{"id":26618,"date":"2025-03-27T08:08:14","date_gmt":"2025-03-27T11:08:14","guid":{"rendered":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=26618"},"modified":"2025-03-27T08:08:16","modified_gmt":"2025-03-27T11:08:16","slug":"5-sofrimentos-psiquicos-comuns-na-infancia-e-o-que-fazer-para-ajudar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=26618","title":{"rendered":"5 sofrimentos ps\u00edquicos comuns na inf\u00e2ncia &#8211; e o que fazer para ajudar"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Sem-titulo-377.jpg?resize=800%2C533&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-26619\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Sem-titulo-377.jpg?w=984&amp;ssl=1 984w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Sem-titulo-377.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Sem-titulo-377.jpg?resize=768%2C511&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Sem-titulo-377.jpg?resize=750%2C499&amp;ssl=1 750w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Como saber que uma crian\u00e7a est\u00e1 em sofrimento? \u2014 Foto: Getty Images via BBC<br><br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Muitos de n\u00f3s nos familiarizamos com as nuances da personagem Riley Andersen no passeio por sua ador\u00e1vel e felizmente imprevis\u00edvel &#8220;torre de controle&#8221; emocional retratada nos filmes&nbsp;<em>Divertida Mente<\/em>&nbsp;e<em>&nbsp;Divertida Mente 2.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Fato \u00e9 que&nbsp;<strong>seria bem mais simples se pud\u00e9ssemos acessar, dessa mesma forma, os sentimentos e ang\u00fastias de crian\u00e7as e adolescentes<\/strong>, j\u00e1 que, muitas vezes, aparecem na forma de sofrimento ps\u00edquico ou at\u00e9 mesmo como sintoma de um problema mais complexo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, mesmo sem a torre de controle de&nbsp;<em>Divertida Mente<\/em>, muito pode ser feito para auxiliar os pequenos e jovens a lidarem com suas quest\u00f5es de sa\u00fade mental.<\/p>\n\n\n\n<p>A BBC Brasil inicia uma s\u00e9rie de reportagens sobre os motivos que geralmente fazem uma crian\u00e7a ou um adolescente chegar aos consult\u00f3rios de psicanalistas e psic\u00f3logos \u2013 e como os adultos cuidadores participam desse cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta primeira reportagem, come\u00e7amos com o universo infantil, que um dia j\u00e1 foi habitado por todos n\u00f3s, mas que, mesmo assim, parece estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Como saber que uma crian\u00e7a est\u00e1 em sofrimento se ela ainda est\u00e1 aprendendo a comunicar o que sente? E quais s\u00e3o as principais queixas das crian\u00e7as nos consult\u00f3rios de psic\u00f3logos e psicanalistas?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Causas comuns de sofrimentos na primeira inf\u00e2ncia<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo especialistas consultados pela BBC Brasil, s\u00e3o diversos os motivos que levam adultos a buscar terapia para uma crian\u00e7a, entre eles&nbsp;<strong>birras, uso excessivo de telas e desobedi\u00eancia aos pais<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a BBC News Brasil destaca aqui cinco das principais quest\u00f5es manifestadas pelas pr\u00f3prias crian\u00e7as nos consult\u00f3rios, segundo psic\u00f3logos e psicanalistas consultados:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Medos de animais, insetos e fantasmas, que as deixam angustiadas;<\/li>\n\n\n\n<li>Medo da pr\u00f3pria morte ou da morte de pessoas queridas;<\/li>\n\n\n\n<li>Vergonha e timidez excessivas;<\/li>\n\n\n\n<li>Bullying;<\/li>\n\n\n\n<li>Sentimento de exclus\u00e3o e solid\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m as situa\u00e7\u00f5es excepcionais e traum\u00e1ticas, como o adoecimento ou morte de pai, m\u00e3e, irm\u00e3o, av\u00f3, av\u00f4 ou animalzinho; ou, ainda, a mudan\u00e7a de um pa\u00eds ou de uma cidade, que geram desafios para a adapta\u00e7\u00e3o no novo lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Separa\u00e7\u00f5es litigiosas dos pais, abandonos sofridos pela crian\u00e7a, tratamentos m\u00e9dicos de uma doen\u00e7a prolongada ou abusos sexuais ou f\u00edsicos s\u00e3o outras fontes de traumas que despertam a necessidade de cuidados especiais. Mas n\u00e3o s\u00e3o o foco desta reportagem.