{"id":34409,"date":"2025-08-28T06:42:30","date_gmt":"2025-08-28T09:42:30","guid":{"rendered":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=34409"},"modified":"2025-08-28T06:42:32","modified_gmt":"2025-08-28T09:42:32","slug":"tradicao-e-cultura-marcam-a-historia-da-princesa-do-sertao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=34409","title":{"rendered":"Tradi\u00e7\u00e3o e cultura marcam a hist\u00f3ria da Princesa do Sert\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"534\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Sem-titulo-364-1024x683.jpg?resize=800%2C534&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-34410\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Sem-titulo-364.jpg?resize=1024%2C683&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Sem-titulo-364.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Sem-titulo-364.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Sem-titulo-364.jpg?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Sem-titulo-364.jpg?w=1080&amp;ssl=1 1080w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Monumento Todos os Caminhos &#8211;\u00a0Foto: Olga Leiria \/ Ag. A TARDE<br><br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Ao longo de mais de dois s\u00e9culos,&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/atarde.com.br\/?q=Feira+de+Santana&amp;d=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Feira de Santana<\/a><\/strong>&nbsp;construiu-se e reconstruiu-se em diferentes ondas de desenvolvimento, misturando com\u00e9rcio, pol\u00edtica, arquitetura, festas e hist\u00f3rias que se perpetuam na mem\u00f3ria coletiva. Para entender a cidade, \u00e9 preciso percorrer seus ciclos e ouvir quem os estudou ou viveu de perto.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor e historiador Cl\u00f3vis Ramaiana identifica quatro momentos-chave na forma\u00e7\u00e3o da Feira contempor\u00e2nea. O primeiro remonta \u00e0 segunda metade do s\u00e9culo XIX, quando o com\u00e9rcio come\u00e7ou a se estruturar, tendo como refer\u00eancias a l\u00e1pide de Inoc\u00eancio Affonso do R\u00eago, a Pra\u00e7a Jo\u00e3o Pedreira e o antigo Pal\u00e1cio do Menor.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo momento, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, marca o \u201cacerto de contas\u201d com esse passado. \u00c9 o per\u00edodo da demoli\u00e7\u00e3o da primeira Igreja do Senhor dos Passos para a abertura da Avenida Get\u00falio Vargas, por volta de 1920, e da constru\u00e7\u00e3o do Pa\u00e7o Municipal. Surgem tamb\u00e9m escolas que se tornariam \u00edcones, como a Maria Quit\u00e9ria, a Jo\u00e3o Flor\u00eancio (hoje Arquivo P\u00fablico Municipal) e a J.J. Seabra, que depois abrigaria o Centro Universit\u00e1rio de Cultura e Arte (Cuca). \u00c9 a fase em que a cidade aposta na educa\u00e7\u00e3o e come\u00e7a a se conectar aos grandes centros.<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira fase tem in\u00edcio nos anos 1930 e culmina em 1942, com os currais modelo, onde hoje est\u00e3o o Gin\u00e1sio Municipal, a Biblioteca e o F\u00f3rum. Vieram tamb\u00e9m a usina de algod\u00e3o, o Avi\u00e1rio Modelo e o Instituto do Fumo, configurando um per\u00edodo de desenvolvimentismo inspirado em projetos nacionais. Foram duas d\u00e9cadas de intensas mudan\u00e7as, incluindo a visita de dois presidentes da Rep\u00fablica, Get\u00falio Vargas e Juscelino Kubitschek, a cria\u00e7\u00e3o do campo de avia\u00e7\u00e3o e novas rodovias.