{"id":2295,"date":"2023-10-15T18:27:39","date_gmt":"2023-10-15T21:27:39","guid":{"rendered":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=2295"},"modified":"2023-10-15T18:27:41","modified_gmt":"2023-10-15T21:27:41","slug":"boneca-inflavel-vibrador-cinto-de-castidade-como-surgiram-os-objetos-sexuais-veja-a-historia-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=2295","title":{"rendered":"Boneca infl\u00e1vel, vibrador, cinto de castidade: como surgiram os objetos sexuais? Veja a hist\u00f3ria real"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"446\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Sem-titulo-97.jpg?resize=800%2C446&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-2297\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Sem-titulo-97.jpg?w=888&amp;ssl=1 888w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Sem-titulo-97.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Sem-titulo-97.jpg?resize=768%2C428&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Sem-titulo-97.jpg?resize=750%2C418&amp;ssl=1 750w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">. . \u2014 Foto: Editoria de Arte\/ Andr\u00e9 Mello<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Assim que voc\u00ea l\u00ea algo sobre sexualidade, \u00e9 f\u00e1cil saber que a inven\u00e7\u00e3o dos vibradores respondeu \u00e0 necessidade dos m\u00e9dicos de curar a histeria feminina. At\u00e9 ent\u00e3o, conta a hist\u00f3ria, os m\u00e9dicos realizavam uma massagem manual na regi\u00e3o genital para acalmar os sintomas que inclu\u00edam tonturas, fraqueza ou altera\u00e7\u00f5es de humor. Com a cria\u00e7\u00e3o do vibrador el\u00e9trico, o tratamento se tornou mais eficaz e mais repousante para os bra\u00e7os dos sofredores m\u00e9dicos. Tem at\u00e9 um filme, Histeria (2011), que o recria e come\u00e7a dizendo \u201cbaseado em acontecimentos reais\u201d. \u00c9 preciso reconhecer que a ideia de que os m\u00e9dicos masturbariam as mulheres nas suas consultas e para isso inventariam o vibrador tem muitos ingredientes para ter sucesso. Mas \u00e9 falsa.<\/p>\n\n\n\n<p>O sexo n\u00e3o est\u00e1 imune a boatos e j\u00e1 sabemos que uma mentira repetida mil vezes vira verdade. Foi o que aconteceu com a hist\u00f3ria da inven\u00e7\u00e3o do vibrador. Da mesma forma, sabe-se que as not\u00edcias falsas costumam ter mais alcance do que suas nega\u00e7\u00f5es, o mesmo aconteceu neste caso. Numerosos artigos repetiram a hist\u00f3ria, mas muito menos repetiram a retifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2010, foi publicado o livro Orgasm Technology: Hysteria, Vibrators, and Women&#8217;s Sexual Satisfaction (Tecnologia de orgasmo: histeria, vibradores e satisfa\u00e7\u00e3o sexual feminina, em tradu\u00e7\u00e3o literal), de Rachel P. Maines, cientista especializada em hist\u00f3ria da tecnologia. E \u00e9 a\u00ed que surge toda a teoria da inven\u00e7\u00e3o dos vibradores como tratamento m\u00e9dico. Maines justifica sua teoria com in\u00fameras cita\u00e7\u00f5es e acrescenta a ideia de que o modelo faloc\u00eantrico de sexualidade tornou esse tratamento aceito porque, por n\u00e3o envolver penetra\u00e7\u00e3o vaginal, n\u00e3o era considerado uma pr\u00e1tica sexual naquela \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>No texto de Maines tamb\u00e9m se pode ler que o Mortimer Granville (inventor do vibrador) negou ter percutido mulheres, e a autora justifica isso assegurando que \u201cclaramente os m\u00e9dicos estavam interessados em preservar sua dignidade profissional\u201d. N\u00e3o sabemos se foi alguma inconsist\u00eancia deste tipo ou a extravag\u00e2ncia da hist\u00f3ria que fez Hallie Lieberman e Eric Schatzberg, tamb\u00e9m historiadores, focarem nesta teoria e conclu\u00edrem que n\u00e3o havia evid\u00eancias que a justificassem. Em 2018, publicaram o artigo A Failure of Academic Quality Control: Orgasm Technology (Uma falha no controle de qualidade acad\u00eamica: tecnologia do orgasmo), onde explicam que revisaram cuidadosamente todas as fontes citadas por Maines e n\u00e3o acharam confirma\u00e7\u00e3o de que os m\u00e9dicos vitorianos usavam vibradores como tratamento m\u00e9dico. A isso, Maines respondeu que seu argumento era apenas uma hip\u00f3tese que deu certo e que ela ficou at\u00e9 surpresa por ter demorado tanto para ser refutada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 verdade que os vibradores foram inventados no final do s\u00e9culo XIX e tinham uma utiliza\u00e7\u00e3o m\u00e9dica: massagear determinadas zonas do corpo para aliviar diversos males como problemas digestivos, flatul\u00eancia e at\u00e9 para eliminar rugas. Mas n\u00e3o para causar orgasmos. Nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, os vibradores dom\u00e9sticos se popularizaram