{"id":12798,"date":"2024-05-30T09:03:38","date_gmt":"2024-05-30T12:03:38","guid":{"rendered":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=12798"},"modified":"2024-05-30T09:03:40","modified_gmt":"2024-05-30T12:03:40","slug":"ansiedade-desanimo-e-outras-questoes-emocionais-afligem-estudantes-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=12798","title":{"rendered":"Ansiedade, des\u00e2nimo e outras quest\u00f5es emocionais afligem estudantes no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"446\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-301.jpg?resize=800%2C446&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-12799\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-301.jpg?w=887&amp;ssl=1 887w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-301.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-301.jpg?resize=768%2C429&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-301.jpg?resize=750%2C419&amp;ssl=1 750w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sa\u00fade mental na universidade: ansiedade, des\u00e2nimo e outras quest\u00f5es emocionais afligem maioria de estudantes no Brasil. \u2014 Foto: Geralt\/Pixabay<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O\u00a0<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/saude\/noticia\/2024\/05\/saude-mental-dos-brasileiros-pos-pandemia-e-uma-das-piores-do-mundo.ghtml\">adoecimento ps\u00edquico de jovens brasileiros\u00a0<\/a>tornou-se um fantasma que ronda a comunidade acad\u00eamica. Assistimos a um crescente aumento nos \u00edndices de sofrimento ps\u00edquico da juventude brasileira, com destaque aos universit\u00e1rios, situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 mapeada por \u00f3rg\u00e3os de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisas recentes da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Dirigentes das Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior (Andifes) apontam um n\u00famero significativo de universit\u00e1rios com&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Revista\/noticia\/2014\/04\/como-problemas-emocionais-se-transformam-em-doencas.html\">dificuldades emocionais&nbsp;<\/a>em seus percursos acad\u00eamicos (83,05%). Os dados mostram que a ansiedade e o des\u00e2nimo aparecem com maior frequ\u00eancia, seguidos pelas ideias de morte e&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Tecnologia\/noticia\/2021\/11\/em-estudo-ia-ajuda-identificar-adolescentes-com-pensamentos-suicidas.html\">pensamento suicida<\/a>. Os n\u00fameros da pesquisa da Andifes mostram o suic\u00eddio como a segunda causa de morte de universit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma poss\u00edvel condi\u00e7\u00e3o de agravamento de sofrimento de discentes nas universidades est\u00e1 associada \u00e0s novas<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Sociedade\/noticia\/2020\/11\/6-formas-de-aproveitar-universidade-publica-sem-passar-pelo-vestibular.html\">&nbsp;formas de ingresso<\/a>, \u00e0 mobilidade social e geogr\u00e1fica propiciada pelo ENEM e pelo SISU, assim como pela&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Revista\/noticia\/2017\/03\/desigualdade-faz-mal-saude.html\">precariza\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de inclus\u00e3o<\/a>&nbsp;e perman\u00eancia dirigidas aos alunos de baixa renda, negros e ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a pesquisa ainda mostrou que as&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/sociedade\/comportamento\/noticia\/2024\/01\/alunas-de-baixo-status-socioeconomico-se-acham-menos-talentosas-diz-estudo.ghtml\">dificuldades emocionais est\u00e3o frequentemente associadas \u00e0s quest\u00f5es financeiras<\/a>, \u00e0 carga excessiva de trabalhos acad\u00eamicos e ao tempo de deslocamento para a universidade. No espectro dos impasses que mais afetam o desempenho acad\u00eamico est\u00e3o as intoler\u00e2ncias, discrimina\u00e7\u00f5es e preconceitos vividos pelos jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>Possivelmente, todas essas vari\u00e1veis participam, em alguma medida, das&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Cultura\/noticia\/2021\/06\/4-obras-para-refletir-sobre-importancia-e-os-rumos-da-educacao.html\">altas taxas de evas\u00e3o universit\u00e1ria<\/a>. Entre os discentes das Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior (IFES), mais da metade j\u00e1 pensou em abandonar seus estudos, relatando dificuldades financeiras (32,8%), alto grau de exig\u00eancia acad\u00eamica (29,7%), dificuldades para conciliar estudo e trabalho (23,6%) e problemas de sa\u00fade (21,2%) dentre as causas prevalentes. De fato, h\u00e1 uma evidente associa\u00e7\u00e3o entre os maiores riscos de evas\u00e3o e a faixa de renda familiar mensal.