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse crescimento, contudo, esbarrava na car\u00eancia de \u00e1gua e energia. Barragens no S\u00e3o Francisco e iniciativas locais, como as de Almachio Boaventura, pioneiro nos servi\u00e7os de \u00e1gua e esgoto, ajudaram a estruturar a cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A visita de Juscelino Kubitschek, fruto de alian\u00e7as pol\u00edticas improv\u00e1veis, marcou esse esfor\u00e7o de moderniza\u00e7\u00e3o. Jo\u00e3o Marinho Falc\u00e3o, prefeito na \u00e9poca, e Eduardo Fr\u00f3es da Motta, l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o, somaram for\u00e7as para a vinda do presidente. Al\u00e9m disso, a grande emin\u00eancia da Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional, Arnold Silva, inimigo pessoal de Fr\u00f3es da Motta, tamb\u00e9m articulou para a vinda de JK.<\/p>\n\n\n\n<p>Na quarta fase, durante a Ditadura Militar, Feira consolidou-se como polo industrial, educacional e de servi\u00e7os, impulsionada pela Sudene. Surgiram o Centro Industrial do Suba\u00e9 e a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), que moldariam a configura\u00e7\u00e3o atual. Nomes como Chico Pinto, l\u00edder de oposi\u00e7\u00e3o no Parlamento, e Jo\u00e3o Durval Carneiro, governador da Bahia, projetaram-se nacionalmente a partir dessa base.<\/p>\n\n\n\n<p>Cidade de entroncamento desde o s\u00e9culo XVII, Feira foi passagem de tropeiros e comerciantes que moldaram a identidade local. Esse esp\u00edrito permanece, como lembra o secret\u00e1rio de Cultura, Esporte e Lazer, Cristiano L\u00f4bo:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm dos fatos mais relevantes da nossa hist\u00f3ria foi a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em 1833, que transformou Feira de um povoado em cidade oficialmente reconhecida, abrindo caminho para seu desenvolvimento econ\u00f4mico e cultural. D\u00e9cadas depois, a implanta\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Feira de Santana tamb\u00e9m se tornou um marco, pela forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e pelas contribui\u00e7\u00f5es ao desenvolvimento regional. Hoje, al\u00e9m da riqueza musical, artesanal e gastron\u00f4mica, destacam-se a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e teatral e o Festival Liter\u00e1rio de Feira de Santana (Flifs), que completa 30 anos, reafirmando que a arte de ler e escrever \u00e9 tamb\u00e9m a arte de transformar vidas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor de Hist\u00f3ria da Arte Cledson Ponce ressalta o valor das conex\u00f5es urbanas, como as rodovias BR-116 e BR-324 e o terminal rodovi\u00e1rio, que materializam esse papel de entrecruzar caminhos. Para ele, a rodovi\u00e1ria tem valor simb\u00f3lico n\u00e3o apenas para a cidade, mas tamb\u00e9m para sua trajet\u00f3ria: ali conheceu o painel de L\u00eanio Braga, tema de sua disserta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o publicit\u00e1rio e jornalista Jos\u00e9 Carlos Pedreira, o Z\u00e9 Coi\u00f3, v\u00ea a identidade de Feira tamb\u00e9m nas festas. Nascido na vizinha S\u00e3o Gon\u00e7alo dos Campos, mas morador de Feira desde os seis anos, ele participou da realiza\u00e7\u00e3o de 32 eventos diferentes. Nenhum, por\u00e9m, lhe deixou mais saudade que o Caju de Ouro, baile pr\u00e9-micaretesco criado em 1975 que se tornou o maior da cidade, reunindo artistas nacionais e a sociedade feirense. \u201cFeira sempre foi muito festeira. Hoje \u00e9 que \u00e9 menos\u201d, diz com nostalgia.