{"id":12286,"date":"2024-05-17T07:35:09","date_gmt":"2024-05-17T10:35:09","guid":{"rendered":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=12286"},"modified":"2024-05-17T07:35:10","modified_gmt":"2024-05-17T10:35:10","slug":"vacinas-contra-o-cancer-devem-ser-aprovadas-ate-2030-saiba-para-quais-tipos-estao-mais-avancadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/minutobahia24h.com.br\/?p=12286","title":{"rendered":"Vacinas contra o c\u00e2ncer devem ser aprovadas at\u00e9 2030; saiba para quais tipos est\u00e3o mais avan\u00e7adas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"532\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-176.jpg?resize=800%2C532&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-12287\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-176.jpg?w=888&amp;ssl=1 888w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-176.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-176.jpg?resize=768%2C511&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/minutobahia24h.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-176.jpg?resize=750%2C499&amp;ssl=1 750w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Vacinas contra o c\u00e2ncer. \u2014 Foto: FreePik<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>As vacinas de RNA mensageiro (RNAm) entraram para a hist\u00f3ria na pandemia da Covid-19. Agora, v\u00e3o abrir uma nova fronteira contra outra doen\u00e7a: o&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/tudo-sobre\/assunto\/cancer\">c\u00e2ncer<\/a>. Especialistas preveem a primeira aprova\u00e7\u00e3o de uma dose terap\u00eautica para um tumor ainda nesta d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 As empresas que tiveram sucesso na pandemia j\u00e1 vinham trabalhando h\u00e1 muitos anos com RNAm no desenvolvimento de vacinas antitumorais, mas redirecionaram os esfor\u00e7os para a Covid-19. N\u00f3s, aqui em Bio-Manguinhos, na Fiocruz, tamb\u00e9m est\u00e1vamos seguindo essa tecnologia para doses antitumorais, mas nos voltamos para o coronav\u00edrus em 2020. Agora retomamos os estudos, inicialmente para c\u00e2ncer de mama \u2014 conta Patr\u00edcia Neves, l\u00edder cient\u00edfica do Projeto RNA de Bio-Manguinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>No mundo, a mais avan\u00e7ada, na \u00faltima etapa dos testes cl\u00ednicos, \u00e9 contra o melanoma, c\u00e2ncer de pele mais agressivo. A dose foi desenvolvida pela Moderna em parceria com a MSD e recebeu o status de &#8216;terapia inovadora&#8217; pela FDA, nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados de fase 2 mostraram que a vacina proporcionou uma redu\u00e7\u00e3o de 49% no risco de morte ou recorr\u00eancia, e de 62% no de morte ou met\u00e1stase. Al\u00e9m disso, o laborat\u00f3rio americano est\u00e1 nos est\u00e1gios finais dos estudos cl\u00ednicos de uma vacina contra o c\u00e2ncer de pulm\u00e3o de c\u00e9lulas n\u00e3o pequenas e de c\u00e2ncer de bexiga.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 A plataforma de RNAm nos permite pesquisar e desenvolver um amplo espectro de vacinas e terapias, desde doen\u00e7as infecciosas at\u00e9 doen\u00e7as raras e oncologia. Embora tenhamos visto uma r\u00e1pida aplica\u00e7\u00e3o no desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19, a pesquisa sobre o c\u00e2ncer tem sido um foco central desde a nossa funda\u00e7\u00e3o em 2010. Nosso objetivo \u00e9 usar a tecnologia para instruir o sistema imunol\u00f3gico a detectar e atacar as c\u00e9lulas cancer\u00edgenas, visando melhorar os resultados dos pacientes \u2014 explica Michelle Brown, vice-presidente e l\u00edder de portf\u00f3lio da Moderna.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro laborat\u00f3rio que lidera a cria\u00e7\u00e3o de imunizantes de RNAm \u00e9 o alem\u00e3o BioNTech, que foi pioneiro com a Moderna nas vacinas da Covid-19. L\u00e1, tamb\u00e9m est\u00e3o sendo desenvolvidas doses avan\u00e7adas contra o melanoma e o c\u00e2ncer de pulm\u00e3o de c\u00e9lulas n\u00e3o pequenas, al\u00e9m de aplica\u00e7\u00f5es para carcinoma de c\u00e9lulas escamosas de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o, c\u00e2ncer colorretal e adenocarcinoma ductal pancre\u00e1tico (um dos tumores mais letais).