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s2-g1.glbimg.com\/TDCP0VeizYIRfny53bExVpLxxeM%3D\/0x0%3A640x426\/984x0\/smart\/filters%3Astrip_icc%28%29\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/Q\/9\/7ZnytMTjuCEtVDXhQdmA\/psiquico02.png?w=800&#038;ssl=1\" alt=\"H\u00e1 v\u00e1rios motivos que levam os adultos a buscarem terapia para uma crian\u00e7a \u2014 Foto: Getty Images via BBC\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios motivos que levam os adultos a buscarem terapia para uma crian\u00e7a \u2014 Foto: Getty Images via BBC<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">1. Medos de animais, insetos e fantasmas<\/h2>\n\n\n\n<p>O medo \u00e9 um velho conhecido de cada um de n\u00f3s. Na inf\u00e2ncia, ele pode perturbar atividades corriqueiras como dormir, fazer atividades ao ar livre ou at\u00e9 mesmo tomar banho.<strong>&nbsp;\u00c9 por volta dos tr\u00eas anos que os medos costumam aparecer<\/strong>, explica a psicanalista Adela Stoppel de Gueller, doutora em Psicologia Cl\u00ednica pela PUC-SP e coordenadora do Departamento de Psican\u00e1lise com Crian\u00e7as do Instituto Sedes Sapientiae.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eles aparecem quando a crian\u00e7a j\u00e1 consegue se exprimir atrav\u00e9s da fala e se diferenciar da m\u00e3e, do pai e dos irm\u00e3os. Os medos reorganizam o mundo da crian\u00e7a estabelecendo alguns lugares como proibidos, como &#8216;n\u00e3o quero entrar nessa casa porque tem um cachorro'&#8221;, detalha Gueller, que \u00e9 autora do livro Atendimento psicanal\u00edtico de crian\u00e7as (editora Zagodoni).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s2-g1.glbimg.com\/gxt3GkrCVkYkvgIB7pGsTMYtk2g%3D\/0x0%3A640x359\/984x0\/smart\/filters%3Astrip_icc%28%29\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/Y\/Y\/WzXsOBRwqWREYzFNjvWw\/psiquico03.png?w=800&#038;ssl=1\" alt=\"Antecipar-se ao medo da crian\u00e7a n\u00e3o ajuda e n\u00e3o adianta dizer que esse medo n\u00e3o \u00e9 real \u2014 segundo especialistas \u2014 Foto: Getty Images via BBC\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Antecipar-se ao medo da crian\u00e7a n\u00e3o ajuda e n\u00e3o adianta dizer que esse medo n\u00e3o \u00e9 real \u2014 segundo especialistas \u2014 Foto: Getty Images via BBC<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns medos se transformam em fobias, tamanha a intensidade. Segundo a psicanalista, quanto mais comum \u00e9 o objeto da fobia, ou seja, o que causa medo, mais restrita fica a circula\u00e7\u00e3o pelo ambiente e mais angustiada est\u00e1 a crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;\u00c9 mais dif\u00edcil encontrar lobos na cidade do que cachorros&#8221;, exemplifica. Mas como a fantasia se sobrep\u00f5e \u00e0 realidade, essa distin\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples. \u00c9 por isso que as bruxas, que s\u00e3o um exemplo de objeto da fobia, podem estar em qualquer lugar.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os medos s\u00e3o preocupantes quanto mais limitadores forem em termos de circula\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a pelos espa\u00e7os e quanto mais intensas e descontroladas forem as crises de ang\u00fastia. Se a crian\u00e7a estiver se sentindo encurralada, \u00e9 preciso buscar ajuda profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, os cuidadores podem tomar alguns cuidados importantes. &#8220;\u00c0s vezes os pais ficam t\u00e3o preocupados quanto \u00e0 apari\u00e7\u00e3o do objeto f\u00f3bico que deixam de ir em certos lugares para que a crian\u00e7a n\u00e3o fique angustiada. Mas isso d\u00e1 mais consist\u00eancia ao medo da crian\u00e7a e n\u00e3o a ajuda a encontrar um modo de lidar com a situa\u00e7\u00e3o&#8221;, alerta Gueller.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Antecipar-se ao medo da crian\u00e7a, portanto, n\u00e3o ajuda.