{"id":22814,"date":"2025-01-20T07:37:07","date_gmt":"2025-01-20T10:37:07","guid":{"rendered":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=22814"},"modified":"2025-01-20T07:37:09","modified_gmt":"2025-01-20T10:37:09","slug":"precisamos-voltar-a-conversar-entenda-como-a-falta-de-dialogo-pode-minar-relacoes-e-desenvolvimento-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=22814","title":{"rendered":"&#8216;Precisamos voltar a conversar&#8217;: Entenda como a falta de di\u00e1logo pode minar rela\u00e7\u00f5es e desenvolvimento social"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"534\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Sem-titulo-356.jpg?resize=800%2C534&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-22815\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Sem-titulo-356.jpg?w=888&amp;ssl=1 888w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Sem-titulo-356.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Sem-titulo-356.jpg?resize=768%2C513&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Sem-titulo-356.jpg?resize=750%2C501&amp;ssl=1 750w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">H\u00e1bitos digitais afastam o di\u00e1logo entre amigos e familiares \u2014 Foto: Pexels<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Juan Carlos, com 70 e poucos anos, tinha dois empregos. Ele estava pagando o empr\u00e9stimo da casa da fam\u00edlia. Mesmo assim, todos os dias, quando fechava o neg\u00f3cio de um amigo a quem ajudava por algumas horas, antes de voltar para casa, sentava-se no bar com o grupo do bairro para tomar um vermute. N\u00e3o ficaram muito tempo, mas bastava uma horinha para consertar o mundo, discutir futebol, expressar suas preocupa\u00e7\u00f5es, orgulhar-se dos filhos, vomitar os problemas do dia e acompanhar-se nos problemas pessoais. Eram pelo menos cinco horas por semana que lhe tiravam o peso do dia, os inconvenientes do quotidiano eram partilhados em grupo e ele ganhava uma perspetiva fora da fam\u00edlia, o que lhe permitia ter novas perspetivas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDesde que o hor\u00e1rio de trabalho foi alargado, come\u00e7\u00e1mos a perder liga\u00e7\u00f5es pessoais di\u00e1rias \u201d, diz o especialista em comunica\u00e7\u00f5es pessoais Rob Kendall, que trabalhou para organiza\u00e7\u00f5es como os Jogos Ol\u00edmpicos e o Aeroporto de Heathrow. E garante que, como o nosso c\u00e9rebro funciona feliz e confortavelmente, nos deixamos levar: \u201cTornamo-nos cada vez mais eremitas e h\u00e1 centenas de pessoas que passam o fim de semana sem falar com ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nicholas Epley, especialista em an\u00e1lise comportamental da Universidade da Calif\u00f3rnia, explica algumas raz\u00f5es pelas quais o contacto pessoal se perdeu : \u201cA fila no supermercado, as compras no com\u00e9rcio local, a papelada nos escrit\u00f3rios habituais, o passeio com as crian\u00e7as no parque ou conhecer os av\u00f3s, a travessia ocasional com o vizinho&#8230; Tudo isso j\u00e1 n\u00e3o acontece porque voltamos tarde do trabalho, chegamos na hora certa, nos deslocamos de carro de um lugar para outro, ou apenas vemos a hora de jantar e dormir . Al\u00e9m disso, fazemos compras online e usamos aplicativos de entrega em domic\u00edlio.\u201d Mesmo \u2013 afirma \u2013 se estivermos em casa \u00e9 poss\u00edvel que enviemos um WhatsApp um ao outro para avisar que o jantar est\u00e1 na mesa, e o mesmo tipo de v\u00ednculo surge no trabalho com o colega que est\u00e1 no meio da mesa. mesma mesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa realizada pelo The Prince&#8217;s Trust descobriu que 22% dos jovens de 16 a 25 anos n\u00e3o tinham ningu\u00e9m com quem conversar sobre seus problemas quando eram crian\u00e7as. \u201cA conversa em fam\u00edlia j\u00e1 era complicada antes da pandemia e o problema agravou-se mais tarde porque os adultos n\u00e3o conseguiram regular a nossa utiliza\u00e7\u00e3o dos ecr\u00e3s