<\/p>\n\n\n\n<p>Dados iniciais da dose contra o c\u00e2ncer de p\u00e2ncreas, doen\u00e7a com apenas 13% de chance de sobreviv\u00eancia, j\u00e1 apontam que, tr\u00eas anos depois da aplica\u00e7\u00e3o, metade dos pacientes que receberam a vacina ainda tinha uma resposta imunol\u00f3gica, o que foi associada a uma sobrevida mais longa e um risco menor de retorno do tumor.<\/p>\n\n\n\n<p>O potencial dessas vacinas \u00e9 imenso, vai ser um divisor de \u00e1guas na oncologia<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Bruno Filardi, oncogeneticista<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aprova\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Brown diz ser \u201cmuito cedo para especular sobre os prazos\u201d, por\u00e9m representantes da Moderna, assim como da BioNTech, j\u00e1 afirmaram em outras ocasi\u00f5es acreditar que as vacinas devem se tornar uma realidade at\u00e9 2030. Os especialistas ouvidos pelo GLOBO concordam com a estimativa, citando um cen\u00e1rio positivo a partir dos estudos iniciais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Como os estudos cl\u00ednicos j\u00e1 est\u00e3o acontecendo, e os primeiros resultados levam cerca de tr\u00eas anos de acompanhamento, em meados de 2026, 2027, j\u00e1 podemos sim ter uma aprova\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 uma previs\u00e3o realista. E o potencial dessas vacinas \u00e9 imenso, vai ser um novo divisor de \u00e1guas na oncologia \u2014 afirma o oncogeneticista Bruno Filardi, p\u00f3s-doutor em Imunopatologia Celular pela USP.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o v\u00e3o ser para todos os casos de c\u00e2ncer, v\u00e3o ser para tumores mais imunog\u00eanicos, com taxas mais altas de muta\u00e7\u00e3o, mas, para esses, vamos ter um ganho significativo de anos de sobrevida. Cada vez vamos ter menos mortalidade pelo c\u00e2ncer \u2014 continua o m\u00e9dico da ProOncoGen e do servi\u00e7o de gen\u00e9tica m\u00e9dica da USP-Ribeir\u00e3o Preto.<\/p>\n\n\n\n<p>O imunologista e coordenador de Pesquisa do Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca), Jo\u00e3o Viola, tamb\u00e9m celebra os avan\u00e7os e se mostra otimista com o futuro. Por\u00e9m, lembra que, ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 preciso um esfor\u00e7o para torn\u00e1-las acess\u00edveis, especialmente em pa\u00edses como o Brasil:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Na maioria das vezes, essas novas terapias t\u00eam um custo muito alto e ficam restritas a popula\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que eventualmente conseguem um maior acesso. A grande discuss\u00e3o \u00e9 conseguir dar esse acesso de uma forma equ\u00e2nime, igualit\u00e1ria, a todos que precisam.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Funcionamento<\/h2>\n\n\n\n<p>Os especialistas explicam que as vacinas atuam fazendo com que o sistema imunol\u00f3gico reconhe\u00e7a o tumor \u2014 algo que n\u00e3o acontece naturalmente porque as c\u00e9lulas cancer\u00edgenas t\u00eam uma capacidade de sinalizar para as imunes que s\u00e3o \u201csaud\u00e1veis\u201d e, com isso, escapar das defesas do organismo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Para destruir a c\u00e9lula cancer\u00edgena, tenho que apresentar para o nosso sistema imune uma prote\u00edna que veio de dentro dessa c\u00e9lula, para que ele passe a reconhec\u00ea-la e a atac\u00e1-la. Como cada tumor \u00e9 \u00fanico, tem seu padr\u00e3o de muta\u00e7\u00f5es muito espec\u00edfico, \u00e9 preciso analis\u00e1-lo e identificar uma prote\u00edna defeituosa, mas que tamb\u00e9m tenha essa grande capacidade de intera\u00e7\u00e3o com o sistema imunol\u00f3gico, que ser\u00e1 usada na vacina \u2014 explica Filardi.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, tecnologias tradicionais de vacinas, e at\u00e9 algumas mais avan\u00e7adas, como as proteicas, n\u00e3o levaram a resultados satisfat\u00f3rios nesse processo. A\u00ed que entra o potencial do RNAm.