<\/strong>&nbsp;Da mesma forma,&nbsp;<strong>n\u00e3o adianta dizer que esse medo n\u00e3o \u00e9 real<\/strong>, afirmar que o cachorro n\u00e3o vai fazer nada ou que a bruxa n\u00e3o existe.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Essa explica\u00e7\u00e3o &#8216;realista&#8217; n\u00e3o resolve o medo da crian\u00e7a porque desconsidera o aspecto da fantasia inconsciente que se esconde atr\u00e1s do objeto (o bicho, a bruxa, o trov\u00e3o)&#8221;, esclarece. \u00c9 essa fantasia inconsciente que pode ser trabalhada no tratamento com um profissional.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A psicanalista explica ainda que&nbsp;<strong>o medo \u00e9 mais escancarado quando a crian\u00e7a tem tr\u00eas, quatro anos<\/strong>. \u00c0 medida que ela cresce, ela tenta esconder seus medos dos pais ou dos amigos porque fica envergonhada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o ela inventa desculpas para n\u00e3o ir aos lugares, ou diz que est\u00e1 sem vontade de sair. A falta de entusiasmo ou a vergonha passam a ser os sintomas que aparecem como evidentes, mas s\u00e3o &#8220;rea\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias que encobrem um medo prim\u00e1rio que est\u00e1 escondido, \u00e0s vezes, para a pr\u00f3pria crian\u00e7a&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">2. Medo da pr\u00f3pria morte ou da morte de pessoas queridas<\/h2>\n\n\n\n<p>Dentre as in\u00fameras fontes e situa\u00e7\u00f5es que d\u00e3o medo a uma crian\u00e7a, a morte talvez seja a que mais desconcerta os pais. Curiosamente,&nbsp;<strong>o que a crian\u00e7a mais teme n\u00e3o \u00e9 a morte, mas, sim, o desamparo, que pode vir com a morte de algum cuidador muito importante para a crian\u00e7a,<\/strong>&nbsp;explica a psicanalista Rosa Maria Marini, doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento pela USP.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e0 toa surgem perguntas frequentes e at\u00e9 mesmo pensamentos obsessivos sobre a morte dos adultos ao seu redor.&nbsp;<strong>Despistar ou calar esse medo n\u00e3o dissipa a tentativa de entendimento dos pequenos<\/strong>, pondera Marini, que \u00e9 organizadora dos livros A viv\u00eancia da morte e do luto na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia e G\u00eanero e sexualidade na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia: reflex\u00f5es psicanal\u00edticas (ambos pela editora \u00c1galma).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Diante da morte, a crian\u00e7a precisa de palavras para tecer sua pr\u00f3pria vers\u00e3o sobre esse acontecimento. Muitas fam\u00edlias optam por n\u00e3o conversar sobre o assunto com a crian\u00e7a supondo que seria mais pertinente esquecer do que falar.&nbsp;<strong>No entanto, \u00e9 o silencio que a angustia e a joga ainda mais no desamparo&#8221;<\/strong>, descreve.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 melhor que o assunto n\u00e3o vire um&nbsp;<strong>tabu<\/strong>, mesmo que as conversas sejam dif\u00edceis ou desajeitadas. &#8220;Falar, brincar, desenhar e narrar a morte s\u00e3o fundamentais para os pequenos poderem compreender a morte e elaborar o luto&#8221;, finaliza Marini.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">3. Vergonha e timidez excessivas<\/h2>\n\n\n\n<p>A vergonha e a timidez s\u00e3o express\u00f5es de inibi\u00e7\u00f5es na inf\u00e2ncia e, assim como os medos, t\u00eam ra\u00edzes inconscientes, afirma Adela Stoppel de Gueller.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa que a crian\u00e7a n\u00e3o sabe por que sente vergonha de falar, ou porque n\u00e3o quer se aproximar de outras pessoas, preferindo ficar mais escondida.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Questionada pelos adultos, ela pode tentar dar alguma desculpa para se livrar da situa\u00e7\u00e3o, pois ela mesma desconhece o motivo de se sentir assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas rea\u00e7\u00f5es, em uma certa medida, fazem parte do desenvolvimento, segundo a coordenadora do Departamento de Psican\u00e1lise com Crian\u00e7as do Instituto Sedes Sapientiae.