{"id":38957,"date":"2025-12-09T07:32:20","date_gmt":"2025-12-09T10:32:20","guid":{"rendered":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=38957"},"modified":"2025-12-09T07:32:21","modified_gmt":"2025-12-09T10:32:21","slug":"dezembro-intensifica-a-tristeza-como-driblar-impacto-psicologico-das-festas-de-fim-de-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=38957","title":{"rendered":"Dezembro intensifica a tristeza? Como driblar impacto psicol\u00f3gico das festas de fim de ano"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"534\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Sem-titulo-121.jpg?resize=800%2C534&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-38958\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Sem-titulo-121.jpg?w=984&amp;ssl=1 984w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Sem-titulo-121.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Sem-titulo-121.jpg?resize=768%2C513&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Sem-titulo-121.jpg?resize=750%2C501&amp;ssl=1 750w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u2014 Foto: Freepik<br><br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para muitas pessoas, o calend\u00e1rio emocional n\u00e3o acompanha o calend\u00e1rio social. Dezembro chega com luzes, convites e expectativas, mas nem sempre encontra disposi\u00e7\u00e3o interna para corresponder ao clima. Em vez de alegria, o m\u00eas aciona lembran\u00e7as, aumenta a compara\u00e7\u00e3o com anos anteriores, evidencia quem n\u00e3o est\u00e1 mais e faz com que pequenas tarefas \u2014 montar a \u00e1rvore, escolher a ceia, responder a mensagens \u2014 pare\u00e7am maiores do que realmente s\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cena \u00e9 conhecida por profissionais que trabalham com luto, comportamento e sa\u00fade mental. Ganhou at\u00e9 nome popular:<strong>&nbsp;&#8216;dezembrite&#8217;<\/strong>. A realidade \u00e9 que o fim do ano n\u00e3o cria o sofrimento, mas oferece menos esconderijos para ele.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A engrenagem emocional de dezembro<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fim do ano se torna especialmente sens\u00edvel porque re\u00fane fatores simb\u00f3licos e psicol\u00f3gicos que, juntos, ampliam a intensidade das emo\u00e7\u00f5es. As festas seguem roteiros muito marcados \u2014 a comida preparada sempre pela mesma pessoa, o lugar fixo \u00e0 mesa, as m\u00fasicas e fotos que se repetem ano ap\u00f3s ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando h\u00e1 luto ou mudan\u00e7as importantes na fam\u00edlia, \u00e9 justamente essa<strong>&nbsp;previsibilidade que escancara o que n\u00e3o est\u00e1 mais ali<\/strong>. Tom Almeida, fundador do movimento inFinito e coautor do livro Guia para Encarar as Festas de Fim de Ano, descreve&nbsp;dezembro como uma \u201clente de aumento\u201d: em meio \u00e0 cidade iluminada e ao ambiente que pede celebra\u00e7\u00e3o, o contraste com o mundo interno tende a ficar mais evidente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Outro componente decisivo \u00e9 a press\u00e3o social para estar bem.<\/strong>&nbsp;Dezembro carrega a expectativa de uni\u00e3o, alegria e gratid\u00e3o \u2014 e quem n\u00e3o consegue acompanhar esse tom costuma se sentir deslocado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A jornalista Juliana Dantas, especializada em luto e coautora do livro com Tom, observa que muitos dos relatos que recebe n\u00e3o falam apenas de aus\u00eancia, mas da&nbsp;<strong>sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ter permiss\u00e3o para demonstrar tristeza<\/strong>: \u201cAs pessoas evitam falar para n\u00e3o \u2018estragar a festa\u2019\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista psicol\u00f3gico, o m\u00eas tamb\u00e9m atua como um&nbsp;<strong>marcador emocional<\/strong>, explica a psic\u00f3loga Edwiges Parra, conselheira em Gest\u00e3o de Pessoas, psic\u00f3loga e professora da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV). A desacelera\u00e7\u00e3o t\u00edpica do recesso reduz distra\u00e7\u00f5es e amplia o espa\u00e7o para balan\u00e7os pessoais, fazendo com que&nbsp;frustra\u00e7\u00f5es, pend\u00eancias e lutos antigos reapare\u00e7am com mais nitidez.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s2-g1.glbimg.com\/Pf9ckHaNbyBkSb8esUgEXOMybYY%3D\/0x0%3A5382x3028\/984x0\/smart\/filters%3Astrip_icc%28%29\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/L\/a\/Afd5M7SF6zevyPBQrMEQ\/colheita-de-maos-segurando-as-luzes-de-fadas.jpg?w=800&#038;ssl=1\" alt=\"luzes de natal \u2014 Foto: Freepik\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">luzes de natal \u2014 Foto: Freepik<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tristeza esperada x sofrimento que precisa de aten\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sentir saudade, estranhamento, irritabilidade, cansa\u00e7o ou vontade de se recolher \u00e9 esperado e faz parte da adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as.&nbsp;<strong>O desafio \u00e9 perceber quando a tristeza deixa de oscilar e se torna constante, r\u00edgida, paralisante.