<\/p>\n\n\n\n<p>Na perspectiva contempor\u00e2nea, a professora de literatura Alana Freitas enxerga na vida cotidiana elementos que tamb\u00e9m contam a hist\u00f3ria da cidade: o an\u00fancio de \u201cMilena do Beiju, sobrinha de Raimunda\u201d, do \u201cacaraj\u00e9 gospel da Leide\u201d, o sorriso da vendedora de amendoim da Queimadinha, seu Jo\u00e3o, caminhoneiro vi\u00favo que se tornou motorista de aplicativo, muros com ofensas \u00e0s \u201cputas\u201d e aos \u201ccornos\u201d que jogam lixo fora do lugar&#8230; Para ela, s\u00e3o detalhes como esses que comp\u00f5em a narrativa da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de Feira \u00e9 assim, feita de grandes obras e pequenas mem\u00f3rias, de nomes ilustres e personagens an\u00f4nimos, de mudan\u00e7as urbanas e marcas afetivas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Obra de arte retrata alma nordestina<\/h2>\n\n\n\n<p>Entre chegadas e partidas, um sert\u00e3o inteiro est\u00e1 preservado em azulejos na rodovi\u00e1ria de Feira de Santana. O painel de L\u00eanio Braga, inaugurado em 1967, \u00e9 mais do que uma obra de arte: \u00e9 um retrato da hist\u00f3ria, do folclore e da alma nordestina, criado para marcar a identidade da cidade e receber visitantes e viajantes com imagens que falam de pertencimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender o painel, \u00e9 preciso voltar no tempo. Feira de Santana nasceu do movimento dos tropeiros que atravessavam a fazendas, transformando o ponto de descanso em feira de gado e, depois, na famosa feira livre.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 nos anos 1960, em um cen\u00e1rio de grandes mudan\u00e7as com a constru\u00e7\u00e3o das BRs 116 e 324, abertura da Avenida Presidente Dutra, instala\u00e7\u00e3o do Centro das Ind\u00fastrias e da Universidade Estadual (Uefs), o governo da Bahia decidiu transferir a rodovi\u00e1ria para longe do centro do munic\u00edpio e convidou o artista paranaense L\u00eanio Braga para criar uma obra que simbolizasse a cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Formado em Belas Artes, em S\u00e3o Paulo, L\u00eanio j\u00e1 vivia na Bahia desde os anos 1950, per\u00edodo do movimento do Cinema Novo, de Glauber Rocha, da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de Jorge Amado e da musical de Dorival Caymmi. Multitalentoso, dominava pintura, escultura, fotografia e outras t\u00e9cnicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o painel de Feira, fez uma parceria com o ceramista alem\u00e3o Udo Knoff, que moldou artesanalmente cada pe\u00e7a de cer\u00e2mica. Sobre elas, L\u00eanio pintou as figuras e cenas que, depois, foram queimadas no pr\u00f3prio ateli\u00ea para fixar as cores.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de iniciar a pintura, L\u00eanio, que morava em Salvador, frequentou semanalmente a feira livre de Feira de Santana. Observava personagens, barracas, arranjos de mercadorias, tipos humanos. Fazia croquis, rabiscos e anota\u00e7\u00f5es, misturando-se \u00e0 rotina e absorvendo o esp\u00edrito do lugar. Esse mergulho deu origem a uma obra dividida em oito m\u00f3dulos, que tem a feira livre como tema central, mas tamb\u00e9m representa todo o sert\u00e3o nordestino.<\/p>\n\n\n\n<p>O painel re\u00fane figuras hist\u00f3ricas, como Maria Quit\u00e9ria e Ant\u00f4nio Conselheiro, e lendas populares, como o Bicho do Tomba. Lampi\u00e3o aparece em um cordel intitulado \u201cA chegada de Lampi\u00e3o no inferno\u201d. H\u00e1 frases de caminh\u00e3o, cenas de cren\u00e7as e festas, as boiadas e contrastes marcantes, como a figura de um menino com cata-vento em uma extremidade e a de um homem armado na outra, simbolizando a tens\u00e3o entre inoc\u00eancia e viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o professor de Hist\u00f3ria da Arte Cledson Ponce, que dedicou sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado ao