{"id":19769,"date":"2024-11-28T07:40:36","date_gmt":"2024-11-28T10:40:36","guid":{"rendered":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=19769"},"modified":"2024-11-28T07:40:37","modified_gmt":"2024-11-28T10:40:37","slug":"chefes-das-forcas-armadas-se-reuniram-14-vezes-com-bolsonaro-apos-derrota-na-eleicao-e-enquanto-golpe-era-debatido-diz-pf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=19769","title":{"rendered":"Chefes das For\u00e7as Armadas se reuniram 14 vezes com Bolsonaro ap\u00f3s derrota na elei\u00e7\u00e3o e enquanto golpe era debatido, diz PF"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"529\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Sem-titulo-285.jpg?resize=800%2C529&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-19770\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Sem-titulo-285.jpg?w=886&amp;ssl=1 886w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Sem-titulo-285.jpg?resize=300%2C198&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Sem-titulo-285.jpg?resize=768%2C508&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Sem-titulo-285.jpg?resize=750%2C496&amp;ssl=1 750w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Jair Bolsonaro durante entrevista no aeroporto de Bras\u00edlia \u2014 Foto: Brenno Carvalho \/ Ag\u00eancia O Globo<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O ex-presidente\u00a0<a class=\"\" href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/tudo-sobre\/politico\/jair-messias-bolsonaro\">Jair Bolsonaro<\/a>\u00a0estava inconformado com a derrota na elei\u00e7\u00e3o quando se reuniu com os tr\u00eas comandantes das For\u00e7as Armadas para uma reuni\u00e3o no Pal\u00e1cio da Alvorada no dia 1\u00ba de novembro de 2022, dois dias ap\u00f3s o segundo turno. Naquele momento, os chefes do Ex\u00e9rcito, da Marinha e da Aeron\u00e1utica ouviram pela primeira vez a discuss\u00e3o se haveria alguma maneira de militares intervirem e o desfecho das urnas ser questionado.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o seria a \u00faltima vez em que o ex-mandat\u00e1rio discutiria planos de uma intentona golpista. Os registros de entrada do Pal\u00e1cio da Alvorada que constam no inqu\u00e9rito da PF mostram 14 oportunidades em que ao menos um dos tr\u00eas comandantes das For\u00e7as estiveram no local. Em pelo menos quatro encontros, Bolsonaro citou ideias variadas como decretar Estado de S\u00edtio, Estado de Defesa e opera\u00e7\u00e3o de Garantia da Lei e da Ordem, conforme depoimentos dos pr\u00f3prios militares.<\/p>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o da&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/tudo-sobre\/instituicao-governamental\/policia-federal\">Pol\u00edcia Federal<\/a>&nbsp;(PF) revelou que a trama golpista incluiu abordagens insistentes \u00e0 c\u00fapula das For\u00e7as Armadas, num movimento que, segundo o inqu\u00e9rito, teve anu\u00eancia do ent\u00e3o ministro da Defesa, Paulo S\u00e9rgio Nogueira, e contou com o entusiasmo do comandante da Marinha, o almirante Almir Garnier Santos. Os dois militares figuram entre os 37 indiciados pela PF.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os investigadores, a tentativa de golpe de Estado s\u00f3 n\u00e3o se concretizou porque houve resist\u00eancia dos comandantes da Aeron\u00e1utica, o tenente-brigadeiro do ar Carlos Baptista J\u00fanior, e do Ex\u00e9rcito, general Marco Ant\u00f4nio Freire Gomes. Os dois foram ouvidos como testemunhas e a colabora\u00e7\u00e3o deles foi fundamental para esclarecer parte dos planos de Bolsonaro no fim de seu governo, segundo a PF.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos 14 encontros registrados ap\u00f3s a derrota nas urnas, quatro tiveram a presen\u00e7a dos tr\u00eas comandantes. Em cinco ocasi\u00f5es, dois compareceram e, em outras cinco, somente um deles estava. Freire Gomes, do Ex\u00e9rcito, foi o mais ass\u00edduo: esteve no Alvorada 12 vezes. Almir Garnier, da Marinha, foi ao local em oito oportunidades, e Baptista J\u00fanior, da Aeron\u00e1utica, esteve cinco vezes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conversas logo ap\u00f3s o resultado<\/h2>\n\n\n\n<p>Nesse per\u00edodo, Bolsonaro estava recluso no Alvorada, mas ativo nos bastidores. A primeira das reuni\u00f5es com os comandantes ocorreu logo no dia 31 de outubro, um dia ap\u00f3s a derrota de Bolsonaro. Freire Gomes e Garnier estiveram no local, em hor\u00e1rios separados, mas pr\u00f3ximos, no fim da tarde daquela segunda-feira. No 1\u00ba de novembro, houve o primeiro encontro com os tr\u00eas comandantes juntos.