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela cita como exemplo o fato de crian\u00e7as passarem a n\u00e3o querer tirar a roupa em um lugar onde outras pessoas possam v\u00ea-la, enquanto um beb\u00ea n\u00e3o tem essa percep\u00e7\u00e3o. Essa consci\u00eancia aparece por volta dos tr\u00eas anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s2-g1.glbimg.com\/T5SRhO53O6V4OL2WvLQVNcEtucU%3D\/0x0%3A640x425\/984x0\/smart\/filters%3Astrip_icc%28%29\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/i\/i\/fFZgAwTOWtBC1Gkf2VEA\/psiquico04.png?w=800&#038;ssl=1\" alt=\"A vergonha e a timidez s\u00e3o express\u00f5es de inibi\u00e7\u00f5es na inf\u00e2ncia e, assim como os medos, t\u00eam ra\u00edzes inconscientes \u2014 Foto: Getty Images via BBC\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A vergonha e a timidez s\u00e3o express\u00f5es de inibi\u00e7\u00f5es na inf\u00e2ncia e, assim como os medos, t\u00eam ra\u00edzes inconscientes \u2014 Foto: Getty Images via BBC<\/p>\n\n\n\n<p>A vergonha e a timidez fazem com que a crian\u00e7a se sinta muito exposta em um ambiente n\u00e3o familiar e busque algu\u00e9m muito pr\u00f3ximo para se sentir protegida, como um irm\u00e3o. &#8220;\u00c0s vezes s\u00e3o os irm\u00e3os que d\u00e3o o alerta para os pais de que algo n\u00e3o vai bem com a crian\u00e7a ao dizerem, por exemplo, &#8216;meu irm\u00e3o n\u00e3o desgruda de mim, fica se escondendo atr\u00e1s de mim todo o tempo, no recreio escolar&#8217;.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Um acompanhamento profissional pode ser decisivo, j\u00e1 que essas manifesta\u00e7\u00f5es, quando excessivas, t\u00eam um efeito muito restritivo na vida dos pequenos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;S\u00e3o sintomas que impedem a crian\u00e7a de desenvolver atividades importantes como apresentar trabalhos na escola (poder contar para os colegas o que ela apreendeu), participar de uma pe\u00e7a de teatro (que poderia ser muito divertido) ou fazer amigos (que \u00e9 fundamental para ganhar autonomia e criar uma hist\u00f3ria pr\u00f3pria, separada do meio fam\u00edliar)&#8221;, descreve Gueller.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">4. Bullying<\/h2>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/educacao\/noticia\/2024\/04\/07\/nao-e-brincadeira-e-bullying-entenda-comportamentos-que-configuram-crime-e-saiba-como-agir.ghtml\">bullying&nbsp;<\/a>\u00e9 um modo de exercer poder sobre os outros na base da opress\u00e3o, da humilha\u00e7\u00e3o, da desconsidera\u00e7\u00e3o da alteridade e da diversidade, define Adela Stoppel de Gueller.<\/p>\n\n\n\n<p>E nem sequer as crian\u00e7as pequenas t\u00eam sido poupadas, afirma Rosa Maria Marini, o que demonstra as dificuldades &#8220;que j\u00e1 se manifestam precocemente em rela\u00e7\u00e3o ao conv\u00edvio com as diferen\u00e7as, com a coletividade e com a impossibilidade de estar o tempo todo numa posi\u00e7\u00e3o de completude e pot\u00eancia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Marini, ao saberem da situa\u00e7\u00e3o de bullying envolvendo a crian\u00e7a, seja na condi\u00e7\u00e3o de v\u00edtima ou de agressora, os pais nunca devem supor que v\u00e3o resolver a situa\u00e7\u00e3o sozinhos e devem imediatamente entrar em contato com a escola.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir deste passo, \u00e9 preciso fazer uma rede de apoio e acompanhamento que inclua a crian\u00e7a, a fam\u00edlia, a escola e um psic\u00f3logo ou psicanalista, recomenda a doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento pela USP.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;O bullying n\u00e3o pode ser encarado como um problema da crian\u00e7a, mas, sim, a express\u00e3o de um mal-estar do momento em que aquela crian\u00e7a vive em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia, \u00e0 escola e aos valores culturais em jogo&#8221;, ressalta Marini.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 fundamental que a crian\u00e7a tenha espa\u00e7os de fala que n\u00e3o sejam repressores ou moralistas, enfatiza Gueller.