<\/p>\n\n\n\n<p>Frente a este contexto, um grupo de docentes, pesquisadores de universidades p\u00fablicas do Brasil, da Argentina e da Fran\u00e7a, decidiu examinar de perto o modo como o<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/saude\/noticia\/2024\/01\/dormir-mal-afeta-emocoes-positivas-e-impacta-saude-mental-a-longo-prazo.ghtml\">&nbsp;sofrimento ps\u00edquico<\/a>&nbsp;se faz presente nas Universidades, atrav\u00e9s da constru\u00e7\u00e3o do projeto de pesquisa multic\u00eantrico&nbsp;<em>Psican\u00e1lise e sa\u00fade mental na Universidade: pol\u00edticas de vida, escuta e sobreviv\u00eancia ps\u00edquica em tempos sombrios<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>O Projeto problematiza inquieta\u00e7\u00f5es compartilhadas acerca do tema do mal-estar nas universidades p\u00fablicas e no la\u00e7o social atual, especialmente, nos aspectos relativos \u00e0s pr\u00e1ticas neoliberais no contexto sociopol\u00edtico brasileiro dos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa, que j\u00e1 resultou em um Simp\u00f3sio de mesmo nome, realizado em 2023 na USP, configura-se tamb\u00e9m como produto de um trabalho integrado entre diversos Laborat\u00f3rios de Pesquisas situados nas diferentes&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Sociedade\/noticia\/2020\/11\/6-formas-de-aproveitar-universidade-publica-sem-passar-pelo-vestibular.html\">universidades p\u00fablicas do Brasil<\/a>, da Argentina e da Fran\u00e7a, fruto de parcerias estabelecidas pelas redes de investiga\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais das quais os autores e autoras participam.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um cen\u00e1rio preocupante como este, nos perguntamos sobre quais condi\u00e7\u00f5es sociais, pol\u00edticas, econ\u00f4micas e culturais participam da produ\u00e7\u00e3o desse sofrimento, que tem se apresentado na\u00a0<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/sociedade\/\">sociedade\u00a0<\/a>como um todo, e nas universidades p\u00fablicas de modo especial.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensamos que a responsabiliza\u00e7\u00e3o individual, e a privatiza\u00e7\u00e3o do adoecimento, s\u00f3 t\u00eam intensificado o sofrimento e a despolitiza\u00e7\u00e3o do debate. Investigar e intervir sobre o&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/noticia\/2018\/09\/um-em-cada-tres-calouros-da-faculdade-sofrem-com-algum-disturbio-mental.html\">sofrimento ps\u00edquico que assola a comunidade acad\u00eamica&nbsp;<\/a>implica em compreender como as recentes mudan\u00e7as da sociedade brasileira interferem nos modos de subjetiva\u00e7\u00e3o forjados no la\u00e7o social, produzindo impactos no que chamamos o mal-estar na Universidade \u2013 express\u00e3o evocada a partir da interlocu\u00e7\u00e3o entre os campos da Psican\u00e1lise, Educa\u00e7\u00e3o e Pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Tais quest\u00f5es desdobram-se na pesquisa desde a narrativa de universit\u00e1rios que foram escutados por pesquisadores em rodas de conversas, nas quais falavam, sobretudo, de n\u00e3o conseguirem cumprir as \u201cmetas da Universidade\u201d, ou ainda, da ang\u00fastia pelo que chamam de \u201cbaixa-estima acad\u00eamica\u201d e da sensa\u00e7\u00e3o de \u201cnunca ser suficiente para dar conta das demandas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os significantes \u201cpress\u00e3o\u201d e \u201cfracasso\u201d apareceram constantemente, deslizando da press\u00e3o do&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/noticia\/2022\/07\/mulheres-ainda-sofrem-bullying-em-ambiente-academico-diz-estudo.html\">ambiente acad\u00eamico&nbsp;<\/a>para a press\u00e3o familiar: ainda s\u00e3o frequentes as preocupa\u00e7\u00f5es acerca das expectativas da fam\u00edlia perante o desempenho dos novos ingressantes, que, muitas vezes, s\u00e3o os primeiros do n\u00facleo familiar a cursarem o ensino superior.