupas mais pesadas, podem indicar que algo est\u00e1 acontecendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa tamb\u00e9m aponta que 15% das adolescentes j\u00e1 perderam aula pelo menos uma vez nos \u00faltimos 12 meses pela falta de absorvente, cuja distribui\u00e7\u00e3o, por lei, deve ser gratuita na rede p\u00fablica de sa\u00fade ou nas escolas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>*Estagi\u00e1ria sob supervis\u00e3o de Alfredo Mergulh\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Pesquisa Nacional de Sa\u00fade do Escolar (Pense), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), revela que adolescentes do sexo feminino enfrentam n\u00edveis mais elevados de sofrimento do que os meninos. 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