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<strong>Quanto menos a crian\u00e7a consegue se defender, mais ela sofre<\/strong>. Quanto mais vergonha ela tem de contar para algu\u00e9m o que est\u00e1 se passando com ela, mais ela sofre. O bullying \u00e9 uma forma de abuso, e o tipo de tratamento \u00e9 semelhante ao de outros tipos de abuso (f\u00edsico ou ps\u00edquico)&#8221;, explica a autora do livro Atendimento psicanal\u00edtico de crian\u00e7as (editora Zagodoni).<\/p>\n\n\n\n<p>Gueller acrescenta que a dimens\u00e3o social \u00e9 decisiva para o bullying, pois dificilmente uma crian\u00e7a o pratica sozinha. &#8220;Geralmente \u00e9 um grupo que age sobre algu\u00e9m ou sobre outro grupo. Individualmente, as crian\u00e7as podem n\u00e3o ter consci\u00eancia do que est\u00e3o fazendo, de o quanto est\u00e3o fazendo algu\u00e9m sofrer.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque elas ainda n\u00e3o criaram um sentimento de empatia com a crian\u00e7a que \u00e9 alvo porque est\u00e3o mais preocupadas em pertencer ao grupo que exerce o bullying. Criar essa consci\u00eancia, conversando separadamente com cada crian\u00e7a, \u00e9 imprescind\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Os grupos que exercem bullying est\u00e3o interessados em se ver como poderosos e dominantes frente a outros mais &#8216;fracos'&#8221;, identifica Gueller. Mas a diferencia\u00e7\u00e3o entre quem \u00e9 forte e quem n\u00e3o \u00e9 \u00e9 dada pelos valores sociais, que variam com o tempo.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Muito trabalho educativo \u00e9 necess\u00e1rio para que haja uma verdadeira considera\u00e7\u00e3o e respeito pelo semelhante. As diferentes formas de discrimina\u00e7\u00e3o, segrega\u00e7\u00e3o, exclus\u00e3o e anula\u00e7\u00e3o do outro tendem a retornar na hist\u00f3ria social. A tarefa da educa\u00e7\u00e3o para a diferen\u00e7a \u00e9 intermin\u00e1vel e infinita, pois o desejo de poder \u00e9 muito mais humano do que gostamos de admitir&#8221;, conclui Gueller.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">5. Sentimento de exclus\u00e3o e solid\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Muitas vezes, as crian\u00e7as relatam aos pais ou \u00e0 escola que&nbsp;<strong>est\u00e3o se sentindo exclu\u00eddas ou solit\u00e1rias<\/strong>. Com exce\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es de segrega\u00e7\u00e3o ou de bullying, nas quais h\u00e1 um ou mais agentes promovendo a exclus\u00e3o, os sentimentos de solid\u00e3o e exclus\u00e3o podem expressar como anda o mundo interno da crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o psic\u00f3logo e psicanalista Enrique Mandelbaum, a experi\u00eancia de trabalho dele com escolas e crian\u00e7as mostrou que estas costumam ser situa\u00e7\u00f5es &#8220;em que a crian\u00e7a se sente muito isolada para lidar com as ang\u00fastias dela, com suas inseguran\u00e7as, e n\u00e3o encontra com quem dividir isso, seja porque n\u00e3o encontra espa\u00e7o com a fam\u00edlia, seja porque uma aproxima\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, j\u00e1 que se trata de uma situa\u00e7\u00e3o de fechamento de si&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o diversas as fontes capazes de gerar esses sentimentos de exclus\u00e3o e solid\u00e3o; \u00e0s vezes, at\u00e9 mesmo desencadeados pelo amor pr\u00f3prio da crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Estar bem consigo mesmo n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, pois todos estamos sujeitos, em todas as idades, a situa\u00e7\u00f5es de crise no desenvolvimento&#8221;, exemplifica Mandelbaum, que \u00e9 membro do Instituto de Psican\u00e1lise da Sociedade Brasileira de Psican\u00e1lise de S\u00e3o Paulo e autor de Fra\u00e7\u00f5es de entendimento \u00edntimo (Benjamin Editorial).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m as situa\u00e7\u00f5es em que as crian\u00e7as n\u00e3o encontram respostas a algumas perguntas que elas ainda n\u00e3o conseguem formular.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas \u00e9 preciso tempo para que essa \u00e1rea do &#8216;n\u00e3o saber&#8217; seja desbravada pela crian\u00e7a&#8221;, pondera Mandelbaum, que acrescenta que esse desbravamento pode convocar ajuda profissional, pois \u00e9 dif\u00edcil acolher o que n\u00e3o foi desenvolvido ainda.