ou a dos nossos filhos. Supostamente por motivos de trabalho, mas qualquer desculpa serve para atender o telefone\u201d, alerta Maritchu Seit\u00fan, psic\u00f3loga especializada em apoio familiar. Desta forma, explica que espa\u00e7os como as refei\u00e7\u00f5es sem ecr\u00e3s se perdem e \u201cesquecemos que precisamos de encontros humanos, olhares, conversas e sorrisos para viver\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mariana Maristany, doutora em Psicologia pela Funda\u00e7\u00e3o Aigl\u00e9, concorda com ela: \u201c As redes sociais transformam a din\u00e2mica da conversa \u201d. Para o especialista, embora facilitem a conex\u00e3o e as dist\u00e2ncias sejam encurtadas com videochamadas e grupos de mensagens familiares, podem gerar isolamento , quando todos est\u00e3o imersos em suas telas ou a conversa sofre interfer\u00eancia por estarem atentos ao celular e \u00e0s mensagens que transmitem. enviar. eles chegam.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos fatores de prote\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade mental \u00e9 possuir uma rede de v\u00ednculos pessoais s\u00f3lidos . Quantas pessoas deveriam fazer parte disso? Segundo Silvia \u00c1lava Sordo, psic\u00f3loga, \u201c a quantidade n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante, mas sim o que cada pessoa percebe da sua rede \u201d. O fato de saber que a qualquer momento posso ligar para algu\u00e9m ou conversar, que ele vai me ouvir e me apoiar emocionalmente, tem um efeito positivo e protege a sa\u00fade mental.\u201d Mas os la\u00e7os sociais se constroem com a presen\u00e7a. \u201cN\u00e3o \u00e9 necessariamente o tempo partilhado em termos de n\u00famero de anos\u201d, adverte Epley, \u201cmas sim a estreiteza do encontro \u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, Albert Mehrabian, professor em\u00e9rito de psicologia da Universidade da Calif\u00f3rnia, especialista no estudo da linguagem corporal, foi o primeiro, na d\u00e9cada de 1960, a decompor em percentagens os efeitos na transmiss\u00e3o de uma mensagem. Ele anunciou a regra 55-38-7. Foi ele quem descobriu que a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 55% n\u00e3o-verbal, 38% vocal e 7% apenas palavras . \u201cAlgo que deixa apenas 7% das negocia\u00e7\u00f5es realizadas de outra forma que n\u00e3o pessoalmente\u201d, acrescenta Epley.<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00e3o pr\u00f3xima, at\u00e9 agora, \u00e9 a forma como Roc\u00edo Ramos Pa\u00fal, psic\u00f3loga, define os v\u00ednculos dos adolescentes, mas que transfere para todos os demais: \u201cEles podem estar no mesmo lugar enviando WhatsApp sem falar ou olhar um para o outro. Um fato que \u00e9 visto at\u00e9 no ambiente de trabalho. Socialmente ter\u00edamos que procurar lacunas porque estamos perdendo habilidades sociais necess\u00e1rias que s\u00e3o aprendidas no grupo, como resistir \u00e0s cr\u00edticas, ficar frustrado, pedir perd\u00e3o, agradecer, compartilhar emo\u00e7\u00f5es cara a cara.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Parece que a hiperconex\u00e3o mant\u00e9m todos n\u00f3s em di\u00e1logo permanente. Mas n\u00e3o \u00e9 assim. Para Kendall \u00e9 como comparar peras com ma\u00e7\u00e3s. \u201cEstar conectado n\u00e3o \u00e9 conversar \u201d, diz ele. Mesmo que voc\u00ea converse com um amigo por horas, n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que conversar por um tempo se vendo. Embora pensemos que estamos conversando, na verdade estamos nos aproximando. Falar \u00e9 outra coisa.\u201d E o que \u00e9 isso?