{"id":1441,"date":"2023-09-28T14:29:39","date_gmt":"2023-09-28T17:29:39","guid":{"rendered":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=1441"},"modified":"2023-09-28T14:29:40","modified_gmt":"2023-09-28T17:29:40","slug":"ultraprocessado-nao-vamos-chamar-de-comida-porque-nao-e-defende-especialista-em-alimentacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=1441","title":{"rendered":"Ultraprocessado: \u2018N\u00e3o vamos chamar de comida porque n\u00e3o \u00e9\u2019, defende especialista em alimenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"449\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Sem-titulo-124.jpg?resize=800%2C449&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-1443\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Sem-titulo-124.jpg?w=888&amp;ssl=1 888w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Sem-titulo-124.jpg?resize=300%2C168&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Sem-titulo-124.jpg?resize=768%2C431&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Sem-titulo-124.jpg?resize=750%2C421&amp;ssl=1 750w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Brasil tem 57 mil mortes por ano associadas ao consumo de ultraprocessados, segundo dados divulgados no peri\u00f3dico American Journal of Preventive Medicine (2019) \u2014 Foto: Freepik<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><a class=\"\" href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/saude\/noticia\/2023\/08\/28\/ultraprocessados-aumentam-em-ate-24percent-as-chances-de-infarto-e-avc-entenda-que-alimentos-sao-esses.ghtml\">Alimentos ultraprocessados \u200b\u200best\u00e3o por toda parte<\/a>. Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, a sua disponibilidade e acessibilidade aumentaram de forma explosiva e intencional, primeiro nos pa\u00edses de rendimento elevado e depois nos restantes. Nos Estados Unidos, e tamb\u00e9m no Reino Unido,\u00a0<strong>cerca de 60% da ingest\u00e3o cal\u00f3rica j\u00e1 prov\u00e9m de produtos ultraprocessados<\/strong>. J\u00e1 no Brasil, nos \u00faltimos dez anos, o consumo de alimentos ultraprocessados teve um aumento m\u00e9dio de 5,5%. Outro dado do estudo, divulgado pela Revista de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), feito pelo N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade (Nupens\/USP) tamb\u00e9m respons\u00e1vel pelo Guia Alimentar para a Popula\u00e7\u00e3o Brasileira, mostra que cerca de 20% das calorias consumidas pelos brasileiros v\u00eam de ultraprocessados.<\/p>\n\n\n\n<p>As mensagens sobre esses produtos tamb\u00e9m proliferam. Em muitas reportagens da imprensa s\u00e3o apontados como os principais respons\u00e1veis \u200b\u200bpelo aumento da obesidade ou da diabetes tipo 2 . Tamb\u00e9m n\u00e3o faltam influenciadores que defendem o abandono do consumo. Mas o que s\u00e3o alimentos ultraprocessados? E quais s\u00e3o as evid\u00eancias cient\u00edficas sobre o seu efeito na sa\u00fade?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais s\u00e3o os alimentos ultraprocessados?<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Doces, refrigerantes, biscoitos, nuggets, pratos pr\u00e9-cozidos, sobremesas l\u00e1cteas, entre outros<\/strong>. Todos s\u00e3o produtos feitos predominantemente (ou inteiramente) de ingredientes industriais e contendo poucos (ou nenhum) alimento natural. Portanto, costumam apresentar alta densidade cal\u00f3rica (devido \u00e0 sua quantidade de a\u00e7\u00facares e gorduras) e baixa qualidade nutricional (pouqu\u00edssima quantidade de prote\u00ednas ou micronutrientes). Ou seja, eles n\u00e3o fornecem quase nada, exceto calorias embaladas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que s\u00e3o alimentos ultraprocessados?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O termo ultraprocessado foi utilizado, pela primeira vez, por Carlos Monteiro em 2009. Atualmente, e na aus\u00eancia de uma norma legal que estabele\u00e7a uma defini\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, a mais aceita (pelo menos no campo da sa\u00fade p\u00fablica) \u00e9 que do pr\u00f3prio Monteiro e colaboradores. Eles definem produtos ultraprocessados \u200b\u200bcomo \u201cformula\u00e7\u00f5es industriais produzidas a partir de subst\u00e2ncias obtidas de alimentos ou sintetizadas de outras fontes org\u00e2nicas\u201d. E continuam: \u201cEles normalmente cont\u00eam pouco ou nenhum alimento intacto, s\u00e3o preparados para serem consumidos ou aquecidos e s\u00e3o ricos em gordura, sal ou a\u00e7\u00facares e pouca fibra alimentar, prote\u00edna, v\u00e1rios micronutrientes e outros compostos bioativos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, os alimentos ultraprocessados \u200b\u200b<strong>s\u00e3o prepara\u00e7\u00f5es industriais comest\u00edveis\u00a0<\/strong>elaboradas a partir de subst\u00e2ncias derivadas de outros alimentos. S\u00e3o produtos melhorados para serem atrativos ao paladar e muito convenientes, pois podem ser consumidos em qualquer hora e lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Soma-se a isso sua enorme lucratividade.