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Essa prote\u00edna \u00e9 gerada a partir de um gene, que \u00e9 o DNA, que se traduz num RNA que, por fim, produz a prote\u00edna. Na pr\u00e1tica, o que os cientistas fazem \u00e9, em vez de dar diretamente a prote\u00edna para induzir a resposta imune, d\u00e3o o RNA que codifica ela. Esse RNA \u00e9 incorporado nas c\u00e9lulas, que passam a produzir uma quantidade boa de prote\u00ednas para induzirem a resposta imune contra o tumor. E outra vantagem \u00e9 a facilidade pela plataforma ser a mesma para produzir diferentes alvos, o que muda \u00e9 apenas o c\u00f3digo desse alvo \u2014 diz Viola.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande discuss\u00e3o \u00e9 conseguir dar acesso de uma forma igualit\u00e1ria a todos que precisam<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Jo\u00e3o Viola, imunologista do Inca<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">C\u00e2ncer de mama<\/h2>\n\n\n\n<p>No Brasil, a Fiocruz foi escolhida pela OMS em 2021 para impulsionar a plataforma de RNAm. Segundo Neves, que lidera o projeto em Bio-Manguinhos, agora que a pandemia est\u00e1 controlada, os pesquisadores voltaram a focar no combate aos tumores. Em est\u00e1gio ainda muito inicial, j\u00e1 selecionaram prote\u00ednas de um tipo de c\u00e2ncer de mama.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Nosso projeto est\u00e1 bem avan\u00e7ado, com previs\u00e3o de preparar os lotes para o estudo toxicol\u00f3gico ainda esse ano. Esse \u00e9 o \u00faltimo em animais antes de avan\u00e7armos para humanos. N\u00f3s estamos trabalhando inicialmente com c\u00e2ncer de mama triplo negativo, que \u00e9 um tipo bastante dif\u00edcil de tratar, embora seja muito prevalente e tenha uma mortalidade alt\u00edssima. Mas se n\u00f3s provarmos que o processo para identificar os alvos da vacina \u00e9 v\u00e1lido, poderemos replic\u00e1-lo para outros tumores \u2014 conta.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia tem uma diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dose contra o melanoma da Moderna e de outras em testes mais avan\u00e7ados. Enquanto a da farmac\u00eautica americana \u00e9 individualizada, ou seja, cada dose \u00e9 manufaturada de forma individual com base na an\u00e1lise do tumor de cada paciente, a vacina da Fiocruz busca ser uma op\u00e7\u00e3o mais universal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Como trabalhamos para o SUS, procuramos esses alvos que chamamos de universais, por serem prote\u00ednas encontradas em diferentes pacientes com aquele tumor. Identificamos oito alvos por um processo de bioinform\u00e1tica e agora precisamos valid\u00e1-los, mostrar que realmente essas prote\u00ednas aparecem nos tumores brasileiros e geram uma resposta imune. Nossa ideia \u00e9 comparar os dois tipos de tratamento e ver qual deles tem melhor efic\u00e1cia e que geram o melhor custo benef\u00edcio para o SUS \u2014 explica Neves.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa t\u00e9cnica universal, embora n\u00e3o seja a utilizada nas doses mais avan\u00e7adas dos laborat\u00f3rios estrangeiros, tamb\u00e9m \u00e9 testada em estudos cl\u00ednicos pela Moderna, lembra Brown. O que mostra como a tecnologia em si n\u00e3o \u00e9 um entrave, o desafio \u00e9 encontrar as prote\u00ednas certas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O dif\u00edcil \u00e9 achar uma prote\u00edna que tenha efeito imunoprotetor para diferentes tumores. Existem mais de 200 doen\u00e7as diferentes que chamamos de c\u00e2ncer. Essa identifica\u00e7\u00e3o e testagem para ver se de fato induz a prote\u00e7\u00e3o demanda muito investimento, que precisa ser nacional se queremos incorporar essa tecnologia na rede p\u00fablica \u2014 afirma Viola.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As vacinas de RNA mensageiro (RNAm) entraram para a hist\u00f3ria na pandemia da Covid-19. Agora, v\u00e3o abrir uma nova fronteira contra outra doen\u00e7a: o&nbsp;c\u00e2ncer. 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