<\/p>\n\n\n\n<p>Mariana de Anquin, psic\u00f3loga educacional, afirma: \u201c A comunica\u00e7\u00e3o presencial cria momentos de conex\u00e3o emocional que n\u00e3o podem ser replicados digitalmente \u201d . Numa conversa cara a cara, comenta, todos os sentidos participam : al\u00e9m do visual e do auditivo, o tato e o olfato desempenham um papel fundamental, transmitindo sensa\u00e7\u00f5es \u00fanicas. N\u00e3o \u00e9 apenas a linguagem verbal que interv\u00e9m; O f\u00edsico, o emocional, o sensorial e o energ\u00e9tico tamb\u00e9m se manifestam. \u201cH\u00e1 pessoas com quem basta uma breve conversa para se sentirem cheios de entusiasmo e vitalidade, e isso acontece naturalmente porque a linguagem energ\u00e9tica est\u00e1 presente. O contato visual, os gestos, o tom de voz e a energia gerada no encontro s\u00e3o linguagens invis\u00edveis que permitem que a mensagem chegue n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 mente, mas tamb\u00e9m ao cora\u00e7\u00e3o \u201d, esclarece de Anqu\u00edn. Para ela, as conversas presenciais facilitam o fluxo da empatia, pois nos permitem perceber e sentir emo\u00e7\u00f5es em tempo real. Ele garante que embora as plataformas digitais nos aproximem, nada substitui o calor de um sorriso pessoal, um tapinha nas costas ou a mensagem que um abra\u00e7o transmite.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo da Universidade da Fl\u00f3rida investigou quais escolhas as pessoas fazem quando falam. Para mais de um ter\u00e7o deles (33%) a comunica\u00e7\u00e3o tornou-se um grande desafio nos \u00faltimos 12 meses. Quase metade dos inquiridos (46%) afirma n\u00e3o ter falado pessoalmente com nenhum dos seus amigos mais pr\u00f3ximos na semana anterior ao inqu\u00e9rito. 66% dos menores de 25 anos afirmam que as atividades em grupo n\u00e3o s\u00e3o uma reuni\u00e3o social, mas sim uma atividade: praticar um desporto, ir a um recital, ir dan\u00e7ar. \u201cReunir-se apenas para se ver \u00e9 algo que est\u00e1 quase fora da agenda\u201d, acrescenta Epley. Mas quando isso ocorre, a tela interv\u00e9m: todo mundo est\u00e1 com o celular quase como se fosse o dedo da m\u00e3o e isso distrai da conversa, do sil\u00eancio, das emo\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Esse corte de clima para Kendall \u00e9 semelhante a quando as crian\u00e7as n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o para ficar entediadas . \u201c\u00c9 da\u00ed, do vazio, que surge o encontro consigo mesmo e com o outro\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>O espa\u00e7o de conversa\u00e7\u00e3o mudou significativamente devido a v\u00e1rios fatores sociais, tecnol\u00f3gicos e culturais. \u201c O ritmo de vida reduz o tempo compartilhado e a conviv\u00eancia. Para conversar \u00e9 preciso criar espa\u00e7o n\u00e3o s\u00f3 de tempo, mas tamb\u00e9m de disposi\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Maristany. Numa pesquisa que a Funda\u00e7\u00e3o Aigl\u00e9 realizou com adolescentes durante a pandemia, algo que destacaram como positivo foi o tempo compartilhado com pais e irm\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Levar a roupa ao sol entre os \u00edntimos envolve dar nomes \u00e0s sensa\u00e7\u00f5es, dar subst\u00e2ncia aos pensamentos e refletir sobre eles. \u201cMuitas vezes, quando contamos algo a algu\u00e9m, quando colocamos em palavras, quando ouvimos de nossas pr\u00f3prias bocas, damos o primeiro passo para repensar\u201d, diz Kendall.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando n\u00e3o estamos conversando\u201d, diz \u00c1lava Sordo, \u201cperdemos a ventila\u00e7\u00e3o emocional. Embora n\u00e3o possa ser feito com qualquer pessoa, pode ser feito com aqueles em quem temos uma confian\u00e7a especial e que sabemos que nos compreender\u00e3o e validar\u00e3o as nossas emo\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, Mariana de Anquin destaca: \u201c Nunca antes vimos tantos problemas e atrasos na aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem nas crian\u00e7as como vemos hoje. Para aprender a falar, eles precisam que falemos com eles. As telas n\u00e3o podem substituir a comunica\u00e7\u00e3o calorosa e pr\u00f3xima com um adulto. Precisamos voltar a falar cara a cara, olhar-nos, sentir-nos e partilhar palavras, sil\u00eancios, risos e gestos. As conversas s\u00e3o constru\u00eddas a partir de tudo isso .