<\/p>\n\n\n\n<p>Ang\u00fastias associadas ao n\u00e3o-pertencimento e \u00e0&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Sociedade\/noticia\/2022\/05\/mec-nega-bolsa-permanencia-6-em-cada-10-alunos-indigenas-e-quilombolas.html\">instabilidade quanto \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de perman\u00eancia no ensino superior tamb\u00e9m se destacam<\/a>. Um estudante mencionou o constrangimento com a disputa pelas poucas bolsas ofertadas, uma vez que, segundo ele, \u201c\u00e9 uma briga para ver quem \u00e9 mais pobre\u201d. Tal competi\u00e7\u00e3o, como o pr\u00f3prio jovem observa, mostra o quanto a l\u00f3gica do mercado adentrou os muros da universidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos notar a presen\u00e7a de ataques \u00e0s universidades, n\u00e3o s\u00f3 no universo social mais amplo como tamb\u00e9m nos conflitos internos e na presen\u00e7a de epis\u00f3dios de&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/sociedade\/educacao\/noticia\/2023\/04\/combate-a-violencia-passa-por-convivencia-democratica-nas-escolas.ghtml\">viol\u00eancia pol\u00edtica<\/a>&nbsp;que reproduzem a l\u00f3gica dos discursos de \u00f3dio no interior mesmo do territ\u00f3rio universit\u00e1rio. Tais situa\u00e7\u00f5es ocorrem, seja atrav\u00e9s do preconceito e recha\u00e7o \u00e0s minorias rec\u00e9m-chegadas nas universidades p\u00fablicas brasileiras, seja no que diz respeito ao confronto entre posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas polarizadas, como aparece tamb\u00e9m no discurso dos estudantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas pesquisas e publica\u00e7\u00f5es j\u00e1 sinalizam h\u00e1 alguns anos a presen\u00e7a do sofrimento por ansiedades na rela\u00e7\u00e3o com as exig\u00eancias acad\u00eamicas, bem como pela<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Sociedade\/noticia\/2016\/06\/como-meritocracia-contribui-para-desigualdade.html\">&nbsp;inseguran\u00e7a financeira e social<\/a>&nbsp;diante do desafio de concluir o curso para o qual muitos dos estudantes ingressaram.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, mais recentemente, a atmosfera de demoniza\u00e7\u00e3o das Universidades p\u00fablicas, atrav\u00e9s da redu\u00e7\u00e3o dos investimentos em pesquisa e ci\u00eancia criou uma s\u00e9rie de<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Tecnologia\/noticia\/2018\/10\/usp-e-ufscar-criam-ferramenta-que-detecta-fake-news.html\">&nbsp;fake news<\/a>&nbsp;que alimentaram o imagin\u00e1rio social, fragilizando o vigor das institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>As narrativas constru\u00eddas imaginariamente corroem as condi\u00e7\u00f5es do trabalho docente e discente, produzindo o empobrecimento da fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica das produ\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas no la\u00e7o social. Nesse sentido, importa discutir amplamente as vari\u00e1veis que comp\u00f5em o adoecimento da comunidade universit\u00e1ria brasileira, pois, tal quadro tamb\u00e9m responde pelo amplo processo de precariza\u00e7\u00e3o que as carreiras docentes, a pesquisa e a ci\u00eancia v\u00eam sofrendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Entendemos que as universidades p\u00fablicas, tanto estaduais, quanto federais, t\u00eam particular import\u00e2ncia no que diz respeito ao enfrentamento dessa quest\u00e3o. Precisamos realizar um debate cr\u00edtico sobre as condi\u00e7\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es que participam do lugar social que a Universidade p\u00fablica historicamente ocupa no Brasil, n\u00e3o somente no que se refere \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de conhecimentos, mas, tamb\u00e9m no que se refere \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de novos&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/sociedade\/noticia\/2022\/11\/a-geracao-atual-tem-menos-recursos-para-acreditar-no-futuro.ghtml\">futuros para os jovens<\/a>&nbsp;e, consequentemente, para o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Luciana Gageiro Coutinho \u00e9 professora associada da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o na Universidade Federal Fluminense (UFF) e Rose Gurski \u00e9 professora associada do Departamento de Psican\u00e1lise e Psicopatologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).&nbsp;<\/em><a class=\"\" href=\"https:\/\/theconversation.com\/saude-mental-na-universidade-ansiedade-desanimo-e-outras-questoes-emocionais-afligem-maioria-de-estudantes-no-brasil-229773\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Este artigo foi originalmente publicado no site&nbsp;<em>The Conversation.<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O\u00a0adoecimento ps\u00edquico de jovens brasileiros\u00a0tornou-se um fantasma que ronda a comunidade acad\u00eamica. 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