&nbsp;<strong>Os ultraprocessados \u200b\u200bt\u00eam vida \u00fatil longa e custo de produ\u00e7\u00e3o baix\u00edssimo<\/strong>. Na verdade, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos ultraprocessados \u200b\u200b(por exemplo, bebidas a\u00e7ucaradas) se tornou uma das atividades comerciais mais lucrativas e de crescimento mais r\u00e1pido. S\u00e3o produtos mais baratos do que os alimentos frescos ou processados \u200b\u200be s\u00e3o publicitados atrav\u00e9s de mensagens enganosas (\u201cricos em vitaminas\u201d) e acompanhados de alega\u00e7\u00f5es que procuram mascarar poss\u00edveis danos, para direcionar a procura dos consumidores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Qual \u00e9 o efeito dos ultraprocessados na sa\u00fade?<\/h2>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as aos sistemas de rastreabilidade e seguran\u00e7a alimentar, \u00e9 muito dif\u00edcil que os alimentos, ultraprocessados \u200b\u200bou n\u00e3o, causem danos imediatos \u00e0 sa\u00fade. Exceto algumas gorduras e a\u00e7\u00facares de baixa qualidade, que causam danos diretos, mas permanecem n\u00e3o regulamentados devido \u00e0 interfer\u00eancia da ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados cient\u00edficos sobre os efeitos nocivos dos alimentos ultraprocessados \u200b\u200bs\u00e3o claros. Existem centenas de estudos que observaram associa\u00e7\u00e3o entre o consumo desses produtos e maior risco de obesidade, diabetes, hipertens\u00e3o, doen\u00e7as cardiovasculares e tamb\u00e9m morte prematura. Um editorial, publicado recentemente por Miguel \u00c1ngel Royo-Bordonada e Maira Bes-Rastrollo na Gaceta Sanitaria, sintetiza esta evid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m destes efeitos, um estudo recente, realizado com quase 200.000 adultos no Reino Unido, concluiu que os alimentos ultraprocessados \u200b\u200btamb\u00e9m aumentam a mortalidade por certos tipos de c\u00e2ncer, especialmente o de ov\u00e1rio nas mulheres. E este n\u00e3o \u00e9 o primeiro. No ano passado, uma pesquisa realizada nos Estados Unidos relacionou alimentos ultraprocessados \u200b\u200bao c\u00e2ncer colorretal. Somando-se a essas evid\u00eancias crescentes est\u00e3o as descobertas sobre sa\u00fade mental. Um estudo longitudinal, com acompanhamento de uma d\u00e9cada, associou o consumo de alimentos ultraprocessados \u200b\u200b\u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o cognitiva em mais de 10 mil adultos no Brasil. Al\u00e9m disso, em 2022, pesquisadores da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), da USP, da Fiocruz e da Universidad de Santiago de Chile realizaram um levantamento (divulgado no peri\u00f3dico American Journal of Preventive Medicine) onde estimou-se que os ultraprocessados podem causar a morte prematura de 57 mil pessoas por ano, superando at\u00e9 mesmo o n\u00famero de v\u00edtimas de homic\u00eddio no pa\u00eds (os dados tiveram como base o ano de 2019 onde, de acordo com o Atlas da Viol\u00eancia, o pa\u00eds registrou 45,5 mil homic\u00eddios).<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao mecanismo de a\u00e7\u00e3o, existem diversas hip\u00f3teses. Por um lado, os danos podem estar relacionados \u00e0 j\u00e1 referida baixa qualidade nutricional dos ingredientes mais comuns destes produtos: a\u00e7\u00facares livres, farinhas refinadas, gorduras pouco saud\u00e1veis \u200b\u200bou sal. Por sua vez, o consumo de alimentos ultraprocessados \u200b\u200bpode substituir outros de melhor qualidade nutricional, como alimentos in natura ou menos processados. H\u00e1 estudos que sugerem hip\u00f3teses adicionais, relacionadas com altera\u00e7\u00f5es nos sinais de saciedade, desequil\u00edbrios na diversidade e composi\u00e7\u00e3o da microbiota intestinal, ou com os efeitos pr\u00f3-inflamat\u00f3rios e pr\u00f3-oxidantes dos alimentos ultraprocessados.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez observados os seus efeitos, e explicada a sua plausibilidade a n\u00edvel biol\u00f3gico, resta implementar medidas fiscais (impostos sobre bebidas a\u00e7ucaradas) e medidas regulat\u00f3rias (limitar a exposi\u00e7\u00e3o, sobretudo, de crian\u00e7as e adolescentes a este tipo de produtos) que contrariam a propaga\u00e7\u00e3o destes produtos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alimentos ultraprocessados \u200b\u200best\u00e3o por toda parte. 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