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, Bolsonaro voltou a chamar Freire Gomes e Almir Garnier no dia seguinte, dia 2 de novembro, para um encontro \u00e0 tarde na resid\u00eancia oficial. O presidente se mostrava lamurioso, indignado com a derrota e at\u00e9 \u201cdeprimido\u201d nessa \u00e9poca, segundo pessoas pr\u00f3ximas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dias seguintes, houve outras reuni\u00f5es com dois dos comandantes. No dia 6, estiveram presentes Baptista J\u00fanior e Freire Gomes; no dia 8, os comandantes do Ex\u00e9rcito e da Marinha. No dia 12, Freire Gomes voltou ao local sozinho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Proposta de decreto<\/h2>\n\n\n\n<p>Bolsonaro parecia ter recuperado o \u00e2nimo no dia 14 de novembro, como notaram os comandantes das For\u00e7as Armadas em depoimento. Pela segunda vez, os tr\u00eas estiveram juntos no Alvorada e ouviram de Bolsonaro e seus auxiliares os achados de um relat\u00f3rio produzido pelo Instituto Voto Legal, que apontava falsamente para problemas no sistema de vota\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Para os comandantes, ficou evidente ali que o presidente seguia acalentando o desejo de reverter sua derrota para Lula.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed, as conversas se intensificaram. Nos dias 17 e 22, h\u00e1 novo registro de reuni\u00f5es com os tr\u00eas comandantes \u2014 al\u00e9m do ministro da Defesa, Paulo S\u00e9rgio Nogueira. Em um desses encontros, tamb\u00e9m estava presente Carlos Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, organiza\u00e7\u00e3o que produziu para o PL um relat\u00f3rio questionando as urnas eletr\u00f4nicas, que foi rejeitado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 24, houve mais um encontro \u2014 que n\u00e3o consta nos registros do Alvorada, mas que foi confirmado pelo GLOBO. Foi um dos mais tensos do per\u00edodo: Bolsonaro exp\u00f4s ideias para um decreto que, entre outras coisas, permitiria interven\u00e7\u00e3o no TSE e abriria espa\u00e7o para pris\u00f5es de rivais pol\u00edticos. Garnier se colocou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, Baptista J\u00fanior protestou e Freire Gomes amea\u00e7ou prender Bolsonaro caso o plano fosse adiante, conforme depoimentos colhidos pela PF. A defesa de Garnier afirmou que &#8220;reitera a inoc\u00eancia do investigado, esclarecendo que ainda n\u00e3o teve acesso integral aos autos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Insist\u00eancia de ministro<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar do embate, os comandantes ainda teriam de resistir \u00e0s sugest\u00f5es golpistas em pelo menos outros dois momentos. No dia 7 de dezembro, Bolsonaro voltou a tratar da \u201cminuta golpista\u201d com o ministro da Defesa e os comandantes de Ex\u00e9rcito e Marinha. Filipe Martins, ent\u00e3o assessor da Presid\u00eancia e apontado como um dos respons\u00e1veis por redigir o decreto golpista, tamb\u00e9m estava. O chefe da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB) estava fora de Bras\u00edlia e n\u00e3o participou.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, foi chamado ao Minist\u00e9rio da Defesa uma semana depois, no dia 14 de dezembro, para uma reuni\u00e3o juntamente com os demais comandantes. Na ocasi\u00e3o, o ministro Paulo S\u00e9rgio disse que tinha uma minuta em m\u00e3os para \u201crevis\u00e3o\u201d. Baptista J\u00fanior questionou se o conte\u00fado do documento levaria \u00e0 ruptura democr\u00e1tica e recusou-se a v\u00ea-lo. Foi acompanhado nos protestos por Freire Gomes e deixou a sala, de acordo com seu relato \u00e0 PF.<\/p>\n\n\n\n<p>O chefe da FAB sentia-se cercado. Dias antes, num evento no interior de S\u00e3o Paulo, fora abordado pela deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), aliada de primeira hora do presidente, que o cobrava a n\u00e3o deixar Jair Bolsonaro \u201cna m\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00faltimo alerta para Baptista Junior soaria em 16 de dezembro quando o general Augusto Heleno o procurou pedindo uma carona para Bras\u00edlia no avi\u00e3o da For\u00e7a A\u00e9rea. Segundo o ministro, o presidente o chamara para uma reuni\u00e3o de emerg\u00eancia que, de t\u00e3o importante, o faria perder a formatura de seu neto. O comandante da FAB levou Heleno \u00e0 capital, mas n\u00e3o sem antes dizer que n\u00e3o compactuaria com uma trama golpista.<\/p>\n\n\n\n<p>Na reta final do governo, ainda houve visitas solit\u00e1rias. No dia 15 de dezembro, Freire Gomes esteve no Alvorada sozinho. Garnier, o \u00fanico que teria concordado com o plano, voltou ao local nos dias 18 de 27 de dezembro.<\/p>\n\n\n\n<p>A PF mostrou que, at\u00e9 os \u00faltimos dias de mandato, Jair Bolsonaro e parte de seus aliados insistiram em formas de questionar a elei\u00e7\u00e3o e seguir no poder. Eles chegaram a planejar o assassinato de Moraes, de Lula e do vice, Geraldo Alckmin, al\u00e9m de terem conspirado com militares de escal\u00e3o mais baixo e das For\u00e7as Especiais do Ex\u00e9rcito. Para a PF, a insist\u00eancia dos comandantes em resistir ao avan\u00e7o golpista foi decisiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ex-presidente\u00a0Jair Bolsonaro\u00a0estava inconformado com a derrota na elei\u00e7\u00e3o quando se reuniu com os tr\u00eas comandantes das For\u00e7as Armadas para uma reuni\u00e3o no Pal\u00e1cio da Alvorada no dia 1\u00ba de novembro de 2022, dois dias ap\u00f3s o segundo turno. 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