painel, essa \u00e9 a obra mais grandiosa de L\u00eanio. \u201cO primeiro passo para sua preserva\u00e7\u00e3o foi o tombamento pelo IPAC (Instituto do Patrim\u00f4nio Art\u00edstico e Cultural da Bahia), em 2001. O pr\u00f3ximo \u00e9 mant\u00ea-la viva, mesmo que um dia a rodovi\u00e1ria mude de lugar\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da impon\u00eancia, muitos que passam pela rodovi\u00e1ria n\u00e3o conhecem a hist\u00f3ria do painel. A instrutora de Pilates Cassiana Carneiro, de Riach\u00e3o do Jacu\u00edpe, \u00e9 uma delas. \u201cSempre achei bonito, mas n\u00e3o sabia o que significava. Depois de ouvir a explica\u00e7\u00e3o do professor Cledson (no momento da entrevista), a sensa\u00e7\u00e3o que fica \u00e9 de pertencimento. Feira conecta cidades, mistura culturas, e o painel mostra isso. Deveria ter um tel\u00e3o aqui contando a hist\u00f3ria para todo mundo ficar sabendo,\u201d sugeriu.<\/p>\n\n\n\n<p>Restaurado em 2019, o painel de L\u00eanio Braga permanece como um marco cultural de Feira de Santana, guardando em cores e formas um peda\u00e7o vivo do sert\u00e3o. Uma obra que n\u00e3o \u00e9 apenas para ser vista, mas para ser entendida e, assim, preservada para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Carne de bode tem lugar garantindo na mesa sertaneja<\/h2>\n\n\n\n<p>Na mesa sertaneja, a carne de bode tem lugar cativo e, em Feira de Santana, \u00e9 mais que um prato: \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o, identidade e mem\u00f3ria afetiva. Quem chega \u00e0 cidade logo descobre que o aroma do bode assado, da buchada ou do sarapatel faz parte da paisagem tanto quanto o vaiv\u00e9m do com\u00e9rcio. N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que o bode \u00e9 patrim\u00f4nio n\u00e3o oficial da culin\u00e1ria local.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das guardi\u00e3s desse sabor \u00e9 Luciene Nolasco, propriet\u00e1ria e cozinheira de um restaurante tradicional especializado na iguaria. Sua rela\u00e7\u00e3o com a carne de bode come\u00e7ou em Jeremoabo, no sert\u00e3o baiano, ajudando o tio, dono de um restaurante. \u201cEu prestava aten\u00e7\u00e3o em tudo: como ele retalhava, como manejava a carne. Sempre gostei de cozinhar e sempre fui curiosa\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>O destino, ou talvez o instinto, trouxe Luciene para Feira de Santana nos anos 1990. J\u00e1 casada e com filhos, viu o marido desempregado e ouviu dele um incentivo direto: \u201c\u00c9 o que voc\u00ea sabe fazer, \u00e9 o que n\u00f3s vamos fazer\u201d. Nascia ali o restaurante, que j\u00e1 completou tr\u00eas d\u00e9cadas de portas abertas. Desde o in\u00edcio, a carne de bode foi o carro-chefe do card\u00e1pio, com destaque para o pernil desossado, campe\u00e3o de pedidos. Mas a lista \u00e9 farta: costela, calabresa, \u201cmist\u00e3o\u201d, sarapatel e buchada tamb\u00e9m est\u00e3o entre as op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Luciene tem regras de ouro para garantir sabor e maciez: \u201cO animal deve ser abatido novo e, se n\u00e3o for, precisa ser castrado. Se for velho, passa o ran\u00e7o da carne de bode. E tem que cuidar da temperatura, manter refrigerado certinho\u201d. O resultado dessa aten\u00e7\u00e3o \u00e9 comprovado pela casa sempre cheia, com redu\u00e7\u00e3o apenas nos meses de f\u00e9rias escolares, quando muitas fam\u00edlias viajam.<\/p>\n\n\n\n<p>O gosto pelo bode, no entanto, j\u00e1 foi mais restrito. \u201cH\u00e1 30 anos, tinha gente que tinha certo \u2018preconceito\u2019. Mas os estudos mostrando que \u00e9 saud\u00e1vel mudaram isso. Nasci e me criei comendo bode. Aqui no Nordeste \u00e9 cultura\u201d, afirma Luciene. Hoje, o quilo da carne de bode em Feira de Santana custa, em m\u00e9dia, R$ 36.