{"id":33014,"date":"2025-07-30T09:10:47","date_gmt":"2025-07-30T12:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=33014"},"modified":"2025-07-30T09:10:48","modified_gmt":"2025-07-30T12:10:48","slug":"por-que-algumas-pessoas-continuam-tomando-decisoes-ruins-mesmo-sabendo-que-vao-se-prejudicar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=33014","title":{"rendered":"Por que algumas pessoas continuam tomando decis\u00f5es ruins, mesmo sabendo que v\u00e3o se prejudicar?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Sem-titulo-407.jpg?resize=800%2C533&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-33015\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Sem-titulo-407.jpg?w=984&amp;ssl=1 984w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Sem-titulo-407.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Sem-titulo-407.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Sem-titulo-407.jpg?resize=750%2C500&amp;ssl=1 750w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Insistir no erro pode estar ligado a tra\u00e7os compulsivos e baixa flexibilidade cognitiva. \u2014 Foto: Liza Summer\/Pexels<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Por que a gente insiste no erro?<\/strong>&nbsp;Essa foi a pergunta que guiou um estudo liderado pelo neurocientista Philip Jean-Richard-dit-Bressel, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austr\u00e1lia. A pesquisa, publicada na revista&nbsp;<em>Nature Communications Psychology<\/em>, concluiu que parte das pessoas mant\u00e9m&nbsp;comportamentos que causam preju\u00edzo mesmo quando est\u00e3o conscientes das consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>A explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 falta de motiva\u00e7\u00e3o, distra\u00e7\u00e3o ou desconhecimento. Segundo os cientistas, o problema est\u00e1 na&nbsp;<strong>dificuldade<\/strong>&nbsp;que algumas pessoas t\u00eam de ajustar suas a\u00e7\u00f5es com base em novas informa\u00e7\u00f5es. Em outras palavras, mesmo sabendo que uma atitude \u00e9 prejudicial, elas continuam agindo da mesma forma \u2014&nbsp;<strong>um padr\u00e3o comportamental descrito como \u201ccompulsivo\u201d<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores testaram 267 pessoas de 24 pa\u00edses em um jogo online simples: os participantes escolhiam entre dois planetas, cada um levando a uma nave que poderia dar pontos ou tirar tudo o que havia sido conquistado at\u00e9 ent\u00e3o. Com o tempo, era poss\u00edvel perceber qual planeta causava a perda \u2014 e mudar de estrat\u00e9gia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas uma parcela dos jogadores seguiu errando, mesmo depois de ser informada claramente sobre qual escolha era a errada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tr\u00eas perfis de comportamento<\/h2>\n\n\n\n<p>Durante o experimento, os participantes se dividiram em tr\u00eas grupos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Sens\u00edveis (26%):\u00a0<\/strong>perceberam rapidamente quais escolhas causavam puni\u00e7\u00f5es e ajustaram o comportamento.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Desatentos (47%):<\/strong>\u00a0n\u00e3o entenderam sozinhos, mas mudaram de estrat\u00e9gia quando receberam orienta\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Compulsivos (27%):\u00a0<\/strong>continuaram tomando decis\u00f5es ruins, mesmo ap\u00f3s serem avisados do erro.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cO mais surpreendente \u00e9 que os compulsivos sabiam exatamente o que estavam fazendo. Eles conseguiam explicar a l\u00f3gica do jogo e, ainda assim, mantinham a estrat\u00e9gia errada\u201d, disse Jean-Richard-dit-Bressel. \u201cIsso indica uma dificuldade em incorporar novas informa\u00e7\u00f5es a ponto de mudar o comportamento.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tra\u00e7o est\u00e1vel \u2014 e possivelmente ligado \u00e0 idade<\/h2>\n\n\n\n<p>Seis meses ap\u00f3s a primeira rodada do experimento, os participantes foram convidados a jogar novamente. A maioria manteve exatamente o mesmo padr\u00e3o de comportamento,&nbsp;<strong>o que sugere que n\u00e3o se tratava de um &#8220;dia ruim&#8221;, mas de tra\u00e7os persistentes de personalidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo tamb\u00e9m observou que&nbsp;pessoas com mais de 50 anos foram mais propensas a apresentar o perfil compulsivo, possivelmente por uma menor flexibilidade cognitiva \u2014 ou seja, menos capacidade de adaptar pensamentos e a\u00e7\u00f5es diante de novas informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como isso se aplica ao dia a dia<\/h2>\n\n\n\n<p>Esses achados ajudam a entender por que algumas pessoas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>continuam fumando mesmo ap\u00f3s um diagn\u00f3stico de doen\u00e7a pulmonar;<\/li>\n\n\n\n<li>gastam mais do que podem, mesmo ap\u00f3s se endividarem;<\/li>\n\n\n\n<li>repetem relacionamentos t\u00f3xicos, apesar dos alertas;<\/li>\n\n\n\n<li>seguem padr\u00f5es alimentares prejudiciais, mesmo sabendo os riscos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m lan\u00e7a luz sobre&nbsp;<strong>comportamentos autodestrutivos<\/strong>, como o v\u00edcio em jogos de azar, drogas e \u00e1lcool. \u201cA pessoa sabe que vai se prejudicar, mas continua. O problema n\u00e3o \u00e9 ignor\u00e2ncia, \u00e9 uma desconex\u00e3o entre saber e agir\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impacto nas campanhas de sa\u00fade p\u00fablica<\/h2>\n\n\n\n<p>Os resultados desafiam a ideia de que basta informar para mudar comportamentos. Muitas campanhas \u2014 sobre cigarro, \u00e1lcool, alimenta\u00e7\u00e3o ou finan\u00e7as \u2014 apostam apenas em conscientiza\u00e7\u00e3o. Mas o estudo mostra que isso n\u00e3o funciona para todos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cInformar \u00e9 suficiente para a maioria das pessoas, mas n\u00e3o para todos\u201d, diz Jean-Richard-dit-Bressel. \u201cPara quem apresenta esse perfil compulsivo, talvez seja necess\u00e1rio usar outras estrat\u00e9gias, como terapias comportamentais, refor\u00e7o positivo ou interven\u00e7\u00f5es mais diretas.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u201cO estudo aponta que nem sempre falta motiva\u00e7\u00e3o ou informa\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes, o problema \u00e9 mais profundo: uma falha em conectar a\u00e7\u00e3o e consequ\u00eancia\u201d, conclui Jean-Richard-dit-Bressel.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que a gente insiste no erro?&nbsp;Essa foi a pergunta que guiou um estudo liderado pelo neurocientista Philip Jean-Richard-dit-Bressel, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austr\u00e1lia. 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