<\/p>\n\n\n\n<p>A paci\u00eancia com o tempo vale sobretudo para os adultos cuidadores, que devem lidar com a ansiedade que essas situa\u00e7\u00f5es despertam neles e nas crian\u00e7as. Se os pais estiverem muito ansiosos, eles podem receber acompanhamento terap\u00eautico tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s2-g1.glbimg.com\/5MX_QAdViqqcFWnhy2tZx6j9QaQ%3D\/0x0%3A640x424\/984x0\/smart\/filters%3Astrip_icc%28%29\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/D\/N\/zHRxxgTUA4kOMQ8uD6SQ\/psiquico05.png?w=800&#038;ssl=1\" alt=\"Muitas vezes, as crian\u00e7as relatam aos pais ou \u00e0 escola que est\u00e3o se sentindo exclu\u00eddas ou solit\u00e1rias \u2014 Foto: Getty Images via BBC\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Muitas vezes, as crian\u00e7as relatam aos pais ou \u00e0 escola que est\u00e3o se sentindo exclu\u00eddas ou solit\u00e1rias \u2014 Foto: Getty Images via BBC<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;<strong>\u00c9 preciso tempo para a crian\u00e7a desenvolver e atravessar as ang\u00fastias e os medos<\/strong>. Normalmente a gente reage \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de ansiedade do outro com a nossa pr\u00f3pria ansiedade, buscando sa\u00eddas f\u00e1ceis. Isso pode deixar as coisas em situa\u00e7\u00e3o muito pior&#8221;, exemplifica.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 o que pode acontecer no caso de uma crian\u00e7a que est\u00e1 inibida. &#8220;Se a gente estimul\u00e1-la a dar uma festa e a convidar todo mundo, isso pode ir na contram\u00e3o e piorar a situa\u00e7\u00e3o, inibindo ainda mais ou criando um falso self [refer\u00eancia a uma defesa ps\u00edquica em que a pessoa passa a agir de forma n\u00e3o correspondente com quem ela \u00e9]&#8221;, alerta o psicanalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Mandelbaum, essas solu\u00e7\u00f5es &#8220;pr\u00e1ticas&#8221; t\u00eam sido estimuladas pelo contexto do consumo contempor\u00e2neo, em que nos \u00e9 ofertado que h\u00e1 rem\u00e9dio para tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas estamos falando de situa\u00e7\u00f5es da intimidade. Trata-se de algo fr\u00e1gil mas, ao mesmo tempo, cheio de vida e de vitalidade \u2013 uma crian\u00e7a que esteja saud\u00e1vel vai ter vontade de ficar bem e de lidar com seus problemas&#8221;, conclui.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como identificar a causa do sofrimento<\/h2>\n\n\n\n<p>Em meio a tantas possibilidades de preocupa\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 temido pelos adultos n\u00e3o necessariamente \u00e9 um problema para uma crian\u00e7a. Identificar que algo n\u00e3o vai bem com ela envolve estar sens\u00edvel \u00e0s altera\u00e7\u00f5es manifestadas no v\u00ednculo mantido com seus cuidadores, explica a psic\u00f3loga Louise Madeira, especialista em Terapia Familiar e de Casais pela PUC-SP e idealizadora do podcast New Me, em que faz reflex\u00f5es a partir de quase 40 anos de experi\u00eancia com a cl\u00ednica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Crian\u00e7as s\u00e3o seres de repeti\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es. Elas se sentem seguras em suas rotinas. Os adultos que convivem com uma conseguem elaborar certa previsibilidade de suas atitudes e rea\u00e7\u00f5es. Onde houver altera\u00e7\u00e3o, a crian\u00e7a estar\u00e1, subjetivamente, chamando seu(s) adulto(s). O primeiro chamado \u00e9 para um abra\u00e7o, tanto no sentido metaf\u00f3rico quanto literal. Um abra\u00e7o que comunique &#8216;eu, seu adulto, estou aqui, e voc\u00ea pode contar comigo para te proteger e acolher&#8217;.