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem frequenta restaurantes especializados confirma a paix\u00e3o. O policial rodovi\u00e1rio federal \u00c9dimo Pires, morador da cidade h\u00e1 mais de 50 anos, coloca a carne de bode entre seus alimentos favoritos. \u201cA gente est\u00e1 no Portal do Sert\u00e3o. O bode \u00e9 comida t\u00edpica daqui, e de excelente qualidade\u201d, diz, citando o escritor Euclides da Cunha: \u201c\u2018O sertanejo \u00e9, antes de tudo, um forte\u2019 e a carne de bode tem parte nisso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem todo mundo foi f\u00e3 \u00e0 primeira garfada. M\u00e9rcia Cleide Mota, esposa de \u00c9dimo, admite que demorou a gostar. \u201c\u00c0s vezes, o lugar que eu ia n\u00e3o era o que eu esperava. At\u00e9 experimentar no lugar certo. Hoje, adoro. Quem n\u00e3o gosta, n\u00e3o sabe o que est\u00e1 perdendo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O fisioterapeuta Yves Moreno, que trocou Salvador por Feira h\u00e1 dois anos, tamb\u00e9m tem ra\u00edzes no sabor: \u201cAprendi a gostar de carne de bode em Barreiras, quando ia nas f\u00e9rias. Aqui em Feira, fiquei f\u00e3 de carteirinha. E a assada \u00e9 minha favorita\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a jornalista Emanuele Sena herdou o paladar do pai. \u201cEle sempre gostou, ent\u00e3o foi natural. \u00c9 extremamente gostosa, suculenta. Se vejo algu\u00e9m falar que n\u00e3o gosta, digo: \u2018coma de novo, mais um peda\u00e7o\u2019. N\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o gostar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>De gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, o bode segue firme no card\u00e1pio e no cora\u00e7\u00e3o feirense. Mais do que alimentar, ele conta hist\u00f3rias: de fam\u00edlia, de resist\u00eancia, de criatividade. Em cada prato, h\u00e1 tempero, cuidado e um peda\u00e7o da identidade do sert\u00e3o baiano.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pernil de bode<\/h3>\n\n\n\n<p>O pernil de bode desossado \u00e9 o carro-chefe da cozinha de Luciene Nolasco. Simples no preparo e rico em sabor, ele traduz a tradi\u00e7\u00e3o da carne de bode servida \u00e0 moda de Feira de Santana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Receita \u2013 Pernil de bode desossado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Rendimento: 4 por\u00e7\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ingredientes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>900 g de pernil de bode (para 4 pessoas) ou 500 g (para 2 pessoas)<\/li>\n\n\n\n<li>Sal a gosto<\/li>\n\n\n\n<li>Sementes de coentro a gosto, levemente amassadas<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Modo de preparo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Pegue o pernil inteiro, desosse, limpe e abra em forma de manta (bife mais alto).<\/li>\n\n\n\n<li>Tempere com sal e sementes de coentro amassadas.<\/li>\n\n\n\n<li>Leve ao fogo para assar no ponto desejado: malpassado, ao ponto ou bem-passado.<\/li>\n\n\n\n<li>Sirva com os acompanhamentos de sua prefer\u00eancia.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>atarde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo de mais de dois s\u00e9culos,&nbsp;Feira de Santana&nbsp;construiu-se e reconstruiu-se em diferentes ondas de desenvolvimento, misturando com\u00e9rcio, pol\u00edtica, arquitetura, festas e hist\u00f3rias que se perpetuam na mem\u00f3ria coletiva. 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