\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Seit\u00fan, \u201c sem eles surgem s\u00e9rios problemas de regula\u00e7\u00e3o nos mais pequenos, algo que se aprende no interc\u00e2mbio humano \u201d . E garante que recai sobre: \u200b\u200b\u201cbaixa autoestima nas crian\u00e7as porque n\u00e3o iluminam o olhar dos pais nem se sentem uma prioridade para eles, e adolescentes trancados com o celular, supostamente acompanhados pelos colegas , mas na realidade muito sozinho. Ansiedade, depress\u00e3o, falta de projetos, problemas de aten\u00e7\u00e3o, miopia, obesidade, sedentarismo\u2026 a lista \u00e9 muito longa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Descanse, o momento certo<\/h2>\n\n\n\n<p>As f\u00e9rias s\u00e3o o momento perfeito para recalcular. Viemos de resolu\u00e7\u00f5es de final de ano. Consideramos o que queremos mudar. A paralisa\u00e7\u00e3o deste tempo nos deixa uma porta aberta para inclus\u00e3o de novos h\u00e1bitos. Implica mais tempo juntos, mais disponibilidade de espa\u00e7os e momentos, sem press\u00f5es de hor\u00e1rio. Encontra-nos a todos com uma certa guarda baixa relativamente \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es di\u00e1rias e um pouco mais relaxados. Voltar ao h\u00e1bito de falar presencialmente pode come\u00e7ar em casa. \u201c\u00c9 hora de propor novos acordos \u2013 sugere Seit\u00fan \u2013, refei\u00e7\u00f5es sem telas, viagens de carro apenas com m\u00fasica e di\u00e1logo . Estabelecer alguns rituais familiares (cartas \u00e0s quartas-feiras, cinema \u00e0s sextas), andar de bicicleta, ir ao rio, visitar um museu\u2026 Deixar a conversa surgir do tempo livre e da nossa disponibilidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para Maristany \u00e9 importante \u201c incentivar situa\u00e7\u00f5es em que a comunica\u00e7\u00e3o verbal seja valorizada e praticada. Para conversar \u00e9 necess\u00e1rio que haja pelo menos duas pessoas dispon\u00edveis. Para gerar esse interesse, pode ser \u00fatil mediar o encontro com um interesse comum que proporcione um espa\u00e7o para desfrutarmos juntos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Esportes, arte e jogos podem estimular conversas, gerando trocas e um clima facilitador para a conversa. \u201cCom as crian\u00e7as, incentive desde cedo os espa\u00e7os onde n\u00e3o h\u00e1 telas a valorizar a import\u00e2ncia de estarmos juntos sem dispositivos. Se s\u00e3o adolescentes e n\u00e3o conseguimos, \u00e9 preciso estimular o encontro atrav\u00e9s de interesses que s\u00e3o comuns ou que sabemos que os entusiasmam \u201d, acrescenta. Para ela, mesmo tendo tela, assistir s\u00e9ries juntos e compartilhar conte\u00fados ajuda a conversar e a gerar um bom clima para abordar maior profundidade nos di\u00e1logos. Considere que valorizar a oralidade n\u00e3o envolve apenas falar, mas tamb\u00e9m saber ouvir . Ensinar e praticar a escuta ativa olhando a outra pessoa nos olhos , balan\u00e7ando a cabe\u00e7a e respondendo com aten\u00e7\u00e3o melhora a qualidade da conversa e promove maior conex\u00e3o emocional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSomos seres em rela\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e essa intera\u00e7\u00e3o nos d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar. O contato f\u00edsico, cara a cara, estar com o outro, \u00e9 o que o gera. Comunicar reduz o nosso estresse \u201d, afirma Ramos Pa\u00fal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs seres humanos foram, s\u00e3o e ser\u00e3o nativos de links, e n\u00e3o digitais\u201d, insiste Seit\u00fan. \u00c9 na intera\u00e7\u00e3o humana que aprendemos, prosperamos, amadurecemos, nos sentimos valiosos, amados e dignos de amor .\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como dialogamos hoje?<\/h2>\n\n\n\n<p>A doutora em Psicologia pela Funda\u00e7\u00e3o Aigl\u00e9, Mariana Maristany, afirma que \u201c n\u00e3o falamos menos, mas diferente. A quantidade de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o diminuiu necessariamente, mas a sua forma e profundidade mudaram devido \u00e0 influ\u00eancia da tecnologia e das redes sociais .