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Moradores do Salitre interditam BA-210 reivindicando recuperação de estradas na região

Conforme tinham prometido os salitreiros estão tomando a BA-210, na altura do contorno do Rodeadouro, na manhã desta segunda-feira (10) reivindicando a reforma das estradas na região. A principal reivindicação é a recuperação da pavimentação asfáltica da estrada desde BA-144 até a BA-317, bem como as estradas vicinais que dão acesso aos povoados das região baixa, médio e alto salitre. Segundo informações de populares, neste momento está tudo travado e não passa nenhum veículo.

O salitreiro Josemário enviou o seguinte texto sobre a manifestação:

A estrada também fala

Neste dia, o Salitre resolveu falar.

Não com discursos inflamados, nem com promessas de campanha. Falou através dos passos de homens, mulheres, jovens, idosos e crianças que ocuparam a estrada. Cada pessoa levava consigo muito mais do que um cartaz. Levava o peso da poeira no verão, da lama no inverno, dos pneus estourados, das motos caídas, dos estudantes atrasados, dos agricultores impedidos de escoar sua produção e das ambulâncias que, muitas vezes, precisam desafiar o tempo e os buracos para salvar uma vida.

Quem vê apenas uma manifestação pode pensar que o povo está pedindo um favor. Não está.

Está cobrando um direito.

O Salitre sempre foi conhecido pela força do seu povo. Um povo que transforma terra seca em alimento, que acorda antes do sol nascer e acredita que o trabalho dignifica. Mas existe um limite para a resistência. Nenhum povo deveria ser obrigado a conviver com estradas que dificultam o direito de ir e vir, prejudicam a economia e colocam vidas em risco.

Curioso é perceber que o problema nunca foi a capacidade do Salitre. A região tem terras férteis, riqueza natural, produção agrícola e gente disposta a trabalhar. O que falta não é potencial; é prioridade.

Enquanto o tempo passa, as estradas continuam contando a mesma história. Cada buraco parece guardar uma promessa esquecida. Cada ponte improvisada lembra que o desenvolvimento ainda não chegou por completo. E cada eleição renova a esperança de que, desta vez, o caminho será diferente.

A manifestação não interrompeu apenas o trânsito. Interrompeu o silêncio. Fez ecoar uma pergunta que há muito tempo espera resposta: até quando um povo tão importante para Juazeiro continuará sendo tratado como se pudesse esperar para sempre?

Estradas não são apenas caminhos de barro ou de asfalto. São caminhos para a escola, para o hospital, para o trabalho, para a comercialização da produção e para o futuro.

Quando um povo vai às ruas pedir estradas, na verdade não está pedindo apenas máquinas e pavimentação. Está pedindo respeito.

E talvez seja justamente isso que o Salitre mais deseja: que um dia sua história deixe de ser conhecida pela luta constante e passe a ser lembrada pelas conquistas de um povo que nunca desistiu de caminhar, mesmo quando o caminho insistia em não existir.

JosemárioDa redação Rede GN

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