e, na privacidade do lar, algumas mulheres come\u00e7aram a utilizar estes est\u00edmulos para fins mais prazerosos. O que permanece at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cinto de castidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Idade M\u00e9dia \u00e9 uma \u00e9poca da hist\u00f3ria humana que nos parece b\u00e1rbara. Museus com dispositivos de tortura da \u00e9poca s\u00e3o exemplos. Neste contexto, se enquadra perfeitamente a exist\u00eancia de cintos de castidade, objetos de ferro em forma de calcinha que o marido colocava quando tinha que sair de casa por longos per\u00edodos de tempo para garantir que sua esposa n\u00e3o fosse penetrada por ningu\u00e9m. O cinto de castidade teria um duplo objetivo: por um lado, garantir a fidelidade e, por outro, prevenir poss\u00edveis estupros. Tamb\u00e9m foi colocado nas filhas para garantir a virgindade. Certamente vem \u00e0 mente a imagem de alguns desses objetos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, segundo Jos\u00e9 Manuel Rodr\u00edguez Garc\u00eda, do Departamento de Hist\u00f3ria Medieval da UNED, \u201cn\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica prova material de que existiram cintos de castidade naquele per\u00edodo\u201d. Ou seja, h\u00e1 muita representa\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, mas n\u00e3o h\u00e1 refer\u00eancias hist\u00f3ricas. Al\u00e9m disso, os aspectos pr\u00e1ticos do dispositivo devem ser levados em considera\u00e7\u00e3o. Com um pesado cinto de ferro em torno dos quadris e da regi\u00e3o p\u00e9lvica, seria muito dif\u00edcil viver meses ou anos, sem falar nas feridas causadas pelo atrito do metal na pele, que provavelmente causariam infec\u00e7\u00f5es em uma \u00e9poca em que havia n\u00e3o existiam antibi\u00f3ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez voc\u00ea j\u00e1 tenha visto um cinto de castidade medieval exposto. O Museu Brit\u00e2nico de Londres, por exemplo, removeu um depois de verificar que era falso. Segundo Garc\u00eda, \u201cesses cintos de castidade s\u00e3o recria\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos dois s\u00e9culos. O mais antigo que se conhece data do primeiro ter\u00e7o do s\u00e9culo XVI\u201d. Os cintos de castidade, assim como o direito ao descanso, foram imagina\u00e7\u00f5es criadas na era do Iluminismo para dar uma imagem sombria da Idade M\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Boneca Infl\u00e1vel<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O projeto Borghild \u00e9 outra hist\u00f3ria n\u00e3o confirmada ligada ao sexo. Este \u00e9 o nome dado a um suposto projeto nazista de 1941 para criar uma boneca infl\u00e1vel para soldados alem\u00e3es durante a Segunda Guerra Mundial. As baixas por infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis, principalmente a s\u00edfilis, eram um risco que diminu\u00eda os ex\u00e9rcitos da \u00e9poca. Isso \u00e9 verdade. Para evitar esta causa de baixas e dadas as necessidades sexuais dos jovens combatentes do sexo masculino, fazia sentido (segundo a mentalidade da \u00e9poca) criar uma boneca que os soldados transportassem na mochila. Num momento de excita\u00e7\u00e3o, eles pegavam a boneca, inflavam e pronto. Higi\u00eanico e f\u00e1cil. Supostamente, assim foram criadas as bonecas infl\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Para completar a lenda, foram fornecidos detalhes da boneca: no verdadeiro estilo ariano, era loira, de olhos azuis, 1,76 metros de altura, l\u00e1bios e seios grandes, pernas, bra\u00e7os e cabe\u00e7a articulada. O projeto, dizem, n\u00e3o se concretizou porque um bombardeio destruiu a f\u00e1brica que produzia as bonecas. No entanto, s\u00e3o in\u00fameras as fontes que refutam a veracidade da hist\u00f3ria ao n\u00e3o encontrarem, mais uma vez, refer\u00eancias fi\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto Borghild \u00e9, no m\u00ednimo, uma hist\u00f3ria curiosa. Assim como as outras duas, s\u00e3o hist\u00f3rias para serem contadas com sucesso no bar. O boca a boca ou sua vers\u00e3o moderna, o WhatsApp, s\u00e3o boa forma de consolidar boatos, independentemente da \u00e1rea. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um velho ditado: \u201cN\u00e3o deixe a verdade estragar uma boa manchete\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assim que voc\u00ea l\u00ea algo sobre sexualidade, \u00e9 f\u00e1cil saber que a inven\u00e7\u00e3o dos vibradores respondeu \u00e0 necessidade dos m\u00e9dicos de curar a histeria feminina. At\u00e9 ent\u00e3o, conta a hist\u00f3ria, os m\u00e9dicos realizavam uma massagem manual na regi\u00e3o genital para acalmar os sintomas que inclu\u00edam tonturas, fraqueza ou altera\u00e7\u00f5es de humor. 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