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Edwiges destaca sinais de alerta importantes:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>ins\u00f4nia persistente<\/li>\n\n\n\n<li>perda de energia<\/li>\n\n\n\n<li>isolamento que aumenta o sofrimento<\/li>\n\n\n\n<li>dificuldade de retomar tarefas simples<\/li>\n\n\n\n<li>sensa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de que nada faz sentido<\/li>\n\n\n\n<li>altera\u00e7\u00f5es significativas de apetite e humor<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses sinais n\u00e3o significam fracasso. Significam que aquele luto \u2014 ou aquela tristeza \u2014&nbsp;pode ter se tornado grande demais para ser carregado sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Juliana refor\u00e7a que n\u00e3o existe \u201ctempo certo\u201d para reorganizar a vida ap\u00f3s uma perda. Alguns casos caminham rapidamente; outros exigem meses ou anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O crit\u00e9rio \u00e9 a possibilidade de movimento:&nbsp;<strong>se ainda h\u00e1 pequenas retomadas, o processo est\u00e1 vivo<\/strong>.&nbsp;Quando a pessoa perde completamente a capacidade de iniciar qualquer gesto m\u00ednimo, \u00e9 hora de buscar ajuda.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A resposta ao redor pode aliviar; ou piorar<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para quem est\u00e1 fragilizado, o que mais d\u00f3i nem sempre \u00e9 a falta \u2014 \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o dos outros \u00e0 falta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Frases como \u201cn\u00e3o fica assim\u201d, \u201ctem que ser forte\u201d, \u201ctenta aproveitar\u201d, \u201cele est\u00e1 em um lugar melhor\u201d s\u00e3o relatadas por enlutados como tentativas de interromper a express\u00e3o da dor. O efeito, por\u00e9m, costuma ser o oposto:&nbsp;<strong>a pessoa se isola para n\u00e3o ser julgada<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Juliana aponta que muitos evitam encontros n\u00e3o por n\u00e3o quererem companhia, mas por temerem ter de performar bem-estar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 estrat\u00e9gias simples que ajudam mais do que qualquer conselho:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Convites sem cobran\u00e7a<\/strong>: a pessoa pode ir, sair cedo, aparecer s\u00f3 um pouco ou n\u00e3o ir.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Liberdade emocional<\/strong>: chorar, rir, ficar em sil\u00eancio \u2014 tudo deve ser poss\u00edvel.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Permiss\u00e3o para falar de quem morreu<\/strong>: em muitas fam\u00edlias, o nome da pessoa vira tabu \u2014 e isso aumenta a solid\u00e3o. Muitos enlutados relatam que o sil\u00eancio for\u00e7ado sobre a pessoa que morreu d\u00f3i mais do que a lembran\u00e7a em si. Para eles, evitar o nome da pessoa transmite a sensa\u00e7\u00e3o de que a perda precisa ser escondida \u2014 justamente o oposto do que ajudaria.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Guardi\u00e3o<\/strong>: Tom e Juliana mencionam o papel de um amigo ou parente que combina previamente de ajudar a blindar situa\u00e7\u00f5es desconfort\u00e1veis, permitir pausas e facilitar uma sa\u00edda quando necess\u00e1rio.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda segundo Juliana Dantas, o luto \u00e9 uma &#8220;impress\u00e3o digital&#8221;: nenhum v\u00ednculo se repete, e nenhuma rea\u00e7\u00e3o serve como medida para outra. Compara\u00e7\u00f5es entre irm\u00e3os, entre familiares ou entre pessoas que perderam algu\u00e9m parecido costumam aumentar a culpa e a sensa\u00e7\u00e3o de inadequa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como tornar dezembro menos pesado<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As sugest\u00f5es citadas pelos especialistas t\u00eam um ponto em comum: ajustar expectativas e recuperar algum senso de autonomia.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Criar rituais pr\u00f3prios<\/strong>: acender uma vela, fazer uma receita simb\u00f3lica, inserir um objeto na mesa, escrever uma carta.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Simplificar compromissos<\/strong>: n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio participar de todos os encontros. Reduzir a agenda preserva energia.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Flexibilizar decis\u00f5es<\/strong>: a pessoa pode mudar de ideia sem culpa.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Equilibrar recolhimento e conviv\u00eancia<\/strong>: nem isolamento total, nem exposi\u00e7\u00e3o excessiva \u2014 o meio-termo costuma funcionar melhor.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Tom e Juliana, a regra mais importante \u00e9 a da&nbsp;<strong>autopreserva\u00e7\u00e3o<\/strong>. Dezembro n\u00e3o precisa ser encarado como um teste de resist\u00eancia. Participar s\u00f3 um pouco, marcar presen\u00e7a simb\u00f3lica ou ir embora mais cedo s\u00e3o estrat\u00e9gias v\u00e1lidas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNingu\u00e9m precisa atravessar o fim do ano no modo sobreviv\u00eancia\u201d, afirma Tom.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reconhecer esses sinais \u00e9 importante n\u00e3o para \u201cpatologizar\u201d o fim do ano, mas para evitar que a pessoa atravesse o per\u00edodo sozinha \u2014 justamente a situa\u00e7\u00e3o que mais amplia a vulnerabilidade. &#8220;O objetivo \u00e9 passar pelo per\u00edodo com o menor desgaste poss\u00edvel&#8221;, refor\u00e7a Juliana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para muitas pessoas, o calend\u00e1rio emocional n\u00e3o acompanha o calend\u00e1rio social. 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