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s2-g1.glbimg.com\/fGFkiHcAxKF4Cku77KtFu7yj-6A%3D\/0x0%3A640x415\/984x0\/smart\/filters%3Astrip_icc%28%29\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/c\/f\/vgpeMlSl2mhzH1oiM4XA\/psiquico06.png?w=800&#038;ssl=1\" alt=\"'Para conversar com uma crian\u00e7a \u00e9 preciso parar. Uma pessoa n\u00e3o consegue que uma crian\u00e7a fale dos seus sentimentos se estiver apressada ou impaciente', diz especialista \u2014 Foto: Getty Images via BBC\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8216;Para conversar com uma crian\u00e7a \u00e9 preciso parar. Uma pessoa n\u00e3o consegue que uma crian\u00e7a fale dos seus sentimentos se estiver apressada ou impaciente&#8217;, diz especialista \u2014 Foto: Getty Images via BBC<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m neste &#8220;abra\u00e7o&#8221; que aparece o segundo chamado, para o&nbsp;<strong>di\u00e1logo<\/strong>, ressalta Madeira. E ele \u00e9 bem diferente de um question\u00e1rio com perguntas objetivas para obter informa\u00e7\u00f5es. &#8220;Para conversar com uma crian\u00e7a \u00e9 preciso parar. Uma pessoa n\u00e3o consegue que uma crian\u00e7a fale dos seus sentimentos se estiver apressada ou impaciente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 incomum a crian\u00e7a negar algumas vezes que esteja agindo ou reagindo de forma diferente do habitual, na tentativa de convencer o adulto de que est\u00e1 tudo bem. Se a conversa n\u00e3o soar amea\u00e7adora para ela, e se houver a insist\u00eancia carinhosa desse adulto que lhe oferecer seguran\u00e7a, ela vai contar o que est\u00e1 acontecendo, afirma Madeira.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O amparo come\u00e7a em casa<\/h2>\n\n\n\n<p>Essa escuta dos adultos cuidadores, como os pais e av\u00f3s, por exemplo, \u00e9 o que faz a diferen\u00e7a. A psicanalista Belinda Mandelbaum, professora titular do Departamento de Psicologia Social da USP e coordenadora do Laborat\u00f3rio de Estudos da Fam\u00edlia, Rela\u00e7\u00f5es de G\u00eanero e Sexualidade da mesma universidade, recomenda que os pais abram espa\u00e7o para escutar os filhos, especialmente na correria da vida contempor\u00e2nea e sua sobrecarga de tarefas e demandas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Que os pais possam olhar para os seus filhos, crian\u00e7as e adolescentes, naquilo que eles s\u00e3o, com suas demandas e sofrimentos pr\u00f3prios. Isso \u00e9 bastante dif\u00edcil, porque em geral os pais acabam, de alguma maneira, vendo os filhos a partir das suas pr\u00f3prias necessidades, limites e desejos&#8221;, destaca Belinda, que \u00e9 autora dos livros Trabalhos com fam\u00edlias em psicologia social e Desemprego: uma abordagem psicossocial (ambos pela editora Blucher).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao conversar com a crian\u00e7a e perceber que ela continua em situa\u00e7\u00e3o de desconforto, (na forma de raiva, tristeza ou medo excessivos, por exemplo), os adultos podem apresentar a escuta profissional a ela, com palavras de tranquiliza\u00e7\u00e3o e aconchego, enfatiza Louise Madeira, para que os pequenos se sintam seguros de que esse \u00e9 um caminho para o al\u00edvio emocional.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;A crian\u00e7a vai gostar de receber socorro, porque \u00e9 isso que ela estava pedindo quando mudou o seu jeitinho de viver a sua hist\u00f3ria&#8221;, aponta Madeira.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Recorrer ao cuidado profissional, seja ele solicitado pela crian\u00e7a ou por iniciativa dos pais, n\u00e3o significa que haja falha dos cuidadores. Determinadas situa\u00e7\u00f5es, especialmente as traum\u00e1ticas, exigem recursos pessoais que est\u00e3o al\u00e9m daqueles que podem ser oferecidos pela fam\u00edlia, acrescenta Belinda Mandelbaum.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s2-g1.glbimg.com\/TjtD0xpZaK-HU_t_Ej2Kj8rHsZk%3D\/0x0%3A640x454\/984x0\/smart\/filters%3Astrip_icc%28%29\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/Q\/V\/YXzZPFRludIAa81BeFAQ\/psiquico07.png?w=800&#038;ssl=1\" alt=\"A escuta dos cuidadores, como pais e av\u00f3s, pode fazer a diferen\u00e7a \u2014 Foto: Getty Images via BBC\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A escuta dos cuidadores, como pais e av\u00f3s, pode fazer a diferen\u00e7a \u2014 Foto: Getty Images via BBC<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os recursos, \u00e9 comum imaginar que o financeiro seja decisivo para uma esp\u00e9cie de garantia de sa\u00fade mental. Mas Belinda, que trabalha com fam\u00edlias e grupos em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social, pondera que a falta de dinheiro n\u00e3o necessariamente implica em desamparo das crian\u00e7as. Estar vulner\u00e1vel abre as portas para uma s\u00e9rie de fragilidades, mas o amparo vem da dedica\u00e7\u00e3o e do amor envolvidos no cuidado com os pequenos.