\u201d O celular \u00e9 mais r\u00e1pido, por\u00e9m mais superficial. As conversas tendem a ser curtas , com menos contexto e detalhes . Mensagens escritas, emoticons e GIFs substituem a express\u00e3o verbal, o que muda a forma como expressamos emo\u00e7\u00f5es e pensamentos. Isso limita a riqueza da comunica\u00e7\u00e3o, que perde o componente n\u00e3o verbal fundamental para a compreens\u00e3o das nuances emocionais e sociais. A comunica\u00e7\u00e3o digital nem sempre acontece em tempo real. Isto permite-nos processar e responder quando estivermos prontos, mas tamb\u00e9m reduz a espontaneidade e a intera\u00e7\u00e3o direta , o que pode levar a mal-entendidos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Segredos para melhorar a conversa<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 preciso decidir dedicar um pouco de tempo todos os dias: conhecer algu\u00e9m que voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea h\u00e1 muito tempo, tomar um caf\u00e9, interessar-se pela sua vida e praticar a escuta ativa \u201d, prop\u00f5e a psic\u00f3loga Roc\u00edo Ramos Pa\u00fal. Ao mesmo tempo, no que diz respeito ao di\u00e1logo com as crian\u00e7as, sugere aproveitar momentos como a sa\u00edda da escola ou as compras para conversar com elas. Ele recomenda sempre fazer uma pergunta que permita treinar habilidades sociais e d\u00e1 algumas chaves:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Rituais de conex\u00e3o:<\/strong>\u00a0Em casa e com amigos, \u00e9 \u00fatil estabelecer datas recorrentes para reuni\u00f5es. Agendar a pr\u00f3xima reuni\u00e3o ao final da anterior ajuda a refor\u00e7ar o comprometimento. Caso surja algum problema, poder\u00e1 sempre ser remarcado.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Voltar ao telefonema:\u00a0<\/strong>Caso contr\u00e1rio, priorize a troca de \u00e1udio que incentive uma conversa real, evitando limitar-se a dizer o que se quer sem prestar aten\u00e7\u00e3o na contribui\u00e7\u00e3o do outro.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Ative a escuta:<\/strong>\u00a0fa\u00e7a perguntas. Mergulhe nos sentimentos e opini\u00f5es dos outros. Pergunte mais e fale menos.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Exercite a alfabetiza\u00e7\u00e3o emocional:\u00a0<\/strong>mude o \u201ccomo vai voc\u00ea?\u201d para o &#8220;como voc\u00ea se sente?&#8221;<\/li>\n\n\n\n<li>Apostando no racconto: O que aconteceu desde a \u00faltima vez que nos vimos? Relate o seu pr\u00f3prio e ou\u00e7a o de outra pessoa.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Encontre atividades para compartilhar:\u00a0<\/strong>Um piquenique, um passeio, uma visita a um museu, um passeio por uma feira. Um lugar para visitar juntos oferece oportunidades de di\u00e1logo.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Incentive conversas espont\u00e2neas:<\/strong>\u00a0casuais e cotidianas com estranhos. Uma breve troca no caixa do supermercado, ao abastecer o carro ou na academia. Ativar o modo de conversa exercita os m\u00fasculos.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Adote a aten\u00e7\u00e3o plena:<\/strong>\u00a0Estar no aqui e agora aumenta o prazer do di\u00e1logo.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Inscreva-se em uma atividade presencial em grupo:\u00a0<\/strong>clube de leitura, grupo de canto, oficina de artesanato.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Desenvolva a curiosidade:\u00a0<\/strong>Desenvolva o interesse pelos outros<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juan Carlos, com 70 e poucos anos, tinha dois empregos. Ele estava pagando o empr\u00e9stimo da casa da fam\u00edlia. Mesmo assim, todos os dias, quando fechava o neg\u00f3cio de um amigo a quem ajudava por algumas horas, antes de voltar para casa, sentava-se no bar com o grupo do bairro para tomar um vermute. 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