<\/p>\n\n\n\n<p>O desamparo, portanto, tamb\u00e9m pode surgir nos ber\u00e7os mais favorecidos, como ocorre em fam\u00edlias que t\u00eam condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas melhores, mas sua sobrecarga de trabalho e seu estresse fazem com que todos os cuidados com as crian\u00e7as sejam delegados a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando a gente fala de sofrimento ps\u00edquico, cada caso \u00e9 um caso, e cada um precisa ser pensado tanto nas dimens\u00f5es pessoais e relacionais quanto nas sociais e culturais. Cada fam\u00edlia \u00e9 uma, para n\u00e3o generalizarmos e n\u00e3o cair em estere\u00f3tipos&#8221;, ressalva Belinda.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como tratar quem ainda est\u00e1 aprendendo a sentir?<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s2-g1.glbimg.com\/IxCTOAvyRbQ31VEB0g8yYoSOT7Y%3D\/0x0%3A640x363\/984x0\/smart\/filters%3Astrip_icc%28%29\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/6\/I\/3d8uutSueHWQm2Om4jXw\/psiquico08.png?w=800&#038;ssl=1\" alt=\"Vale lembrar que recorrer ao cuidado profissional, seja ele solicitado pela crian\u00e7a ou por iniciativa dos pais, n\u00e3o significa que haja falha dos cuidadores \u2014 Foto: Getty Images via BBC\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Vale lembrar que recorrer ao cuidado profissional, seja ele solicitado pela crian\u00e7a ou por iniciativa dos pais, n\u00e3o significa que haja falha dos cuidadores \u2014 Foto: Getty Images via BBC<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o estranhe se seu filho disser que passou a consulta inteira brincando:&nbsp;<strong>o principal aliado do tratamento cl\u00ednico delas s\u00e3o os desenhos, jogos, bonecos e outros recursos criativos<\/strong>. O m\u00e9todo vale para a psican\u00e1lise, a psicologia, a psicopedagogia, a fonoaudiologia e a terapia ocupacional.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Entendemos que o brincar s\u00e3o modos privilegiados da crian\u00e7a se comunicar, exprimir os afetos e tornar pens\u00e1veis as quest\u00f5es que s\u00f3 comparecem como atos ou sentimentos&#8221;, esclarece Adela Stoppel de Gueller.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo o psicanalista Alexandre Patr\u00edcio de Almeida, doutor em Psicologia Cl\u00ednica pela PUC-SP e autor de dois volumes de Por uma \u00e9tica do cuidado (editora Blucher), o brincar da crian\u00e7a permite que o analista trabalhe com as quest\u00f5es inconscientes, que s\u00e3o &#8220;os conflitos que as crian\u00e7as n\u00e3o conseguem colocar em palavras, que tiram o sono, que geram ang\u00fastia, ansiedade e est\u00e3o ligados aos processos de aprendizagem&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A psicanalista Rosa Maria Marini enfatiza a capacidade das brincadeiras de darem um sentido e auxiliar as crian\u00e7as a interpretar o mundo externo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por exemplo, a crian\u00e7a pequena \u00e9 levada para tomar vacina. O que ela faz quando chega em casa? Ela enfileira todos seus bonecos, ou ursinhos, e vai aplicar o imunizante. Ent\u00e3o, brincar \u00e9 o modo de ela viver ativamente as experi\u00eancias que, enquanto crian\u00e7a, vive passivamente&#8221;, sublinha Marini.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O brincar, com um bom escutador do lado,\u202f\u00e9 transformador e encontra sa\u00eddas inesperadas e surpreendentes, que precisam se constru\u00eddas caso a caso&#8221;, finaliza Gueller.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitos de n\u00f3s nos familiarizamos com as nuances da personagem Riley Andersen no passeio por sua ador\u00e1vel e felizmente imprevis\u00edvel &#8220;torre de controle&#8221; emocional retratada nos filmes&nbsp;Divertida Mente&nbsp;e&nbsp;Divertida Mente 2. 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